O que uma escola deve oferecer para proteger a saúde do seu filho

Para além do projeto pedagógico, é importante avaliar aspectos como o estímulo à atividade física e o acolhimento

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Foto do autor Isabela Moya
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Na hora de escolher uma escola para os filhos, são diversos os fatores a serem considerados. Inicialmente, pesam os critérios educacionais: desde o projeto político-pedagógico até o tamanho da turma, a forma como são feitas as avaliações e a valorização dos professores. Mas também é preciso levar em conta aspectos que impactam a saúde e o bem-estar dos estudantes, destacam os especialistas.

Diversidade de atividades disponíveis na escola ajuda a combater o sedentarismo. Foto: Lightfield Studios/Adobe Stock

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Fatores como a variedade de esportes e atividades extracurriculares, o cardápio do refeitório e da cantina, a presença de psicólogo e um programa de combate ao bullying podem ter grande impacto na saúde física e mental das crianças e adolescentes, que, muitas vezes, passam oito horas ou mais na escola.

Mas não dá para colocar tudo “na conta” da escola, lembram os profissionais. A família tem responsabilidades. “Vivemos um momento de falta de tempo, mas se a família não participar da vida escolar, como é que a escola vai poder passar os recados só através da criança?”, questiona o pediatra Abelardo Bastos Pinto Júnior, presidente do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Atividade física

No cuidado com a saúde física, a frequência de aulas de Educação Física e de esportes extracurriculares é um ponto importante a se observar, diz o pediatra. Entre os mais novos, também deve haver estímulo a brincadeiras livres.

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Além de combater o sedentarismo, “o esporte tem relação com o respeito, com a resiliência e a competitividade saudável”, explica. Ele ensina a criança a aceitar as derrotas, a reconhecer o seu limite e a tentar melhorar naquilo de que gosta. As atividades também criam novos hobbies fora das telas.

“O ideal seria que, dentro da grade escolar, todos os dias houvesse atividades”, acrescenta o médico.

Essa é uma realidade distante da maioria das escolas, mas quanto maior a frequência, melhor, ele diz. Para isso, é preciso que haja disponibilidade de atividades para além da Educação Física e dos esportes, como dança, teatro e música, para que mais crianças e adolescentes se identifiquem e ocorra a adesão.

Infraestrutura

O espaço físico também tem impacto no bem-estar dos estudantes. Além de boa infraestrutura das salas de aula e das quadras esportivas, vale verificar a iluminação natural, a ventilação, o controle de ruído e o acesso a áreas verdes.

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A segurança é outro ponto importante: portões com controle de entrada e saída, identificação de visitantes, câmeras e supervisão em áreas comuns, equipamentos adequados à faixa etária e existência de planos de evacuação são alguns exemplos.

Alimentação

O cardápio da lanchonete e do refeitório tem impacto direto na saúde dos alunos. É importante que ele seja balanceado, com opções saudáveis, alerta a nutricionista Mariana Del Bosco, integrante do Departamento de Obesidade Infantil da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

As opções de almoço e lanches devem conter alimentos saudáveis e evitar ultraprocessados.  Foto: Marcelo Chello/Prefeitura Municipal de São Paulo

Além da disponibilidade de alimentos saudáveis, é preciso que esses espaços restrinjam os ultraprocessados, já que as crianças e adolescentes podem não conseguir tomar as melhores decisões alimentares diante de opções muito palatáveis.

“O ultraprocessado tem um perigo enorme porque ele atrai pelo sabor, por um processo que faz com que a criança fique repetindo várias vezes aquele alimento nocivo”, explica o pediatra.

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“Obviamente, as crianças e adolescentes não vão saber fazer as melhores escolhas para a saúde — muitas vezes nem os adultos sabem. Por isso temos essa ideia de que é sempre uma responsabilidade compartilhada (entre escola, família e poder público)", diz Mariana.

O adolescente é imediatista, ele quer comer aquilo que todo mundo come. A criança também quer comer aquilo que é gostoso, então é preciso um ambiente favorável.

Mariana Del Bosco, nutricionista

Isso não significa que o estudante nunca poderá consumir alimentos considerados não saudáveis, pondera a nutricionista, “mas, se a escola não for a promotora dessa alimentação inadequada, a família pode definir os momentos em que essas indulgências vão aparecer na rotina da criança, como numa festa de aniversário, numa viagem, de fim de semana, num piquenique”.

Mariana destaca o cuidado com os lanches. São refeições negligenciadas e, frequentemente, momentos em que as crianças e adolescentes optam por alimentos com grande aporte energético, maior até do que se preconiza para um almoço ou jantar.

“A criança come muitas calorias vazias, acaba aportando poucos nutrientes e pode chegar sem fome para a refeição principal, que seria um momento de aportar nutrientes importantes para o crescimento e o desenvolvimento”, explica.

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Para evitar essas situações, algumas escolas particulares de São Paulo disponibilizam aplicativos em que os pais podem bloquear determinados alimentos vendidos nas cantinas. “Mas essa é uma realidade muito nichada”, pontua a profissional.

A educação alimentar também auxilia nesse processo. Há escolas que oferecem aulas de educação alimentar e nutricional ou de culinária na sua grade curricular, o que a profissional avalia como benéfico para os alunos.

“Se a escola é o ambiente de promoção de saúde, ela obrigatoriamente deve promover a alimentação saudável. E se a escola vai usar o seu ambiente para fazer a educação alimentar e nutricional, a cantina precisa estar alinhada com esse discurso”, afirma a nutricionista.

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Acolhimento

A saúde mental, por sua vez, deve ser observada por ângulos como acolhimento, diversidade e inclusão, participação ativa dos alunos e presença de profissionais de saúde na escola, em especial um psicólogo.

O papel exigido do psicólogo escolar não é o de fazer terapia individual com cada aluno, mas de atuar de forma preventiva, educativa e institucional, apoiando o processo de ensino-aprendizagem e o bem-estar coletivo.

É importante também que a escola tenha uma política de combate ao bullying, afirma Mary Yoko Okamoto, psicóloga e professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“As escolas têm sido frequentemente um espaço com muita violência, bullying. Então, é preciso ter uma escola preocupada com o diálogo e que promova o desenvolvimento integral dos alunos, pensando nos aspectos cognitivos, afetivos, sociais e não apenas na produção e meritocracia”, diz.

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Ela também enfatiza a importância de um ambiente escolar que seja inclusivo e diverso, com diferentes perfis de alunos.

Escola deve ter uma política clara de combate ao bullying Foto: Serhii/Adobe Stock

É imprescindível ainda que a escola seja um ambiente em que o estudante se sinta seguro e confortável para pedir ajuda quando necessário. “Muita criança que é abusada confessa na escola, e isso porque sentiu segurança”, afirma o pediatra. “Os adultos e a comunidade escolar têm que ouvir a criança.”

“A escola tem que observar os sinais — irritabilidade, isolamento social, dificuldade no aprendizado. Isso é um sinal de alerta importante”, completa, referindo-se também a agressões e bullying que ocorrem no ambiente escolar.

Os métodos de ensino também não são um componente apenas da esfera educacional, tendo impacto na saúde mental e emocional dos estudantes, diz a psicóloga. Escolas que promovem a autonomia, o aprendizado prazeroso, o pensamento crítico e a participação ativa dos alunos, e não apenas a memorização de conteúdos e a competitividade, estimulam o desenvolvimento de habilidades emocionais diversas, reforça Mary.

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