Numa virada inédita, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu se reeleger para um quarto mandato a despeito de ter perdido no primeiro turno para o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Lula lançou mão de todas os poderes que a caneta de presidente poderia proporcionar na eleição mais acirrada da história do Brasil: reajustou o Bolsa Família, subsidiou combustíveis, fez programas para os endividados e microempreendedores, prometeu canetas emagrecedoras, etc.

Com a ajuda do antigo desafeto, o presidente do Senado, David Alcolumbre, conseguiu aprovar o fim da jornada 6 por 1. Foi uma aliança de ocasião. Alcolumbre só tem condições de tentar e manter na presidência da Casa com Lula no poder.
Vai ser difícil para Lula governar com um Congresso ainda mais conservador do que o atual. Também sabemos como vai ser complicada a crise econômica de 2027 e sua relutância sobre o ajuste fiscal.
Mas o fato foi que o PT conseguiu aquecer a militância e explorar a rejeição de Flávio, que apesar do figurino moderado, carrega o sobrenome Bolsonaro. Lula lembrou as barbaridades que o Jair Bolsonaro fez na pandemia, apelou para a forma como o pai tratava as mulheres, colou o nome do adversário à corrupção de Daniel Vorcaro, e explorou o medo de Flávio cortasse programas sociais.
Numa eleição que foi um duelo de rejeições, quando parecia que Flávio venceria, prevaleceu o medo da volta do bolsonarismo. E o brasileiro disse não.




