Quais são os núcleos urbanos mais arborizados do Estado de São Paulo? A resposta surpreende. Não são aqueles pequenos e afastados das metrópoles, mas cidades médias e grandes.
Isso é o que mostra o levantamento do Índice de Progresso Social (IPS) de 2025, desenvolvido por uma parceria entre as organizações Imazon, Fundação Avina, iniciativa Amazônia 2030, Anattá, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative.
O top 10 de São Paulo tem Valinhos, Franco da Rocha, Itaquaquecetuba, Hortolândia, Casa Branca, Presidente Epitácio, Arujá, Jundiaí, São José dos Campos e Vinhedo, onde as porções verdes nos núcleos das cidades vão de 27% a 16%.
A capital paulista aparece na posição de número 141, com porcentagem de arborização de 6,3%, conforme o levantamento IPS.

“Uma densa cobertura verde reduz a temperatura média das cidades, aumenta a umidade do ar, previne as ilhas de calor e os eventos climáticos extremos como os que temos visto em São Paulo no verão, isso sem falar em segurança climática”, afirmou o botânico Ricardo Cardim. “Existem outros benefícios ecossistêmicos como redução do barulho, retenção de poeira e filtragem de gases tóxicos; além disso espécies nativas trazem a fauna de volta à cidade, promovendo o equilíbrio ecológico ao combater pragas urbanas que transmitem doenças como cupins, baratas, mosquitos, escorpiões e ratos, frutos do desequilíbrio ecológico. Ou seja, a arborização das cidades é um fator de saúde pública, física e psicológica.”
Segundo os dados, 92,7% dos domicílios de Valinhos têm árvores em seu entorno. Para garantir a conservação ambiental, a Secretaria do Verde e da Agricultura do município só autoriza a remoção de árvores após análise técnica e com a devida compensação. Além disso, há um programa de plantio de espécies da Mata Atlântica.
“Valinhos é hoje uma cidade preocupada com o meio ambiente e seus impactos, principalmente na qualidade de vida da população”, diz o secretário do Verde e da Agricultura, André Reis.

Franco da Rocha e Itaquaquecetuba também têm programas de plantio de árvores. No caso de Franco da Rocha, o objetivo é “aumentar a cobertura vegetal e melhorar a qualidade de vida dos moradores”. Em Itaquaquecetuba, o programa Cidade+Verde incentiva o plantio de árvores nativas em áreas urbanas.
Embora apresentem núcleos urbanos muito arborizados, alguns desses municípios, caso de Franco da Rocha e Jundiaí, por exemplo, também são áreas consideradas vulneráveis às mudanças climáticas e sujeitas a deslizamento de encostas.
Parece contraditório, mas não é. O centro pode ser arborizado, mas áreas periféricas, mais vulneráveis, não ter vegetação suficiente.

Os dados usados pelo IPS na construção do índice são do Imazon e do MapBiomas. Neste caso específico, segundo os pesquisadores, há pouca margem para erro, uma vez que as áreas verdes urbanas são registradas via imagens de satélite.
Os últimos dez municípios no ranking das áreas verdes são Pracinha, Santana da Ponte Pensa, Santa Rita d’Oeste, Santa Salete, Santo Expedito, São João de Iracema, São João do Pau d’Alho, Taquaral, Turiúba, Turmalina e União Paulista (municípios pequenos, com pouco mais de 1 mil habitantes).
A presença de áreas verdes em núcleos urbanos é crucial para o bem-estar da população. A vegetação torna o ar menos poluído, baixa a temperatura média das cidades (importante sobretudo durante as ondas de calor) e é crucial para prevenir desastres ambientais, como enxurradas.
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O Índice de Progresso Social (IPS) de 2025 do Brasil, divulgado na semana passada, é de 61,96 (numa escala de 0 a 100) – um pouco abaixo do registrado no ano passado, de 62,51. O índice avalia a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais divididos em três dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades.
A escolha dos 57 indicadores usados no cálculo obedece a critérios como relevância social ou ambiental. A edição deste ano traz uma atualização importante: foram incluídos cinco novos indicadores: consumo de alimentos ultraprocessados, resposta ao benefício previdenciário, resposta a processos familiares, índice de vulnerabilidade das famílias e famílias em situação de rua.
Cada dado passa por uma modelagem estatística detalhada que inclui normalização, verificação de qualidade, definição de valores de referência e aplicação de pesos. O resultado final é um índice que varia de zero (pior cenário) a 100 (melhor cenário), refletindo a média simples dos desempenhos nas três dimensões de progresso social.
“O IPS permite visualizar desigualdades que não são explicadas apenas por indicadores econômicos”, afirma uma das coordenadoras do IPS Brasil, Melissa Wilm. “Municípios com PIBs semelhantes apresentam, muitas vezes, desempenhos muito distintos no índice, o que reforça a importância de políticas públicas voltadas ao bem-estar social de forma integrada.”
E ainda: “Com o IPS, é possível identificar onde as políticas públicas estão funcionando e onde é necessário intervir com mais urgência. Ele transforma dados complexos em um retrato claro e comparável entre municípios e Estados”.





