Turquia testa secularismo tradicional nas urnas

País vota neste domingo em eleições gerais antecipadas por crise política.

BBC Brasil, BBC

22 Julho 2007 | 08h50

A população da Turquia está indo às urnas neste domingo para eleições gerais consideradas um teste crucial para sua tradição de secularismo. As eleições antecipadas foram convocadas para tentar resolver uma crise política gerada após seguidas tentativas do Parlamento de eleger um novo presidente, sem sucesso. Os partidos laicos e as poderosas Forças Armadas conseguiram impedir a eleição de um muçulmano praticante, indicado pelo partido majoritário Justiça e Desenvolvimento (AK), de orientação islâmica. A oposição e os militares recusaram a candidatura do ministro das Relações Exteriores, Abdullah Gul, alegando que o secularismo no país estava em perigo - acusação negada pelo AK. Cerca de 42 milhões de pessoas estão aptas a votar neste domingo, com 14 partidos lutando pelos 550 assentos no Parlamento. A votação começou às 7h (1h de Brasília) no leste da Turquia e uma hora mais tarde no restante do país. Segundo a correspondente da BBC em Ancara Sarah Rainsford, eleitores estão voltando antecipadamente de férias nas praias para votar. Alguns desses eleitores dizem ter feito um esforço especial para retornar e votar desta vez por acreditar que o sistema secular do país precisa ser protegido. Uma das questões em jogo nestas eleições é a proposta de reforma constitucional proposta pelo governo do premiê Recip Tayyip Erdogan. As reformas incluiriam a eleição direta para a Presidência, proposta após o Parlamento ter recusado repetidamente a eleição de Gul, seu candidato. O secularismo é considerado fundamental para a identidade turca como nação. O país foi fundado em 1923 como um Estado laico pelo general Mustafa Kemal Ataturk, no que havia sido o Império Otomano. A intenção de Ataturk era que essa nação de maioria muçulmana fosse um país moderno e secular, introduzindo reformas amplas que incluíam a emancipação das mulheres, a introdução de vestimentas ocidentais, do alfabeto latino e de um código legal baseado nos ocidentais, além da abolição das instituições islâmicas. O partido islâmico Justiça e Desenvolvimento, no poder desde 2002, afirma respeitar os princípios do secularismo previstos pela Constituição, mas os opositores acusam a agremiação de ter um suposto projeto islâmico. O atual governo promoveu uma série de reformas democráticas durante seus cinco anos no poder, mas a oposição cita as tentativas de criminalizar o adultério e de indicar um presidente do Banco Central muçulmano como sinais do suposto projeto islâmico do partido. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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