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Polícia prende médicos envolvidos com a Máfia dos Órgãos

RENE MOREIRA, ESPECIAL PARA AE - Agência Estado

07 Fevereiro 2014 | 12h 36

Acusados de removerem órgãos e tecidos de forma irregular de pacientes, dois médicos foram presos na noite de quinta-feira, 6, em Poços de Caldas (MG). Suspeitos de pertencerem à chamada "Máfia dos Órgãos", Celso Roberto Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foram localizados em suas casas e, após passaram por exames na delegacia, seguiram para o presídio.

Eles começaram a ser julgados no ano passado pela remoção e tráfico de órgãos de Paulo Veronesi Pavesi, de 10 anos. Os pedidos de prisão partiram do juiz Narciso Alvarenga Monteiro de Castro, responsável pelo processo em que são citados. Outro médico também envolvido no caso, o anestesista Sérgio Poli Gaspar, não foi localizado e já é considerado foragido.

A operação que culminou com a prisão dos dois foi realizada em sigilo pela Polícia Militar. A informação de que já estavam no presídio foi divulgada somente na manhã desta sexta-feira, 7. O advogado dos médicos, José Arthur Kalil, alega não dispor ainda de informações sobre o motivo da prisão, mas já adiantou que ainda nesta sexta-feira entrará com a solicitação de habeas corpus visando libertar os seus clientes.

O processo todo foi marcado por muita polêmica e, no ano passado, o juiz Narciso Alvarenga voltou a presidir o caso após ser cassada uma liminar, obtida pela defesa dos médicos no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, e que previa sua substituição.

De volta à função, há cinco meses ele iniciou o julgamento sobre a morte do menino ocorrida há mais de 12 anos e que repercutiu no mundo todo.

Nas audiências de instrução e julgamento foram ouvidas perto de 30 testemunhas de defesa e acusação. Antes desse julgamento, cuja sentença deve sair em pouco tempo, quatro médicos já haviam sido condenados, em fevereiro de 2013, também pela retirada ilegal de órgãos, mas de um homem de 38 anos. Eles pegaram penas que variam de oito a onze anos e seis meses de prisão em regime fechado por homicídio doloso, compra e venda de órgãos humanos, violação de cadáver e realização de transplante irregular.

CPI

A retirada de órgãos de forma ilegal em Minas Gerais ganhou destaque no mundo todo na época em que passou a ser investigada. Vários casos foram denunciados e processos ainda tramitam na Justiça. Como resultado uma CPI (Comissão Especial de Inquérito) foi formada pelos deputados e a Santa Casa de Poços de Caldas, palco das denúncias mais graves, ficou proibida de realizar captação e transplante de órgãos.

Livro

Paulo Pavesi, de 44 anos, pai do menino que teria sido vítima dos médicos, há cinco anos foi para a Itália após receber ameaças de morte no Brasil. Hoje morando em Londres, ele acaba de lançar um livro relatando a história da suposta "Máfia dos Órgãos". A obra está à venda numa livraria eletrônica, mas também pode ser baixada gratuitamente pela internet. Nela, Pavesi relata em mais de 400 páginas sua versão de como tudo ocorreu e ainda narra as ameaças que o obrigaram a trocar o Brasil pela Europa.

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