Dez hábitos que podem te ajudar a viver mais e melhor
Crédito: Amanda Botelho/Estadão
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Parece que, em todo lugar que você olha, celebridades e influenciadores estão elogiando os peptídeos. Peptídeos podem dar a você uma pele mais jovem e mais iluminada; ajudar a construir músculos maiores; permitir viver mais tempo e se recuperar mais rápido.
Ótimo. Só uma pergunta: o que exatamente é um peptídeo?
Quimicamente falando, peptídeos são simplesmente cadeias curtas de aminoácidos que desempenham papéis úteis em nossas células, como regular hormônios ou reduzir inflamação. Nossos corpos produzem naturalmente milhares de peptídeos; milhares mais são produzidos sinteticamente em laboratórios.
Creatina é um peptídeo; assim como medicamentos como o Ozempic. Hormônios como insulina e ocitocina também são peptídeos.
Mas quando influenciadores online falam sobre terapia com peptídeos, geralmente se referem a uma vasta constelação de produtos emergentes ou experimentais, muitas vezes ligados a cuidados com a pele, condicionamento físico ou biohacking. Eles podem ser engolidos, injetados ou aplicados na pele.
Embora alguns desses tratamentos sejam razoavelmente seguros e tenham sido estudados pela Food and Drug Administration (FDA, agência similar à Anvisa), outros podem ser perigosos. Por exemplo, o peptídeo “Barbie” costuma ser promovido por influenciadores e clínicas online como uma forma mais saudável de bronzear sem sol — apesar de a FDA ter alertado sobre “riscos sérios à segurança”, e pesquisas sugerirem que ele está ligado a maior chance de câncer.
Apesar de ser impossível listar todos os benefícios e riscos potenciais de cada peptídeo, há algumas coisas importantes a saber sobre os usos mais comuns.

Cuidados com a pele
Nos últimos dois anos, o interesse por peptídeos para cuidados com a pele disparou. A gigante de cosméticos Sephora agora oferece centenas de produtos tópicos com peptídeos que prometem estimular colágeno na pele, aumentar os lábios e reduzir o inchaço dos olhos.
Mas esses produtos são eficazes? Pode haver “algum benefício” na terapia com peptídeos para cuidados com a pele, diz Adam Friedman, professor e chefe de dermatologia da Universidade George Washington. “Eles não são uma farsa.” Mas também não devem ser sua única solução de cuidados com a pele, ele acrescenta.
Existem dezenas de peptídeos naturais em nosso corpo que promovem a produção de colágeno e regeneram células da pele — o que mantém a pele com aparência saudável. Peptídeos como palmitoil pentapeptídeo (registrado como Matrixyl em muitos cremes populares) sinalizam para a pele criar mais colágeno e elastina. Outros, como o GHK-Cu, entregam cobre à pele, o que ajuda na regeneração. Há até um peptídeo que age como o Botox — ajudando a relaxar os músculos faciais para suavizar rugas.
Embora limitada, alguma pesquisa sugere que séruns e óleos tópicos com esses compostos podem ajudar a melhorar a aparência da pele. Historicamente, a dificuldade tem sido fazer esses peptídeos penetrarem na pele e se manterem estáveis.
“Se você pensar sobre o que é um peptídeo, quão incrivelmente frágil isso deve ser”, comenta Friedman, descrevendo sua delicada estrutura química. A camada externa da nossa pele atua como uma barreira extremamente eficaz, bloqueando germes, toxinas e também peptídeos.
Mas novos cremes tópicos conseguem transportar peptídeos para dentro do corpo usando ferramentas químicas avançadas, como nanoemulsões e lipossomos. (Outra opção popular em Hollywood são os peptídeos injetáveis, mas Friedman disse que ainda não há evidências suficientes de que eles sejam “seguros e eficazes” para humanos.)
Não há uma maneira confiável de saber se os produtos realmente usam essas tecnologias, afirma Friedman, ou o quão bem elas funcionam. Se você está determinado a experimentar um creme com peptídeos, então “opte por marcas bem estabelecidas”, ele acrescenta, já que elas são mais propensas a investir em desenvolvimento e testes.
Embora mais pesquisas sejam necessárias, dermatologistas geralmente concordam que há poucos riscos em tentar produtos tópicos, mas recomendam interromper imediatamente se ocorrer alguma reação.
Mesmo com os produtos mais eficazes, especialistas dizem para manter expectativas modestas. “Pense nos peptídeos como coadjuvantes e não ingredientes principais”, orienta Friedman. As melhores ferramentas antienvelhecimento ainda são protetor solar, hidratantes e retinoides (para quem os tolera), ele acrescenta.
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Ganho de massa muscular
Outro grupo popular de peptídeos estimula o cérebro a aumentar o nível do hormônio do crescimento humano (HGH).
A lei federal proíbe que o HGH sintético seja prescrito para qualquer razão que não seja aprovada pela FDA, principalmente para tratar pessoas com níveis deficientes, embora ele seja amplamente usado ilegalmente como substância para melhorar desempenho.
Dadas as restrições legais ao HGH, algumas clínicas passaram a prescrever peptídeos como tesamorelina e, mais comumente, sermorelina, como injeção ou pílula para ajudar a estimular o corpo a produzir mais HGH.
Esses peptídeos são legais para prescrição off-label porque fizeram parte de medicamentos previamente aprovados pela FDA. Além disso, ao contrário do HGH, nenhuma lei federal limita seu uso mais amplo. Isso os torna “uma das únicas maneiras de aumentar legalmente o hormônio de crescimento” em adultos saudáveis, comenta Tenille Davis, porta-voz da Alliance for Pharmacy Compounding.
Independentemente do método para aumentar o HGH, não está claro o quanto níveis mais altos realmente melhoram força ou aumentam massa muscular em adultos saudáveis. Alguns pequenos estudos encontraram aumentos modestos de massa magra em homens mais velhos que tomaram esses tipos de peptídeos liberadores de hormônio do crescimento, mas isso não trouxe melhora de força ou recuperação.
Níveis elevados do hormônio podem trazer riscos sérios. Pesquisas associaram níveis persistentemente altos a diabetes, certos tipos de câncer e acromegalia, uma condição que faz com que os ossos de mãos, pés e face aumentem com o tempo.
Embora a sermorelina seja frequentemente promovida como uma forma mais segura e natural de aumentar o HGH, ela carrega os mesmos riscos a longo prazo, alerta Shlomo Melmed, endocrinologista e especialista em distúrbios da hipófise no Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles. A sermorelina é, essencialmente, “um substituto do tratamento com hormônio do crescimento”, ele adiciona. Sermorelina, tesamorelina e HGH sintético são todos proibidos pela maioria das principais organizações esportivas.
Clínicas que prescrevem esses medicamentos afirmam, por sua vez, que usam triagem e monitoramento rigorosos para gerenciar efeitos colaterais — e “ciclam” a terapia para mitigar os riscos do uso prolongado.
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Biohacking e longevidade
Em um episódio recente de seu podcast, Joe Rogan disse a seus milhões de seguidores que um peptídeo apelidado de “injeção Wolverine” curou sua tendinite crônica no cotovelo depois de apenas duas semanas. O influenciador fitness Ryan Humiston, que testa “todo peptídeo que conseguir colocar as mãos”, disse a seus milhões de seguidores que o peptídeo pinealon melhorou sua apneia do sono.
Biohackers dedicados — uma comunidade crescente de autoexperimentadores em busca de maneiras de otimizar saúde e longevidade — apontam estudos extremamente preliminares que sugerem que injetar peptídeos como epitalon pode estender a vida, melanotan II pode aumentar a libido e semax ou selank podem melhorar a cognição.
Mas grande parte dessa pesquisa ainda é conduzida em culturas de células e nem sequer avançou para testes em animais. Nenhum desses peptídeos cumpriu os critérios da FDA para aprovação de uso humano (ou mesmo veterinário).
E como esses compostos são considerados “grau de pesquisa” e destinados apenas a trabalhos de laboratório, os reguladores não exigem as mesmas medidas de qualidade usadas em medicamentos aprovados. Não há como avaliar sua estabilidade, potência ou até mesmo ingredientes, informa Friedman.
Ainda assim, esses medicamentos experimentais são surpreendentemente fáceis de obter — mesmo com riscos conhecidos.
O peptídeo da injeção Wolverine, chamado BPC-157, pode causar dor e inchaço, mas outros peptídeos experimentais estão ligados a problemas mais graves. O TB-500, uma versão sintética de outro peptídeo promovido como ferramenta de cicatrização e recuperação, não passou por nenhum teste em humanos, e níveis elevados desse peptídeo foram associados ao crescimento de tumores.
O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy, expressou apoio à desregulamentação de alguns desses peptídeos de grau de pesquisa, facilitando o estudo deles em seres humanos.
No entanto, a crescente popularidade desses medicamentos mostra que muitas pessoas irão experimentá-los muito antes de a ciência confirmar se eles funcionam ou são seguros.
Melmed orienta qualquer pessoa que esteja pensando em fazer isso a ser “cautelosa com quaisquer promessas” de que um peptídeo específico ajudará alguém a “viver mais ou ter uma vida mais saudável”.
Para os “curiosos sobre peptídeos”, Friedman sugere ter em mente qual é seu objetivo final — seja uma pele mais firme, músculos mais fortes ou uma vida mais longa. “Aí você pode perguntar: existem abordagens terapêuticas comprovadas e reguladas para isso? Muitas vezes a resposta é sim, e pode ou não envolver peptídeos.”
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