‘Se BC pisar no freio e governo no acelerador, teremos problemas’, diz Bruno Funchal


Para ex-diretor do Tesouro e CEO da Bradesco Asset, é preciso “ornar” política monetária e fiscal e melhorar a comunicação do governo

Por Karla Spotorno (Broadcast)

A economia brasileira não está em dominância fiscal e a política monetária do Banco Central vai frear a demanda e a inflação. A avaliação é do presidente da Bradesco Asset, Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro Nacional. Ele pondera, no entanto, que quanto mais incerteza o País tiver, mais risco fiscal e maior é a possibilidade de dominância fiscal.

“Mas tenho certeza que, com 10% de juros reais, a economia vai desacelerar e a inflação vai baixar. A dominância fiscal é quando a política monetária não tem mais efeito nenhum. Não é o caso agora. Basta ver as projeções do mercado”, ponderou Funchal.

Presidente da Bradesco Asset, Bruno Funchal Foto: Taba Benedicto/ Estadão
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Nas projeções da Bradesco Asset, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai encerrar 2025 em 5,7% e em 4% no ano seguinte. Para este ano, as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) são de 1,5% e da Selic de 15%, em dezembro.

A inflação de alimentos, que incitou uma discussão sobre novas medidas por parte do governo federal, é resultado de choques tanto de oferta quando de demanda, na avaliação do economista. Ele pontua que o aumento da demanda resulta do crescimento da economia com queda do desemprego, aumento da renda e da expansão fiscal com pagamento de precatórios.

“Acredito que o governo precisa ter tranquilidade e entender que tem duas ferramentas para administrar esse problema. Uma é fazer uma boa comunicação e explicar para a população o porquê dos aumentos de preços”, disse.

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A outra ferramenta, apontada por Funchal, é “ornar a política fiscal com a política monetária”. “O Banco Central tem de fazer uma política mais restritiva de juros e o governo tem de fazer uma política mais restritiva no fiscal. Porque se o Banco Central ficar pisando no freio e o governo pisando no acelerador, continua esse problema”, disse Funchal.

Efeito Trump

Para Funchal, o programa de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é inflacionário. “A mensagem principal de Trump é impor tarifa e deportação (de imigrantes ilegais). Isso é inflacionário”, disse o executivo, fazendo uma ressalva: “Mas o Trump é um cara que vê as reações de mercado”. E, por conta disso, abrandou algumas medidas, na visão de Funchal.

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Ele pontuou que, em relação ao “tarifaço”, o governante já adotou medidas mais suaves do que aquelas prometidas durante a campanha eleitoral. “E isso até já refletiu nas expectativas de inflação e nos juros. Os juros de longo prazo nos Estados Unidos já estão menores do que estavam na época da eleição”, afirmou Funchal. “Então, agora é observar e separar o que era discurso de campanha, o que era barganha comercial e política, e o que é a ação”, afirmou.

Gestão da dívida pública

Sobre a gestão da dívida pública federal, Funchal não vê muita alternativa: com juros altos, é preciso atender a atual demanda por títulos pós-fixados. “O que seria o ideal? Uma dívida prefixada em níveis não muito elevados, de um dígito de preferência, e alongada. Isso traz previsibilidade. O problema é que não tem demanda para título pré. Não adianta ‘forçar a mão’”, afirmou.

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O ex-secretário do Tesouro disse que, diante da incerteza e dos juros altos, a demanda dos agentes de mercado vai permanecer nos títulos pós-fixados. “Só faz sentido mudar o perfil da dívida para prefixado quando a taxa de juros estiver estruturalmente mais baixa e o fiscal estiver resolvido”, disse.

Estratégia interna

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Bruno afirma que, após crescer quase 40% desde 2022, a Bradesco Asset quer bater, em 2025, R$ 1 trilhão em ativos sob gestão – somando os fundos e carteiras administradas. Com projeção de Selic a 15% em dezembro, o CEO da terceira maior gestora do Brasil entende que a aversão ao risco pelo investidor deve continuar e que “2025 vai ser o ano do DI (renda fixa)”.

Apesar do mercado ruidoso com risco fiscal aqui e efeitos da era Trump globalmente, a gestora planeja continuar crescendo em crédito privado. Nos próximos meses, vai lançar uma terceira série de R$ 100 milhões do fundo high yield. Também está nos planos o lançamento de um fundo quantitativo quando as condições de mercado permitirem, segundo Funchal, que está prestes a completar três anos como CEO da Bradesco Asset.

Outra frente importante de captação está do lado de fora do banco. Uma das metas ainda para este ano é aumentar em mais de 60% o valor total dos ativos sob gestão vindo das plataformas de investimento. Hoje, cerca de R$ 6 bilhões desse total são de clientes de outras instituições. A ideia, segundo Funchal, é que esse número encerre 2025 em R$ 10 bilhões.

A economia brasileira não está em dominância fiscal e a política monetária do Banco Central vai frear a demanda e a inflação. A avaliação é do presidente da Bradesco Asset, Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro Nacional. Ele pondera, no entanto, que quanto mais incerteza o País tiver, mais risco fiscal e maior é a possibilidade de dominância fiscal.

“Mas tenho certeza que, com 10% de juros reais, a economia vai desacelerar e a inflação vai baixar. A dominância fiscal é quando a política monetária não tem mais efeito nenhum. Não é o caso agora. Basta ver as projeções do mercado”, ponderou Funchal.

Presidente da Bradesco Asset, Bruno Funchal Foto: Taba Benedicto/ Estadão

Nas projeções da Bradesco Asset, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai encerrar 2025 em 5,7% e em 4% no ano seguinte. Para este ano, as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) são de 1,5% e da Selic de 15%, em dezembro.

A inflação de alimentos, que incitou uma discussão sobre novas medidas por parte do governo federal, é resultado de choques tanto de oferta quando de demanda, na avaliação do economista. Ele pontua que o aumento da demanda resulta do crescimento da economia com queda do desemprego, aumento da renda e da expansão fiscal com pagamento de precatórios.

“Acredito que o governo precisa ter tranquilidade e entender que tem duas ferramentas para administrar esse problema. Uma é fazer uma boa comunicação e explicar para a população o porquê dos aumentos de preços”, disse.

A outra ferramenta, apontada por Funchal, é “ornar a política fiscal com a política monetária”. “O Banco Central tem de fazer uma política mais restritiva de juros e o governo tem de fazer uma política mais restritiva no fiscal. Porque se o Banco Central ficar pisando no freio e o governo pisando no acelerador, continua esse problema”, disse Funchal.

Efeito Trump

Para Funchal, o programa de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é inflacionário. “A mensagem principal de Trump é impor tarifa e deportação (de imigrantes ilegais). Isso é inflacionário”, disse o executivo, fazendo uma ressalva: “Mas o Trump é um cara que vê as reações de mercado”. E, por conta disso, abrandou algumas medidas, na visão de Funchal.

Ele pontuou que, em relação ao “tarifaço”, o governante já adotou medidas mais suaves do que aquelas prometidas durante a campanha eleitoral. “E isso até já refletiu nas expectativas de inflação e nos juros. Os juros de longo prazo nos Estados Unidos já estão menores do que estavam na época da eleição”, afirmou Funchal. “Então, agora é observar e separar o que era discurso de campanha, o que era barganha comercial e política, e o que é a ação”, afirmou.

Gestão da dívida pública

Sobre a gestão da dívida pública federal, Funchal não vê muita alternativa: com juros altos, é preciso atender a atual demanda por títulos pós-fixados. “O que seria o ideal? Uma dívida prefixada em níveis não muito elevados, de um dígito de preferência, e alongada. Isso traz previsibilidade. O problema é que não tem demanda para título pré. Não adianta ‘forçar a mão’”, afirmou.

O ex-secretário do Tesouro disse que, diante da incerteza e dos juros altos, a demanda dos agentes de mercado vai permanecer nos títulos pós-fixados. “Só faz sentido mudar o perfil da dívida para prefixado quando a taxa de juros estiver estruturalmente mais baixa e o fiscal estiver resolvido”, disse.

Estratégia interna

Bruno afirma que, após crescer quase 40% desde 2022, a Bradesco Asset quer bater, em 2025, R$ 1 trilhão em ativos sob gestão – somando os fundos e carteiras administradas. Com projeção de Selic a 15% em dezembro, o CEO da terceira maior gestora do Brasil entende que a aversão ao risco pelo investidor deve continuar e que “2025 vai ser o ano do DI (renda fixa)”.

Apesar do mercado ruidoso com risco fiscal aqui e efeitos da era Trump globalmente, a gestora planeja continuar crescendo em crédito privado. Nos próximos meses, vai lançar uma terceira série de R$ 100 milhões do fundo high yield. Também está nos planos o lançamento de um fundo quantitativo quando as condições de mercado permitirem, segundo Funchal, que está prestes a completar três anos como CEO da Bradesco Asset.

Outra frente importante de captação está do lado de fora do banco. Uma das metas ainda para este ano é aumentar em mais de 60% o valor total dos ativos sob gestão vindo das plataformas de investimento. Hoje, cerca de R$ 6 bilhões desse total são de clientes de outras instituições. A ideia, segundo Funchal, é que esse número encerre 2025 em R$ 10 bilhões.

A economia brasileira não está em dominância fiscal e a política monetária do Banco Central vai frear a demanda e a inflação. A avaliação é do presidente da Bradesco Asset, Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro Nacional. Ele pondera, no entanto, que quanto mais incerteza o País tiver, mais risco fiscal e maior é a possibilidade de dominância fiscal.

“Mas tenho certeza que, com 10% de juros reais, a economia vai desacelerar e a inflação vai baixar. A dominância fiscal é quando a política monetária não tem mais efeito nenhum. Não é o caso agora. Basta ver as projeções do mercado”, ponderou Funchal.

Presidente da Bradesco Asset, Bruno Funchal Foto: Taba Benedicto/ Estadão

Nas projeções da Bradesco Asset, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai encerrar 2025 em 5,7% e em 4% no ano seguinte. Para este ano, as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) são de 1,5% e da Selic de 15%, em dezembro.

A inflação de alimentos, que incitou uma discussão sobre novas medidas por parte do governo federal, é resultado de choques tanto de oferta quando de demanda, na avaliação do economista. Ele pontua que o aumento da demanda resulta do crescimento da economia com queda do desemprego, aumento da renda e da expansão fiscal com pagamento de precatórios.

“Acredito que o governo precisa ter tranquilidade e entender que tem duas ferramentas para administrar esse problema. Uma é fazer uma boa comunicação e explicar para a população o porquê dos aumentos de preços”, disse.

A outra ferramenta, apontada por Funchal, é “ornar a política fiscal com a política monetária”. “O Banco Central tem de fazer uma política mais restritiva de juros e o governo tem de fazer uma política mais restritiva no fiscal. Porque se o Banco Central ficar pisando no freio e o governo pisando no acelerador, continua esse problema”, disse Funchal.

Efeito Trump

Para Funchal, o programa de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é inflacionário. “A mensagem principal de Trump é impor tarifa e deportação (de imigrantes ilegais). Isso é inflacionário”, disse o executivo, fazendo uma ressalva: “Mas o Trump é um cara que vê as reações de mercado”. E, por conta disso, abrandou algumas medidas, na visão de Funchal.

Ele pontuou que, em relação ao “tarifaço”, o governante já adotou medidas mais suaves do que aquelas prometidas durante a campanha eleitoral. “E isso até já refletiu nas expectativas de inflação e nos juros. Os juros de longo prazo nos Estados Unidos já estão menores do que estavam na época da eleição”, afirmou Funchal. “Então, agora é observar e separar o que era discurso de campanha, o que era barganha comercial e política, e o que é a ação”, afirmou.

Gestão da dívida pública

Sobre a gestão da dívida pública federal, Funchal não vê muita alternativa: com juros altos, é preciso atender a atual demanda por títulos pós-fixados. “O que seria o ideal? Uma dívida prefixada em níveis não muito elevados, de um dígito de preferência, e alongada. Isso traz previsibilidade. O problema é que não tem demanda para título pré. Não adianta ‘forçar a mão’”, afirmou.

O ex-secretário do Tesouro disse que, diante da incerteza e dos juros altos, a demanda dos agentes de mercado vai permanecer nos títulos pós-fixados. “Só faz sentido mudar o perfil da dívida para prefixado quando a taxa de juros estiver estruturalmente mais baixa e o fiscal estiver resolvido”, disse.

Estratégia interna

Bruno afirma que, após crescer quase 40% desde 2022, a Bradesco Asset quer bater, em 2025, R$ 1 trilhão em ativos sob gestão – somando os fundos e carteiras administradas. Com projeção de Selic a 15% em dezembro, o CEO da terceira maior gestora do Brasil entende que a aversão ao risco pelo investidor deve continuar e que “2025 vai ser o ano do DI (renda fixa)”.

Apesar do mercado ruidoso com risco fiscal aqui e efeitos da era Trump globalmente, a gestora planeja continuar crescendo em crédito privado. Nos próximos meses, vai lançar uma terceira série de R$ 100 milhões do fundo high yield. Também está nos planos o lançamento de um fundo quantitativo quando as condições de mercado permitirem, segundo Funchal, que está prestes a completar três anos como CEO da Bradesco Asset.

Outra frente importante de captação está do lado de fora do banco. Uma das metas ainda para este ano é aumentar em mais de 60% o valor total dos ativos sob gestão vindo das plataformas de investimento. Hoje, cerca de R$ 6 bilhões desse total são de clientes de outras instituições. A ideia, segundo Funchal, é que esse número encerre 2025 em R$ 10 bilhões.

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