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O que está por trás das decisões que movem o País

O que está por trás das decisões que movem o País

Reaproximação entre Michelle e Flávio Bolsonaro é calculada e, por enquanto, virtual

É pouco provável que ex-primeira-dama se engaje na campanha do senador. E ela tem a desculpa perfeita: precisa cuidar da sua campanha ao Senado e do marido preso e doente

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Foto do autor Raquel Landim
Atualização:

A reaproximação entre o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é cuidadosamente calculada e negociada e, por enquanto, apenas virtual. Os dois ainda não se falaram a não ser por assessores e por meio de vídeos de redes sociais.

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Foi assim que vieram o pedido de desculpas de Flávio e o aceite de Michelle. Ao Flow Podcast, um pouco antes da reconciliação pública, Flávio havia admitido que não mantinha mais relação familiar com a madrasta.

A esposa de Jair Bolsonaro também mediu as palavras na convenção do PL no sábado, que confirmou Flávio como candidato. No vídeo de 4 minutos, ela é protocolar. Menciona Flávio apenas uma vez, não pede voto e gasta a maior parte do tempo fazendo propaganda do seu próprio trabalho no PL Mulher.

Michelle Bolsonaro publicou dois vídeos que juntos somam quase 30 minutos Foto: @michellebolsonaro via Instagram

Foi, portanto, uma reaproximação para estancar danos de ambos os lados. Daí a intensa pressão dos articuladores, particularmente do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, do coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF).

Dados da pesquisa Meio Ideia mostram que Flávio perdeu votos entre os homens após o escândalo do banco Master, mas já os recuperou. As acusações de Michelle de que se sentiu “humilhada” pelo enteado fez com mulheres deixassem de apoiá-lo – elas não migraram para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não retornaram para Flávio.

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A imagem de Michelle também saiu chamuscada no bolsonarismo. Segundo levantamento da Paraná Pesquisas de julho deste ano, Michelle aparece como a segunda na preferência do eleitor do DF para senadora com 36% das intenções de voto, atrás de Leila do Volei (PDT-DF) com 39,2% e a frente de Erika Kokay (PT-DF) com 28,4%.

Na pesquisa de outubro do ano passado, Michele aparecia na liderança com 34,1%, seguida por Ibaneis Rocha (MDB-DF) com 30,2% e depois por Leila do Volei com 23,2%. O ex-governador desistiu da corrida. Neste pleito, os eleitores vão escolher dois senadores por unidade da federação.

Os articuladores da reconciliação esperam que Michelle e Flávio se encontrem presencialmente na convenção do PL do DF, que confirma a candidatura da ex-primeira-dama ao Senado. Flávio ainda não confirmou presença, nem a própria Michelle. Mas seria a primeira reunião entre ambos no mundo real.

Ainda assim, é pouco provável que Michelle se engaje para valer na campanha de Flávio, muito menos que viaje o País. Ela tem a desculpa perfeita para permanecer em Brasília: cuidar da sua campanha ao Senado e do marido preso e doente.

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Opinião por Raquel Landim

Raquel Landim é colunista do Estadão e âncora do SBT News. Jornalista formada pela USP, já passou também pelas redações de Valor Econômico, Folha de S.Paulo e CNN Brasil. É autora de 'Why Not', livro reportagem sobre a delação da JBS.