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Traduzindo a política

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Soberba de Flávio e reação da militância dão a Lula um novo mandato, que tende a ser mais desafiador

Em quarto mandato, presidente enfrentará Congresso hostil e questionamentos jurídicos após confusão na votação

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Foto do autor Ricardo Corrêa

A soberba de Flávio Bolsonaro (PL), que, como dito aqui mesmo neste espaço, sentou na cadeira antes da hora, somada à mobilização de uma militância desesperada com a possibilidade da vitória do bolsonarismo, empurrou o presidente Luiz Inácio lnácio Lula da Silva (PT) a uma vitória fora do comum. Após garantir mais quatro anos a um governo hoje mal avaliado e de uma derrota inesperada no primeiro turno, o presidente conseguiu uma nova chance de terminar sua carreira política em alta. Mas no quarto mandato, o cenário à espera é bem mais desafiador.

Antes mesmo de tomar posse, Lula enfrentará, inevitavelmente, questionamentos jurídicos após a confusão sobre a prorrogação do funcionamento de seções eleitorais em razão de problemas de transporte de eleitores. Depois, verá um Congresso muito mais desafiador, sobretudo no Senado, onde o bolsonarismo conseguiu reunir votos para controlar a maioria e, talvez, o comando da Casa.

Luiz Inácio Lula Silva, presidente da República reeleito neste domingo, 25 Foto: Taba Benedicto/Estadão

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Do Judiciário virão também turbulências, em meio à crise que atinge a imagem de ministros ligados ao governo, e as investigações que envolvem figuras próximas ao ex-presidente, como próprio filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Mas Lula também terá que lidar com as promessas que fez e que, agora, terá dificuldades para cumprir, diante de um cenário fiscal adversário. Bilhões de reais anunciados em medidas já anunciadas, como o aumento do Bolsa Família, o fim das bets e o novo Desenrola não estão no Orçamento. Também não há espaço para as que ficaram para a próxima gestão, como a universalização do Pé-de-Meia no ensino médio e uma nova modalidade para o ensino superior.

Em 2022, Lula ganhou o direito a voltar ao poder com um País dividido. Não entendeu o recado. O 8 de Janeiro produziu ainda mais divisão e o presidente imaginou que o discurso de defesa da democracia seria suficiente para garantir uma virada na opinião pública a seu favor. Isso não aconteceu e o presidente quase perdeu a reeleição. O recado agora se repete no momento em que o presidente precisa definir o futuro de seu campo.

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Opinião por Ricardo Corrêa

Editor/Coordenador de política em São Paulo no Estadão e comentarista na rádio Eldorado. É jornalista com mais de duas décadas de experiência, formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora e bacharel em Direito pela Escola Superior Dom Hélder Câmara. Escreve às quintas ou quando o noticiário assim exigir.