Colégios particulares de SP retomam aulas presenciais com 'triatlo' de segurança e alívio


Prefeitura autorizou retorno de estudantes da educação infantil ao ensino médio após dez meses de ensino remoto por causa da pandemia

Por Julia Marques e João Ker

Colégios particulares na capital paulista iniciaram nesta segunda-feira, 1.º, o ano letivo de 2021 com aulas presenciais. O retorno para todas as etapas de ensino nas unidades privadas ocorre dez meses após o fechamento das escolas para conter a disseminação do coronavírus e em meio à segunda onda da covid-19. Pais relatam alívio pela volta, cercada de protocolos sanitários. Na porta das escolas, expressões de apreensão, medo e alegria sob as máscaras marcam o retorno. Na rede municipal, a volta às aulas está prevista para 15 de fevereiro e, na rede estadual, para 8 deste mês. 

Por volta das 7 horas, alunos do 6.° e 8.° ano do fundamental e do 1° ano do ensino médio faziam fila na porta do Colégio Rio Branco, em Higienópolis, para entrar na escola. Do portão, os pais acompanhavam, curiosos, o cumprimento dos protocolos e até quem passava pela rua parava para observar a volta à escola, em meio à pandemia.

Os pais José e Daniele de despedem deFilipe Maciel, de 11 anos, na porta da escola Foto: Tiago Queiroz/Estadão
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Antes de ir para as salas, os alunos do Rio Branco precisam passar por termômetros automáticos. Funcionários orientavam a medição de temperatura, enquanto seguranças mascarados e com face shields garantiam que não houvesse aglomerações. Já dentro da unidade, uma orientadora indicava a cada um dos alunos para quais classes deveriam se dirigir. 

No Rio Branco, 85% das famílias optaram pelo retorno presencial. Como o colégio só pode receber 35% da capacidade, há rodízio entre as séries para frequentar a escola. Pai de um menino de 11 anos, o servidor público Marcos Machado, de 44, acompanhava nesta manhã a entrada do filho na escola. "Estamos com medo, mas acabamos fazendo essa concessão", disse Machado.

No ano passado, o filho só foi à escola duas vezes depois de março, para atividades de acolhimento. Agora, com as aulas regulares, a família pretende deixar a criança mais afastada dos avós. Emocionada na porta, a gerente comercial Marciana Fogolari, de 52 anos, deixou os filhos Maria Eduarda, de 11 anos, e Luiz Henrique, de 15, no colégio. Eles não viam a hora de voltar à escola.

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"Estou muito feliz, eles estão muito felizes. Estavam ansiosos para voltar, ver os amigos", disse Marciana, que não desgrudava os olhos do corredor por onde as crianças entraram. Ela diz se sentir segura com os protocolos sanitários adotados pela escola e aliviada pelo retorno. "Agora parece que a vida está voltando ao normal."

Mãe, pai e irmã também acompanharam nesta manhã a volta às aulas de Filipe Maciel, de 11 anos. O retorno, disputado, foi até motivo de briga com a caçula Letícia, que só volta à escola amanhã. "Ele estava muito ansioso e cansado das aulas online", diz a nutricionista Daniele Maciel, de 40 anos. Nos últimos dias, o menino custou a dormir de ansiedade pelo retorno, segundo conta a mãe.

Funcionários medem a temperatura de alunos na porta do Rio Branco Foto: Tiago Queiroz/Estadão
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No Colégio Mágico de Oz, na zona sul de São Paulo, uma equipe de seis funcionários com máscaras e face shields de acrílico se enfileirava na porta para organizar a entrada dos alunos em “bolhas” escalonadas. Antes de chegar até a sala de aula, porém, era preciso passar por um "triatlo" de segurança: medição de temperatura no braço, álcool em gel nas mãos e uma câmara de ozônio para desinfetar as crianças, cuja fumaça se espalhava pelo chão do corredor.

No interior, as 14 salas de aula foram readaptadas para atender à exigência de 35% da capacidade total dos 200 alunos. Apesar da pandemia, a diretora Claudia Tricate afirma que esse foi “um bom ano letivo para matrículas”. As aulas de 2021 começaram na última terça-feira, 26, mas até hoje eram apenas online. “Muitos deles só conheciam os colegas e professores por videochamada.” 

Um sistema de computação integrado entre pais, colégio e Secretaria de Educação foi implantado para controlar a capacidade presencial e para que os alunos tenham sua ida à escola previamente agendada. Os responsáveis ainda precisam avaliar diariamente a saúde das crianças, em formulários que são acessados por tablets na portaria e dão permissão ou não para a entrada dos alunos.

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No Rio Branco, as turmas foram divididas para garantir o distanciamento. Os alunos do 1.º ano de uma mesma turma ocupavam nesta segunda-feira duas salas de aula. E a professora se desdobrava para dar atenção às duas classes, além das crianças que ficaram em casa no ensino remoto. "Estou em três ambientes", disse uma professora de História, enquanto tentava garantir que o áudio de uma sala fosse transmitido para a outra. Um assistente deverá ajudar a coordenar as salas. 

Segundo o diretor da unidade do Rio Branco em Higienópolis, Renato Júdice, os professores estão se habituando e os desafios pedagógicos hoje são maiores até do que os sanitários. Trinta professores continuam no ensino remoto porque fazem parte do grupo de risco - esse número representa 20% do total de docentes. No ano passado, a escola teve de fechar uma sala depois de identificar a contaminação de dois estudantes - casos que Júdice atribui a atividades dos alunos fora do ambiente escolar. 

"Todos os professores que não são do grupo de risco estão aqui. No primeiro horário, por exemplo, ele pode dar aula na sala, presencial, e nos outros horários ele está em um ponto da escola, para dar aulas remotamente para as séries que não vieram", explica o diretor. "Faz toda diferença ele estar aqui porque, em uma 'janela' (de horário), esse professor ajuda com os demais alunos", disse. 

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A hora do recreio também traz novidades à rotina escolar do Colégio Magno: saem as merendas na cantina e entram as comidas por delivery, cujas entregas são agendadas previamente pelos pais e buscadas no portão por funcionárias munidas com a relação de pedidos no tablet. As aulas de educação física não têm mais esportes coletivos e atividades que precisem do compartilhamento de qualquer objeto também estão proibidas. No lugar, ficaram as brincadeiras individuais, como bambolê, com distanciamento demarcado no chão.

Aval para aulas foi dado em janeiro

As escolas receberam em janeiro o aval da Prefeitura de São Paulo para voltar a dar aulas presenciais, da educação infantil ao ensino médio. No ano passado, apenas o retorno do ensino médio para aulas regulares, como Português e Matemática, havia sido autorizado pela gestão municipal.

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Cada unidade só pode receber até 35% de sua capacidade em um primeiro momento e os estudantes não são obrigados a frequentar as aulas presenciais. Para reabrir, os colégios fizeram consultas aos pais e definiram, quando necessário, um rodízio entre os alunos que querem frequentar as aulas na escola. Os que ficam em casa participam das aulas remotas.

A cidade de São Paulo encontra-se na fase laranja do plano de flexibilização da quarentena, a segunda mais restritiva. A reabertura dos colégios passou a ser permitida mesmo nas fases mais graves da pandemia pelo governo João Doria (PSDB), que enquadrou as escolas na lista de serviços essenciais. Coube a cada município decidir se daria ou não a autorização para a reabertura.

Na semana passada, a volta às aulas foi parar na Justiça depois que sindicatos de professores de escolas públicas e privadas questionaram o retorno em meio à segunda onda da covid-19. Uma decisão liminar chegou a barrar a reabertura das escolas em todo o Estado, mas foi revertida na segunda instância

Nesta segunda, o governador João Doria anunciou a criação da Comissão Médica da Educação de SP, que vai nortear as decisões sobre a volta às aulas presenciais em todo o Estado. O grupo é formado por especialistas com destaque nas áreas de pediatria, infectologia e epidemiologia. As atribuições da comissão serão monitorar e orientar as ações de prevenção, vigilância e controle da covid-19 nas unidades escolares do sistema de ensino do Estado, o que inclui, além da rede estadual, as escolas municipais e particulares. 

O Estado de São Paulo teve aumento nos registros de novos infectados pelo coronavírus na última semana, com uma média diária de 11.238, a segunda maior já registrada em toda a pandemia e 5% superior à da semana anterior.

Colégios particulares na capital paulista iniciaram nesta segunda-feira, 1.º, o ano letivo de 2021 com aulas presenciais. O retorno para todas as etapas de ensino nas unidades privadas ocorre dez meses após o fechamento das escolas para conter a disseminação do coronavírus e em meio à segunda onda da covid-19. Pais relatam alívio pela volta, cercada de protocolos sanitários. Na porta das escolas, expressões de apreensão, medo e alegria sob as máscaras marcam o retorno. Na rede municipal, a volta às aulas está prevista para 15 de fevereiro e, na rede estadual, para 8 deste mês. 

Por volta das 7 horas, alunos do 6.° e 8.° ano do fundamental e do 1° ano do ensino médio faziam fila na porta do Colégio Rio Branco, em Higienópolis, para entrar na escola. Do portão, os pais acompanhavam, curiosos, o cumprimento dos protocolos e até quem passava pela rua parava para observar a volta à escola, em meio à pandemia.

Os pais José e Daniele de despedem deFilipe Maciel, de 11 anos, na porta da escola Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Antes de ir para as salas, os alunos do Rio Branco precisam passar por termômetros automáticos. Funcionários orientavam a medição de temperatura, enquanto seguranças mascarados e com face shields garantiam que não houvesse aglomerações. Já dentro da unidade, uma orientadora indicava a cada um dos alunos para quais classes deveriam se dirigir. 

No Rio Branco, 85% das famílias optaram pelo retorno presencial. Como o colégio só pode receber 35% da capacidade, há rodízio entre as séries para frequentar a escola. Pai de um menino de 11 anos, o servidor público Marcos Machado, de 44, acompanhava nesta manhã a entrada do filho na escola. "Estamos com medo, mas acabamos fazendo essa concessão", disse Machado.

No ano passado, o filho só foi à escola duas vezes depois de março, para atividades de acolhimento. Agora, com as aulas regulares, a família pretende deixar a criança mais afastada dos avós. Emocionada na porta, a gerente comercial Marciana Fogolari, de 52 anos, deixou os filhos Maria Eduarda, de 11 anos, e Luiz Henrique, de 15, no colégio. Eles não viam a hora de voltar à escola.

"Estou muito feliz, eles estão muito felizes. Estavam ansiosos para voltar, ver os amigos", disse Marciana, que não desgrudava os olhos do corredor por onde as crianças entraram. Ela diz se sentir segura com os protocolos sanitários adotados pela escola e aliviada pelo retorno. "Agora parece que a vida está voltando ao normal."

Mãe, pai e irmã também acompanharam nesta manhã a volta às aulas de Filipe Maciel, de 11 anos. O retorno, disputado, foi até motivo de briga com a caçula Letícia, que só volta à escola amanhã. "Ele estava muito ansioso e cansado das aulas online", diz a nutricionista Daniele Maciel, de 40 anos. Nos últimos dias, o menino custou a dormir de ansiedade pelo retorno, segundo conta a mãe.

Funcionários medem a temperatura de alunos na porta do Rio Branco Foto: Tiago Queiroz/Estadão

No Colégio Mágico de Oz, na zona sul de São Paulo, uma equipe de seis funcionários com máscaras e face shields de acrílico se enfileirava na porta para organizar a entrada dos alunos em “bolhas” escalonadas. Antes de chegar até a sala de aula, porém, era preciso passar por um "triatlo" de segurança: medição de temperatura no braço, álcool em gel nas mãos e uma câmara de ozônio para desinfetar as crianças, cuja fumaça se espalhava pelo chão do corredor.

No interior, as 14 salas de aula foram readaptadas para atender à exigência de 35% da capacidade total dos 200 alunos. Apesar da pandemia, a diretora Claudia Tricate afirma que esse foi “um bom ano letivo para matrículas”. As aulas de 2021 começaram na última terça-feira, 26, mas até hoje eram apenas online. “Muitos deles só conheciam os colegas e professores por videochamada.” 

Um sistema de computação integrado entre pais, colégio e Secretaria de Educação foi implantado para controlar a capacidade presencial e para que os alunos tenham sua ida à escola previamente agendada. Os responsáveis ainda precisam avaliar diariamente a saúde das crianças, em formulários que são acessados por tablets na portaria e dão permissão ou não para a entrada dos alunos.

No Rio Branco, as turmas foram divididas para garantir o distanciamento. Os alunos do 1.º ano de uma mesma turma ocupavam nesta segunda-feira duas salas de aula. E a professora se desdobrava para dar atenção às duas classes, além das crianças que ficaram em casa no ensino remoto. "Estou em três ambientes", disse uma professora de História, enquanto tentava garantir que o áudio de uma sala fosse transmitido para a outra. Um assistente deverá ajudar a coordenar as salas. 

Segundo o diretor da unidade do Rio Branco em Higienópolis, Renato Júdice, os professores estão se habituando e os desafios pedagógicos hoje são maiores até do que os sanitários. Trinta professores continuam no ensino remoto porque fazem parte do grupo de risco - esse número representa 20% do total de docentes. No ano passado, a escola teve de fechar uma sala depois de identificar a contaminação de dois estudantes - casos que Júdice atribui a atividades dos alunos fora do ambiente escolar. 

"Todos os professores que não são do grupo de risco estão aqui. No primeiro horário, por exemplo, ele pode dar aula na sala, presencial, e nos outros horários ele está em um ponto da escola, para dar aulas remotamente para as séries que não vieram", explica o diretor. "Faz toda diferença ele estar aqui porque, em uma 'janela' (de horário), esse professor ajuda com os demais alunos", disse. 

A hora do recreio também traz novidades à rotina escolar do Colégio Magno: saem as merendas na cantina e entram as comidas por delivery, cujas entregas são agendadas previamente pelos pais e buscadas no portão por funcionárias munidas com a relação de pedidos no tablet. As aulas de educação física não têm mais esportes coletivos e atividades que precisem do compartilhamento de qualquer objeto também estão proibidas. No lugar, ficaram as brincadeiras individuais, como bambolê, com distanciamento demarcado no chão.

Aval para aulas foi dado em janeiro

As escolas receberam em janeiro o aval da Prefeitura de São Paulo para voltar a dar aulas presenciais, da educação infantil ao ensino médio. No ano passado, apenas o retorno do ensino médio para aulas regulares, como Português e Matemática, havia sido autorizado pela gestão municipal.

Cada unidade só pode receber até 35% de sua capacidade em um primeiro momento e os estudantes não são obrigados a frequentar as aulas presenciais. Para reabrir, os colégios fizeram consultas aos pais e definiram, quando necessário, um rodízio entre os alunos que querem frequentar as aulas na escola. Os que ficam em casa participam das aulas remotas.

A cidade de São Paulo encontra-se na fase laranja do plano de flexibilização da quarentena, a segunda mais restritiva. A reabertura dos colégios passou a ser permitida mesmo nas fases mais graves da pandemia pelo governo João Doria (PSDB), que enquadrou as escolas na lista de serviços essenciais. Coube a cada município decidir se daria ou não a autorização para a reabertura.

Na semana passada, a volta às aulas foi parar na Justiça depois que sindicatos de professores de escolas públicas e privadas questionaram o retorno em meio à segunda onda da covid-19. Uma decisão liminar chegou a barrar a reabertura das escolas em todo o Estado, mas foi revertida na segunda instância

Nesta segunda, o governador João Doria anunciou a criação da Comissão Médica da Educação de SP, que vai nortear as decisões sobre a volta às aulas presenciais em todo o Estado. O grupo é formado por especialistas com destaque nas áreas de pediatria, infectologia e epidemiologia. As atribuições da comissão serão monitorar e orientar as ações de prevenção, vigilância e controle da covid-19 nas unidades escolares do sistema de ensino do Estado, o que inclui, além da rede estadual, as escolas municipais e particulares. 

O Estado de São Paulo teve aumento nos registros de novos infectados pelo coronavírus na última semana, com uma média diária de 11.238, a segunda maior já registrada em toda a pandemia e 5% superior à da semana anterior.

Colégios particulares na capital paulista iniciaram nesta segunda-feira, 1.º, o ano letivo de 2021 com aulas presenciais. O retorno para todas as etapas de ensino nas unidades privadas ocorre dez meses após o fechamento das escolas para conter a disseminação do coronavírus e em meio à segunda onda da covid-19. Pais relatam alívio pela volta, cercada de protocolos sanitários. Na porta das escolas, expressões de apreensão, medo e alegria sob as máscaras marcam o retorno. Na rede municipal, a volta às aulas está prevista para 15 de fevereiro e, na rede estadual, para 8 deste mês. 

Por volta das 7 horas, alunos do 6.° e 8.° ano do fundamental e do 1° ano do ensino médio faziam fila na porta do Colégio Rio Branco, em Higienópolis, para entrar na escola. Do portão, os pais acompanhavam, curiosos, o cumprimento dos protocolos e até quem passava pela rua parava para observar a volta à escola, em meio à pandemia.

Os pais José e Daniele de despedem deFilipe Maciel, de 11 anos, na porta da escola Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Antes de ir para as salas, os alunos do Rio Branco precisam passar por termômetros automáticos. Funcionários orientavam a medição de temperatura, enquanto seguranças mascarados e com face shields garantiam que não houvesse aglomerações. Já dentro da unidade, uma orientadora indicava a cada um dos alunos para quais classes deveriam se dirigir. 

No Rio Branco, 85% das famílias optaram pelo retorno presencial. Como o colégio só pode receber 35% da capacidade, há rodízio entre as séries para frequentar a escola. Pai de um menino de 11 anos, o servidor público Marcos Machado, de 44, acompanhava nesta manhã a entrada do filho na escola. "Estamos com medo, mas acabamos fazendo essa concessão", disse Machado.

No ano passado, o filho só foi à escola duas vezes depois de março, para atividades de acolhimento. Agora, com as aulas regulares, a família pretende deixar a criança mais afastada dos avós. Emocionada na porta, a gerente comercial Marciana Fogolari, de 52 anos, deixou os filhos Maria Eduarda, de 11 anos, e Luiz Henrique, de 15, no colégio. Eles não viam a hora de voltar à escola.

"Estou muito feliz, eles estão muito felizes. Estavam ansiosos para voltar, ver os amigos", disse Marciana, que não desgrudava os olhos do corredor por onde as crianças entraram. Ela diz se sentir segura com os protocolos sanitários adotados pela escola e aliviada pelo retorno. "Agora parece que a vida está voltando ao normal."

Mãe, pai e irmã também acompanharam nesta manhã a volta às aulas de Filipe Maciel, de 11 anos. O retorno, disputado, foi até motivo de briga com a caçula Letícia, que só volta à escola amanhã. "Ele estava muito ansioso e cansado das aulas online", diz a nutricionista Daniele Maciel, de 40 anos. Nos últimos dias, o menino custou a dormir de ansiedade pelo retorno, segundo conta a mãe.

Funcionários medem a temperatura de alunos na porta do Rio Branco Foto: Tiago Queiroz/Estadão

No Colégio Mágico de Oz, na zona sul de São Paulo, uma equipe de seis funcionários com máscaras e face shields de acrílico se enfileirava na porta para organizar a entrada dos alunos em “bolhas” escalonadas. Antes de chegar até a sala de aula, porém, era preciso passar por um "triatlo" de segurança: medição de temperatura no braço, álcool em gel nas mãos e uma câmara de ozônio para desinfetar as crianças, cuja fumaça se espalhava pelo chão do corredor.

No interior, as 14 salas de aula foram readaptadas para atender à exigência de 35% da capacidade total dos 200 alunos. Apesar da pandemia, a diretora Claudia Tricate afirma que esse foi “um bom ano letivo para matrículas”. As aulas de 2021 começaram na última terça-feira, 26, mas até hoje eram apenas online. “Muitos deles só conheciam os colegas e professores por videochamada.” 

Um sistema de computação integrado entre pais, colégio e Secretaria de Educação foi implantado para controlar a capacidade presencial e para que os alunos tenham sua ida à escola previamente agendada. Os responsáveis ainda precisam avaliar diariamente a saúde das crianças, em formulários que são acessados por tablets na portaria e dão permissão ou não para a entrada dos alunos.

No Rio Branco, as turmas foram divididas para garantir o distanciamento. Os alunos do 1.º ano de uma mesma turma ocupavam nesta segunda-feira duas salas de aula. E a professora se desdobrava para dar atenção às duas classes, além das crianças que ficaram em casa no ensino remoto. "Estou em três ambientes", disse uma professora de História, enquanto tentava garantir que o áudio de uma sala fosse transmitido para a outra. Um assistente deverá ajudar a coordenar as salas. 

Segundo o diretor da unidade do Rio Branco em Higienópolis, Renato Júdice, os professores estão se habituando e os desafios pedagógicos hoje são maiores até do que os sanitários. Trinta professores continuam no ensino remoto porque fazem parte do grupo de risco - esse número representa 20% do total de docentes. No ano passado, a escola teve de fechar uma sala depois de identificar a contaminação de dois estudantes - casos que Júdice atribui a atividades dos alunos fora do ambiente escolar. 

"Todos os professores que não são do grupo de risco estão aqui. No primeiro horário, por exemplo, ele pode dar aula na sala, presencial, e nos outros horários ele está em um ponto da escola, para dar aulas remotamente para as séries que não vieram", explica o diretor. "Faz toda diferença ele estar aqui porque, em uma 'janela' (de horário), esse professor ajuda com os demais alunos", disse. 

A hora do recreio também traz novidades à rotina escolar do Colégio Magno: saem as merendas na cantina e entram as comidas por delivery, cujas entregas são agendadas previamente pelos pais e buscadas no portão por funcionárias munidas com a relação de pedidos no tablet. As aulas de educação física não têm mais esportes coletivos e atividades que precisem do compartilhamento de qualquer objeto também estão proibidas. No lugar, ficaram as brincadeiras individuais, como bambolê, com distanciamento demarcado no chão.

Aval para aulas foi dado em janeiro

As escolas receberam em janeiro o aval da Prefeitura de São Paulo para voltar a dar aulas presenciais, da educação infantil ao ensino médio. No ano passado, apenas o retorno do ensino médio para aulas regulares, como Português e Matemática, havia sido autorizado pela gestão municipal.

Cada unidade só pode receber até 35% de sua capacidade em um primeiro momento e os estudantes não são obrigados a frequentar as aulas presenciais. Para reabrir, os colégios fizeram consultas aos pais e definiram, quando necessário, um rodízio entre os alunos que querem frequentar as aulas na escola. Os que ficam em casa participam das aulas remotas.

A cidade de São Paulo encontra-se na fase laranja do plano de flexibilização da quarentena, a segunda mais restritiva. A reabertura dos colégios passou a ser permitida mesmo nas fases mais graves da pandemia pelo governo João Doria (PSDB), que enquadrou as escolas na lista de serviços essenciais. Coube a cada município decidir se daria ou não a autorização para a reabertura.

Na semana passada, a volta às aulas foi parar na Justiça depois que sindicatos de professores de escolas públicas e privadas questionaram o retorno em meio à segunda onda da covid-19. Uma decisão liminar chegou a barrar a reabertura das escolas em todo o Estado, mas foi revertida na segunda instância

Nesta segunda, o governador João Doria anunciou a criação da Comissão Médica da Educação de SP, que vai nortear as decisões sobre a volta às aulas presenciais em todo o Estado. O grupo é formado por especialistas com destaque nas áreas de pediatria, infectologia e epidemiologia. As atribuições da comissão serão monitorar e orientar as ações de prevenção, vigilância e controle da covid-19 nas unidades escolares do sistema de ensino do Estado, o que inclui, além da rede estadual, as escolas municipais e particulares. 

O Estado de São Paulo teve aumento nos registros de novos infectados pelo coronavírus na última semana, com uma média diária de 11.238, a segunda maior já registrada em toda a pandemia e 5% superior à da semana anterior.

Colégios particulares na capital paulista iniciaram nesta segunda-feira, 1.º, o ano letivo de 2021 com aulas presenciais. O retorno para todas as etapas de ensino nas unidades privadas ocorre dez meses após o fechamento das escolas para conter a disseminação do coronavírus e em meio à segunda onda da covid-19. Pais relatam alívio pela volta, cercada de protocolos sanitários. Na porta das escolas, expressões de apreensão, medo e alegria sob as máscaras marcam o retorno. Na rede municipal, a volta às aulas está prevista para 15 de fevereiro e, na rede estadual, para 8 deste mês. 

Por volta das 7 horas, alunos do 6.° e 8.° ano do fundamental e do 1° ano do ensino médio faziam fila na porta do Colégio Rio Branco, em Higienópolis, para entrar na escola. Do portão, os pais acompanhavam, curiosos, o cumprimento dos protocolos e até quem passava pela rua parava para observar a volta à escola, em meio à pandemia.

Os pais José e Daniele de despedem deFilipe Maciel, de 11 anos, na porta da escola Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Antes de ir para as salas, os alunos do Rio Branco precisam passar por termômetros automáticos. Funcionários orientavam a medição de temperatura, enquanto seguranças mascarados e com face shields garantiam que não houvesse aglomerações. Já dentro da unidade, uma orientadora indicava a cada um dos alunos para quais classes deveriam se dirigir. 

No Rio Branco, 85% das famílias optaram pelo retorno presencial. Como o colégio só pode receber 35% da capacidade, há rodízio entre as séries para frequentar a escola. Pai de um menino de 11 anos, o servidor público Marcos Machado, de 44, acompanhava nesta manhã a entrada do filho na escola. "Estamos com medo, mas acabamos fazendo essa concessão", disse Machado.

No ano passado, o filho só foi à escola duas vezes depois de março, para atividades de acolhimento. Agora, com as aulas regulares, a família pretende deixar a criança mais afastada dos avós. Emocionada na porta, a gerente comercial Marciana Fogolari, de 52 anos, deixou os filhos Maria Eduarda, de 11 anos, e Luiz Henrique, de 15, no colégio. Eles não viam a hora de voltar à escola.

"Estou muito feliz, eles estão muito felizes. Estavam ansiosos para voltar, ver os amigos", disse Marciana, que não desgrudava os olhos do corredor por onde as crianças entraram. Ela diz se sentir segura com os protocolos sanitários adotados pela escola e aliviada pelo retorno. "Agora parece que a vida está voltando ao normal."

Mãe, pai e irmã também acompanharam nesta manhã a volta às aulas de Filipe Maciel, de 11 anos. O retorno, disputado, foi até motivo de briga com a caçula Letícia, que só volta à escola amanhã. "Ele estava muito ansioso e cansado das aulas online", diz a nutricionista Daniele Maciel, de 40 anos. Nos últimos dias, o menino custou a dormir de ansiedade pelo retorno, segundo conta a mãe.

Funcionários medem a temperatura de alunos na porta do Rio Branco Foto: Tiago Queiroz/Estadão

No Colégio Mágico de Oz, na zona sul de São Paulo, uma equipe de seis funcionários com máscaras e face shields de acrílico se enfileirava na porta para organizar a entrada dos alunos em “bolhas” escalonadas. Antes de chegar até a sala de aula, porém, era preciso passar por um "triatlo" de segurança: medição de temperatura no braço, álcool em gel nas mãos e uma câmara de ozônio para desinfetar as crianças, cuja fumaça se espalhava pelo chão do corredor.

No interior, as 14 salas de aula foram readaptadas para atender à exigência de 35% da capacidade total dos 200 alunos. Apesar da pandemia, a diretora Claudia Tricate afirma que esse foi “um bom ano letivo para matrículas”. As aulas de 2021 começaram na última terça-feira, 26, mas até hoje eram apenas online. “Muitos deles só conheciam os colegas e professores por videochamada.” 

Um sistema de computação integrado entre pais, colégio e Secretaria de Educação foi implantado para controlar a capacidade presencial e para que os alunos tenham sua ida à escola previamente agendada. Os responsáveis ainda precisam avaliar diariamente a saúde das crianças, em formulários que são acessados por tablets na portaria e dão permissão ou não para a entrada dos alunos.

No Rio Branco, as turmas foram divididas para garantir o distanciamento. Os alunos do 1.º ano de uma mesma turma ocupavam nesta segunda-feira duas salas de aula. E a professora se desdobrava para dar atenção às duas classes, além das crianças que ficaram em casa no ensino remoto. "Estou em três ambientes", disse uma professora de História, enquanto tentava garantir que o áudio de uma sala fosse transmitido para a outra. Um assistente deverá ajudar a coordenar as salas. 

Segundo o diretor da unidade do Rio Branco em Higienópolis, Renato Júdice, os professores estão se habituando e os desafios pedagógicos hoje são maiores até do que os sanitários. Trinta professores continuam no ensino remoto porque fazem parte do grupo de risco - esse número representa 20% do total de docentes. No ano passado, a escola teve de fechar uma sala depois de identificar a contaminação de dois estudantes - casos que Júdice atribui a atividades dos alunos fora do ambiente escolar. 

"Todos os professores que não são do grupo de risco estão aqui. No primeiro horário, por exemplo, ele pode dar aula na sala, presencial, e nos outros horários ele está em um ponto da escola, para dar aulas remotamente para as séries que não vieram", explica o diretor. "Faz toda diferença ele estar aqui porque, em uma 'janela' (de horário), esse professor ajuda com os demais alunos", disse. 

A hora do recreio também traz novidades à rotina escolar do Colégio Magno: saem as merendas na cantina e entram as comidas por delivery, cujas entregas são agendadas previamente pelos pais e buscadas no portão por funcionárias munidas com a relação de pedidos no tablet. As aulas de educação física não têm mais esportes coletivos e atividades que precisem do compartilhamento de qualquer objeto também estão proibidas. No lugar, ficaram as brincadeiras individuais, como bambolê, com distanciamento demarcado no chão.

Aval para aulas foi dado em janeiro

As escolas receberam em janeiro o aval da Prefeitura de São Paulo para voltar a dar aulas presenciais, da educação infantil ao ensino médio. No ano passado, apenas o retorno do ensino médio para aulas regulares, como Português e Matemática, havia sido autorizado pela gestão municipal.

Cada unidade só pode receber até 35% de sua capacidade em um primeiro momento e os estudantes não são obrigados a frequentar as aulas presenciais. Para reabrir, os colégios fizeram consultas aos pais e definiram, quando necessário, um rodízio entre os alunos que querem frequentar as aulas na escola. Os que ficam em casa participam das aulas remotas.

A cidade de São Paulo encontra-se na fase laranja do plano de flexibilização da quarentena, a segunda mais restritiva. A reabertura dos colégios passou a ser permitida mesmo nas fases mais graves da pandemia pelo governo João Doria (PSDB), que enquadrou as escolas na lista de serviços essenciais. Coube a cada município decidir se daria ou não a autorização para a reabertura.

Na semana passada, a volta às aulas foi parar na Justiça depois que sindicatos de professores de escolas públicas e privadas questionaram o retorno em meio à segunda onda da covid-19. Uma decisão liminar chegou a barrar a reabertura das escolas em todo o Estado, mas foi revertida na segunda instância

Nesta segunda, o governador João Doria anunciou a criação da Comissão Médica da Educação de SP, que vai nortear as decisões sobre a volta às aulas presenciais em todo o Estado. O grupo é formado por especialistas com destaque nas áreas de pediatria, infectologia e epidemiologia. As atribuições da comissão serão monitorar e orientar as ações de prevenção, vigilância e controle da covid-19 nas unidades escolares do sistema de ensino do Estado, o que inclui, além da rede estadual, as escolas municipais e particulares. 

O Estado de São Paulo teve aumento nos registros de novos infectados pelo coronavírus na última semana, com uma média diária de 11.238, a segunda maior já registrada em toda a pandemia e 5% superior à da semana anterior.

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