COP-30: ‘Governo brasileiro está falhando miseravelmente em oferecer hospedagem’

Márcio Astrini, do Observatório do Clima, critica falta de infraestrutura para evento, que será feito em novembro em Belém

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Foto do autor Isabela Moya
Atualização:

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A pouco mais de quatro meses da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não entregou a plataforma oficial de hospedagens prometida para o evento deste ano, que terá sede em Belém, no Pará, em novembro.

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Com isso, como o Estadão revelou, alguns países já preveem reduzir o tamanho das delegações que enviaram para a conferência na Amazônia.

“O governo está falhando miseravelmente em oferecer isso. Teve dois anos e meio e está chegando em um ponto limite”, critica o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, em sua coluna semanal na Rádio Eldorado, do Grupo Estado.

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Com oferta limitada de casas e hotéis em Belém, os preços das diárias subiram drasticamente. O preço total de locação em algumas unidades durante os 11 dias de COP pode chegar a até R$ 2,2 milhões.

Em abril, a organização da COP-30 divulgou que Belém tem capacidade de cerca de 36 mil leitos. O número leva em conta acomodação em hotéis, aluguel por temporada e navios de cruzeiro. A estimativa, porém, é de que cerca de 50 mil pessoas participem da conferência climática.

Belém, no Pará, será sede da COP30 em 2025 Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Apesar da infraestrutura ter problemas, a presidência do Brasil para o evento - ocupada pelo embaixador André Corrêa do Lago - foi muito bem vista na reuniões preparatórias para a COP realizadas em Bonn, na Alemanha, segundo Astrini.

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“A presidência do Brasil foi muito bem vista. As pessoas são muito respeitadas pelos países ao redor do mundo, gozam de credibilidade”, diz o secretário do Observatório do Clima, que já participou de outras COPs.

No encontro em Bonn, a questão do financiamento virou o principal entrave para discussões. “O problema do dinheiro surgiu forte como sempre. Esse dinheiro teria de vir dos países ricos, mas nunca veio”, critica Astrini.

“Esses países (ricos) deveriam financiar essa mudança no perfil da economia na emissão de poluentes e isso não aconteceu”, acrescenta.

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Por outro lado, a reunião em Bonn teve andamento em três áreas, segundo ele:

  • transição justa, que trata de como será feita a transição energética no mundo inteiro sem que aumente desemprego e desigualdades sociais;
  • adaptação, sobre como os problemas climáticos já existentes;
  • e o balanço climático global, principal ferramenta que os países usam para aumentar seus compromissos.

Nos próximos meses, os países devem entregar suas metas voluntárias de cortes de emissões de gases de efeito estufa, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês). O Brasil está entre os países que já entregaram o documento.

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“Isso deveria ter sido feito até fevereiro, mas só 15% (das nações) entregaram as promessas. Já estão bem atrasados nas entregas. Elas devem ser feitas até agosto - setembro, no máximo”, completa Astrini.

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