Campanha de desinformação impulsiona falsa tese de vitória ‘matematicamente impossível’ de Lula


Postagens disseminadas por parlamentares bolsonaristas desconsideram aumento no comparecimento às urnas e queda dos votos brancos e nulos; eles foram procurados, mas não responderam

Por Gabriel Belic
Atualização:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, 25, e se consagrou como o primeiro candidato a virar o resultado no segundo turno das eleições. Após a vitória, uma campanha de desinformação contestou os resultados, sob justificativa de que eles seriam “matematicamente impossíveis”. Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, explicam a virada na disputa.

A alegação foi disseminada por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE) e o deputado federal eleito Rony Gabriel (Podemos-RS). Eles foram procurados, mas não responderam.

25/10/2026 - ELEIÇÕES 2026 / SEGUNDO TURNO - Candidatos a presidência Flavio Bolsonaro (PL) e Luiz Inacio Lula da SIlva (PT). Fotos Pedro Kirilos/Estadão e Werther Santana/Estadão Foto: Pedro Kirilos/Estadão e Werther
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No primeiro turno, Lula recebeu 53,8 milhões de votos (45,16%), enquanto Flávio teve 56,1 milhões (47,03%). A diferença foi de 2,2 milhões de votos. Mais de 33,4 milhões de eleitores (21,08%) faltaram, enquanto 5,9 milhões escolheram votar em branco ou nulo (4,77%). Os outros dez candidatos totalizaram mais de 9,3 milhões de votos.

Já no segundo turno, Lula recebeu 64,2 milhões de votos (51,79%) e Flávio totalizou 59,8 milhões (48,21%). A diferença entre os candidatos foi de mais de 4,4 milhões de votos.

Dados do primeiro turno

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  • Flávio Bolsonaro: 56.104.503 votos (47,03%);
  • Luiz Inácio Lula da Silva: 53.879.538 votos (45,16%);
  • Votos em branco: 2.300.798 (1,84%);
  • Votos nulos: 3.674.249 (2,93%);
  • Abstenção: 33.469.244 (21,08%)

Dados do segundo turno

  • Luiz Inácio Lula da Silva: 64.256.232 votos (51,79%)
  • Flávio Bolsonaro: 59.826.041 votos (48,21%)
  • Votos em branco: 1.430.496 (1,12%)
  • Votos nulos: 2.723.305 (2,12%)
  • Abstenção: 30.509.005 (19,22%)
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Entre o primeiro e o segundo turno, o petista teve 10,3 milhões de votos a mais, e o senador, 3,7 milhões. Houve também uma redução na abstenção de eleitores e nos votos brancos e nulos.

  • A taxa de abstenção caiu para 19,22%, com 30,5 milhões de eleitores ausentes. Isso significa que 2,9 milhões a mais de brasileiros compareceram às urnas no segundo turno. Foi a menor abstenção desde 2006;
  • Votos nulos e em branco também diminuíram, somando 3,24%, o que totaliza mais de 4,1 milhões. A diferença para o primeiro turno superou 1,8 milhão de votos.

Segundo o pesquisador Rodrigo Mahlmeister, doutorando em ciência política pela Universidade Duke, nos Estados Unidos, e mestre em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), os votos da terceira via no primeiro turno, a queda na abstenção e a redução de votos brancos e nulos são fatores importantes para compreender o cenário. “Lula absorveu uma parte da terceira via, provavelmente maior do que as pesquisas indicavam, foi beneficiado por um comparecimento histórico e também pela queda de brancos e nulos”, disse.

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O pesquisador destacou que um saldo importante de votos do Lula veio do Nordeste e do Sudeste. Ele explicou que, em números absolutos, as duas regiões ajudaram a garantir a vantagem do petista em relação a Flávio. “Eu diria que São Paulo foi crucial, tanto em termos de abstenção, tanto de ganho de votos”, explicou.

Como mostrou uma reportagem da BBC, São Paulo foi o Estado em que Lula mais acrescentou votos em números absolutos, mesmo que Flávio tenha ganhado no território paulista. O petista passou de 38,20% dos votos no primeiro turno para 46,15% no segundo. Foi um aumento de 2,61 milhões.

No caso de Minas Gerais, Lula foi votado por 50,4% dos eleitores, enquanto Flávio conquistou 49,6%. No primeiro turno, o Estado tinha dado vitória ao senador, mas no domingo Lula venceu por uma diferença de 100 mil votos. O petista conquistou 1,1 milhão de votos a mais entre os mineiros do primeiro para o segundo turno.

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Mahlmeister desenvolveu um modelo estatístico, divulgado pelo Estadão, que antecipou o resultado com apenas 2,42% das urnas apuradas. A simulação estimou a tendência do resultado final com base nas seções já apuradas e nos votos por apurar nas mesmas seções em eleições anteriores.

Como mostrou o Estadão, fatores como a mobilização nas ruas e a articulação nas redes sociais puxada por André Janones (Rede-MG) são peças-chave para compreender a virada de Lula. Especialistas também mencionaram os debates entre presidenciáveis no segundo turno, o temor de que a família Bolsonaro voltasse ao poder e o crescimento da votação do petista no Nordeste e em Minas Gerais.

Uma parcela das postagens falsas também levanta suspeitas sobre a prorrogação das eleições até às 19h, decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. Mas um levantamento feito pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, aponta que 34,7 mil votos foram depositados nas urnas eletrônicas após às 17h.

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“A diferença entre os dois candidatos é 128 vezes maior que o total de votos dados depois das 17h”, afirma o relatório.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, 25, e se consagrou como o primeiro candidato a virar o resultado no segundo turno das eleições. Após a vitória, uma campanha de desinformação contestou os resultados, sob justificativa de que eles seriam “matematicamente impossíveis”. Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, explicam a virada na disputa.

A alegação foi disseminada por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE) e o deputado federal eleito Rony Gabriel (Podemos-RS). Eles foram procurados, mas não responderam.

25/10/2026 - ELEIÇÕES 2026 / SEGUNDO TURNO - Candidatos a presidência Flavio Bolsonaro (PL) e Luiz Inacio Lula da SIlva (PT). Fotos Pedro Kirilos/Estadão e Werther Santana/Estadão Foto: Pedro Kirilos/Estadão e Werther

No primeiro turno, Lula recebeu 53,8 milhões de votos (45,16%), enquanto Flávio teve 56,1 milhões (47,03%). A diferença foi de 2,2 milhões de votos. Mais de 33,4 milhões de eleitores (21,08%) faltaram, enquanto 5,9 milhões escolheram votar em branco ou nulo (4,77%). Os outros dez candidatos totalizaram mais de 9,3 milhões de votos.

Já no segundo turno, Lula recebeu 64,2 milhões de votos (51,79%) e Flávio totalizou 59,8 milhões (48,21%). A diferença entre os candidatos foi de mais de 4,4 milhões de votos.

Dados do primeiro turno

  • Flávio Bolsonaro: 56.104.503 votos (47,03%);
  • Luiz Inácio Lula da Silva: 53.879.538 votos (45,16%);
  • Votos em branco: 2.300.798 (1,84%);
  • Votos nulos: 3.674.249 (2,93%);
  • Abstenção: 33.469.244 (21,08%)

Dados do segundo turno

  • Luiz Inácio Lula da Silva: 64.256.232 votos (51,79%)
  • Flávio Bolsonaro: 59.826.041 votos (48,21%)
  • Votos em branco: 1.430.496 (1,12%)
  • Votos nulos: 2.723.305 (2,12%)
  • Abstenção: 30.509.005 (19,22%)

Entre o primeiro e o segundo turno, o petista teve 10,3 milhões de votos a mais, e o senador, 3,7 milhões. Houve também uma redução na abstenção de eleitores e nos votos brancos e nulos.

  • A taxa de abstenção caiu para 19,22%, com 30,5 milhões de eleitores ausentes. Isso significa que 2,9 milhões a mais de brasileiros compareceram às urnas no segundo turno. Foi a menor abstenção desde 2006;
  • Votos nulos e em branco também diminuíram, somando 3,24%, o que totaliza mais de 4,1 milhões. A diferença para o primeiro turno superou 1,8 milhão de votos.

Segundo o pesquisador Rodrigo Mahlmeister, doutorando em ciência política pela Universidade Duke, nos Estados Unidos, e mestre em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), os votos da terceira via no primeiro turno, a queda na abstenção e a redução de votos brancos e nulos são fatores importantes para compreender o cenário. “Lula absorveu uma parte da terceira via, provavelmente maior do que as pesquisas indicavam, foi beneficiado por um comparecimento histórico e também pela queda de brancos e nulos”, disse.

O pesquisador destacou que um saldo importante de votos do Lula veio do Nordeste e do Sudeste. Ele explicou que, em números absolutos, as duas regiões ajudaram a garantir a vantagem do petista em relação a Flávio. “Eu diria que São Paulo foi crucial, tanto em termos de abstenção, tanto de ganho de votos”, explicou.

Como mostrou uma reportagem da BBC, São Paulo foi o Estado em que Lula mais acrescentou votos em números absolutos, mesmo que Flávio tenha ganhado no território paulista. O petista passou de 38,20% dos votos no primeiro turno para 46,15% no segundo. Foi um aumento de 2,61 milhões.

No caso de Minas Gerais, Lula foi votado por 50,4% dos eleitores, enquanto Flávio conquistou 49,6%. No primeiro turno, o Estado tinha dado vitória ao senador, mas no domingo Lula venceu por uma diferença de 100 mil votos. O petista conquistou 1,1 milhão de votos a mais entre os mineiros do primeiro para o segundo turno.

Mahlmeister desenvolveu um modelo estatístico, divulgado pelo Estadão, que antecipou o resultado com apenas 2,42% das urnas apuradas. A simulação estimou a tendência do resultado final com base nas seções já apuradas e nos votos por apurar nas mesmas seções em eleições anteriores.

Como mostrou o Estadão, fatores como a mobilização nas ruas e a articulação nas redes sociais puxada por André Janones (Rede-MG) são peças-chave para compreender a virada de Lula. Especialistas também mencionaram os debates entre presidenciáveis no segundo turno, o temor de que a família Bolsonaro voltasse ao poder e o crescimento da votação do petista no Nordeste e em Minas Gerais.

Uma parcela das postagens falsas também levanta suspeitas sobre a prorrogação das eleições até às 19h, decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. Mas um levantamento feito pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, aponta que 34,7 mil votos foram depositados nas urnas eletrônicas após às 17h.

“A diferença entre os dois candidatos é 128 vezes maior que o total de votos dados depois das 17h”, afirma o relatório.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, 25, e se consagrou como o primeiro candidato a virar o resultado no segundo turno das eleições. Após a vitória, uma campanha de desinformação contestou os resultados, sob justificativa de que eles seriam “matematicamente impossíveis”. Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, explicam a virada na disputa.

A alegação foi disseminada por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE) e o deputado federal eleito Rony Gabriel (Podemos-RS). Eles foram procurados, mas não responderam.

25/10/2026 - ELEIÇÕES 2026 / SEGUNDO TURNO - Candidatos a presidência Flavio Bolsonaro (PL) e Luiz Inacio Lula da SIlva (PT). Fotos Pedro Kirilos/Estadão e Werther Santana/Estadão Foto: Pedro Kirilos/Estadão e Werther

No primeiro turno, Lula recebeu 53,8 milhões de votos (45,16%), enquanto Flávio teve 56,1 milhões (47,03%). A diferença foi de 2,2 milhões de votos. Mais de 33,4 milhões de eleitores (21,08%) faltaram, enquanto 5,9 milhões escolheram votar em branco ou nulo (4,77%). Os outros dez candidatos totalizaram mais de 9,3 milhões de votos.

Já no segundo turno, Lula recebeu 64,2 milhões de votos (51,79%) e Flávio totalizou 59,8 milhões (48,21%). A diferença entre os candidatos foi de mais de 4,4 milhões de votos.

Dados do primeiro turno

  • Flávio Bolsonaro: 56.104.503 votos (47,03%);
  • Luiz Inácio Lula da Silva: 53.879.538 votos (45,16%);
  • Votos em branco: 2.300.798 (1,84%);
  • Votos nulos: 3.674.249 (2,93%);
  • Abstenção: 33.469.244 (21,08%)

Dados do segundo turno

  • Luiz Inácio Lula da Silva: 64.256.232 votos (51,79%)
  • Flávio Bolsonaro: 59.826.041 votos (48,21%)
  • Votos em branco: 1.430.496 (1,12%)
  • Votos nulos: 2.723.305 (2,12%)
  • Abstenção: 30.509.005 (19,22%)

Entre o primeiro e o segundo turno, o petista teve 10,3 milhões de votos a mais, e o senador, 3,7 milhões. Houve também uma redução na abstenção de eleitores e nos votos brancos e nulos.

  • A taxa de abstenção caiu para 19,22%, com 30,5 milhões de eleitores ausentes. Isso significa que 2,9 milhões a mais de brasileiros compareceram às urnas no segundo turno. Foi a menor abstenção desde 2006;
  • Votos nulos e em branco também diminuíram, somando 3,24%, o que totaliza mais de 4,1 milhões. A diferença para o primeiro turno superou 1,8 milhão de votos.

Segundo o pesquisador Rodrigo Mahlmeister, doutorando em ciência política pela Universidade Duke, nos Estados Unidos, e mestre em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), os votos da terceira via no primeiro turno, a queda na abstenção e a redução de votos brancos e nulos são fatores importantes para compreender o cenário. “Lula absorveu uma parte da terceira via, provavelmente maior do que as pesquisas indicavam, foi beneficiado por um comparecimento histórico e também pela queda de brancos e nulos”, disse.

O pesquisador destacou que um saldo importante de votos do Lula veio do Nordeste e do Sudeste. Ele explicou que, em números absolutos, as duas regiões ajudaram a garantir a vantagem do petista em relação a Flávio. “Eu diria que São Paulo foi crucial, tanto em termos de abstenção, tanto de ganho de votos”, explicou.

Como mostrou uma reportagem da BBC, São Paulo foi o Estado em que Lula mais acrescentou votos em números absolutos, mesmo que Flávio tenha ganhado no território paulista. O petista passou de 38,20% dos votos no primeiro turno para 46,15% no segundo. Foi um aumento de 2,61 milhões.

No caso de Minas Gerais, Lula foi votado por 50,4% dos eleitores, enquanto Flávio conquistou 49,6%. No primeiro turno, o Estado tinha dado vitória ao senador, mas no domingo Lula venceu por uma diferença de 100 mil votos. O petista conquistou 1,1 milhão de votos a mais entre os mineiros do primeiro para o segundo turno.

Mahlmeister desenvolveu um modelo estatístico, divulgado pelo Estadão, que antecipou o resultado com apenas 2,42% das urnas apuradas. A simulação estimou a tendência do resultado final com base nas seções já apuradas e nos votos por apurar nas mesmas seções em eleições anteriores.

Como mostrou o Estadão, fatores como a mobilização nas ruas e a articulação nas redes sociais puxada por André Janones (Rede-MG) são peças-chave para compreender a virada de Lula. Especialistas também mencionaram os debates entre presidenciáveis no segundo turno, o temor de que a família Bolsonaro voltasse ao poder e o crescimento da votação do petista no Nordeste e em Minas Gerais.

Uma parcela das postagens falsas também levanta suspeitas sobre a prorrogação das eleições até às 19h, decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. Mas um levantamento feito pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, aponta que 34,7 mil votos foram depositados nas urnas eletrônicas após às 17h.

“A diferença entre os dois candidatos é 128 vezes maior que o total de votos dados depois das 17h”, afirma o relatório.

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