‘Dark Horse’: entenda o filme sobre Bolsonaro e a conexão com Vorcaro
Guia do Adulto Premium, toda semana um assunto triste que você não gostaria de estar sabendo, mas precisa. Crédito: Felipe Pahor/Estadão
Gerando resumo
BRASÍLIA - A Polícia Federal apontou a existência de “divergências relevantes” nos documentos apresentados pela produtora do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, para justificar o envio de recursos dos Estados Unidos ao Brasil para a produção.
Com base nessas lacunas, a PF solicitou prazo de mais 90 dias para aprofundar as investigações e pedir mais documentos aos envolvidos no caso. O pedido foi feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito que investiga o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ter solicitado pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro sob justificativa de financiar o filme.

A investigação analisou documentação entregue voluntariamente pela própria produtora Go Up, de Karina Gama, para demonstrar a entrada dos recursos. A PF identificou 20 contratos de câmbio que totalizaram o ingresso de R$ 14,7 milhões no Brasil.
Em um relatório sobre o material, a PF afirmou que os contratos “não identificam as contas de origem nem eventuais bancos intermediários no exterior”. Diz ainda que as remessas se basearam em um contrato de empréstimo em valor muito abaixo do que o total efetivamente remetido ao Brasil.
“A IPJ-A apontou ainda divergências relevantes nos documentos: referência a quatro datas distintas de assinatura do mútuo (24/06/2025, 21/10/2025, 13/11/2025 e 08/04/2026), três contratos sem data alguma e menção a modelos diversos de operação (1145701 e 1147474). Com os elementos disponíveis, não foi possível esclarecer quantos contratos de mútuo foram efetivamente firmados nem a origem dessas inconsistências”, diz a PF.
A Polícia Federal apontou também contradições entre o depoimento de um delator, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, e a documentação que ele entregou. Responsável por fazer os aportes em um fundo nos Estados Unidos, ele relatou uma fraude na operação, dizendo que fez os pagamentos acreditando se tratar de um fundo de investimento em empreendimentos imobiliários, mas que só ficou sabendo posteriormente disso. A PF diz que um documento entregue por ele e assinado com o fundo Havengate já previa o envio dos recursos para o filme.
“O documento está, assim, em aparente contradição com a afirmação do colaborador de que desconhecia a destinação cinematográfica dos recursos”, diz a PF.
Procurado, o advogado Ricardo Sayeg afirmou que uma perícia irá “revelar a lisura e legalidade de todas as captações do financiamento desta obra”.
“Depois que passadas as eleições, pondo um fim a politização desse caso, a Defesa tem convicção que duas coisas ocorrerão. A primeira é o sucesso estrondoso do filme Dark Horse que reúne todas as condições de disputar o Oscar contando a fantástica história do presidente Jair Bolsonaro. A segunda é que a perícia irá revelar a lisura e legalidade de todas as captações do financiamento desta obra extraordinária em apoio a esta iniciativa histórica de minha cliente GO UP”, disse em nota.


