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Passageiros voltam a pular catrata em 'roletaço' no RJ

FELIPE WERNECK - Agência Estado

30 Janeiro 2014 | 20h 48

Mais de mil pessoas aproveitaram o "roletaço" realizado nesta quinta-feira, 30, à noite na Central do Brasil, principal estação ferroviária do Rio, e viajaram de graça para casa na volta do trabalho. Foi uma reedição do ato contra o aumento das passagens organizado pelo movimento Passe Livre do Rio na última terça-feira, 28, em que pelo menos 500 pessoas pularam as roletas da Central. Os dois foram pacíficos.

Nesta quinta, o número inicial de manifestantes era menor, cerca de 100, mas os usuários de trem voltaram a aderir em massa ao chamado: "Pula que é de graça!"

Policiais militares mais uma vez acompanharam de perto, sem interferir. O protesto começou por volta das 19 horas, após uma passeata pela avenida Presidente Vargas, e até as 20 horas não havia acabado.

O único princípio de confusão ocorreu logo no início, quando um PM tentou impedir que um manifestante pulasse a roleta, puxando sua camisa. No entanto, o major que comandava os policiais chegou em seguida e liberou o ativista. Como já havia ocorrido na terça-feira, ele disse que a PM ficaria de prontidão dentro da estação, mas só iria interferir se houvesse um pedido da concessionária Supervia, controlada pela Odebrecht.

A manifestação ocorreu um dia após o prefeito Eduardo Paes (PMDB) ter autorizado um aumento da passagem dos ônibus municipais, que vai entrar em vigor em 8 de fevereiro. Elas passarão de R$ 2,75 para R$ 3,00. A passagem dos trens custa R$ 2,90.

"Ei, Fifa, paga a minha tarifa", "Mãos para o alto, a passagem é um assalto" E "Au au au, põe na conta do Cabral", gritava em coro a multidão eufórica. Black blocs organizavam as filas de calotes e orientavam os usuários dos trens a não seguir para os guichês da concessionária: "É só parar direto, hoje trabalhador não paga". Jovens pulavam e senhoras passavam por baixo das roletas, comemorando a economia.

"Tinha que ter isso todo dia", disse o analista de sistemas Wagner dos Santos, de 28 anos, que aderiu ao protesto. Ele viaja todos os dias de casa, em Bento Ribeiro, na zona norte, para o trabalho, no centro, nos trens da Supervia. "Isso é revolta popular. A gente paga por um transporte caro e de má qualidade. Eu apoio com certeza", declarou o passageiro, lembrando o acidente ferroviário da semana passada, que interrompeu a circulação dos trens por 13 horas, deixando os cerca de 600 mil usuários do sistema sem opção - metrô e ônibus ficaram superlotados. "Quando o trem para, ninguém fala nada. A maioria não tem ar condicionado e não existe um horário regular. É uma vergonha".

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