Alunos da rede pública são 35% dos inscritos no vestibular das estaduais

Para garantir uma inclusão com mérito em seu programa de cotas, as universidades estaduais de São Paulo terão de ampliar o número de inscritos no vestibular oriundos da escola pública. Em média, os candidatos dos vestibulares da USP, Unicamp e Unesp saídos da rede pública representam 35% do total - exatamente a meta de cota para 2014. Atrair mais inscrições da rede pública sempre foi um desafio das instituições.

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2012 | 02h02

O Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp), anunciado anteontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e por reitores das universidades, prevê alcançar o preenchimento de 50% das vagas por alunos da rede pública em 2016. A política deve começar em 2014, com 35%, evoluindo para 43% no ano seguinte.

O projeto, que deve ser levado para a aprovação dos conselhos universitários, prevê a criação de um colégio comunitário de dois anos, com seleção pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cerca de 40% das vagas das cotas serão preenchidas por esse curso e 60% pelo vestibular tradicional, com a manutenção das bonificações específicas de cada universidade.

Na USP, maior universidade do País, dos 146.892 inscritos para o vestibular de 2012, só 33,4% cursaram o ensino médio em escola pública.

Para a pró-reitora de Graduação da USP, Telma Zorn, a procura maior de alunos de escola pública pelo vestibular da Fuvest é decisiva para que haja mais inclusão. "Temos um problema crônico do afastamento desse aluno do vestibular. Muitas vezes é desconhecimento completo ou a ideia de que é impossível entrar. Temos de mostrar que é possível."

O vestibular com maior proporção de inscritos de escola pública é o da Unesp, com 43% (38.920 estudantes). Não por acaso é a estadual paulista com o maior porcentual de alunos da rede pública matriculado. No último processo seletivo foram 41%.

Na Unicamp, 28,2% dos inscritos no vestibular de 2012 eram de escola pública: 16.054 de um total de 56.856 inscritos. Apesar de ser o menor índice, a Unicamp conseguiu matricular a maior proporção: 32%.

A participação de alunos de escola pública não se repete, entretanto, nos cursos de ponta e mais concorridos. O Pimesp tentar acabar essa distorção, fixando cotas para cada curso.

Embaixadores. A USP, por exemplo, tem apostado em visitas a escolas para aumentar o número de inscrições da rede pública. Alunos que entraram na universidade depois de ter estudado em escola pública visitaram este ano 3.328 escolas de ensino médio para incentivar novas inscrições na Fuvest.

O programa Embaixadores da USP existe desde 2007, quando a bonificação de pontos foi instituída na universidade. O número de escolas visitadas este ano foi maior do que o acumulado dos outros cinco. O projeto de cotas prevê recrutamento nas escolas, e projetos como esses serão fundamentais.

Em 2012, foram impactados 101 mil alunos. Os próprios embaixadores realizam inscrições no Programa de Avaliação Seriada (Pasusp), que chega a dar 15% de bônus. Também são produzidos relatórios sobre o impacto das visitas.

Participaram do projeto 1.543 alunos. Professores também se envolveram - 102 docentes visitaram escolas. A USP planeja fazer com que esse trabalho valha créditos como optativa livre.

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