O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 5, que solicitará às companhias aéreas o cancelamento de voos em 40 grandes aeroportos do país, a partir desta sexta-feira, 7, com o objetivo de “reduzir a pressão” sobre o controle aéreo, setor com alto índice de ausências devido ao “shutdown” do governo. A redução afetará milhares de voos em todo o país.
“Haverá uma redução de 10% da capacidade em 40 aeroportos”, incluindo os mais movimentados do país, disse o secretário de Transportes, Sean Duffy, em entrevista coletiva.
Duffy afirmou que a lista dos mercados afetados será divulgada nesta quinta-feira, 6. Antes de definir os locais, ele e o administrador da Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), Bryan Bedford, conversaram com executivos de companhias aéreas.
Os EUA entraram nesta quinta-feira no 37º dia de paralisação governamental, a mais longa da história, causada pela falta de acordo entre republicanos e democratas no Congresso para aprovar um novo orçamento.
A FAA está enfrentando escassez de pessoal entre os controladores de tráfego aéreo, que trabalham sem remuneração desde o início da paralisação em 1º de outubro, com alguns se ausentando do trabalho, resultando em atrasos em todo o país.
Bedford disse que a agência não esperaria uma crise para agir, citando as crescentes pressões de pessoal causadas pela paralisação. “Não podemos ignorar isso”, disse.
Ele e Duffy também conversaram com companhias aéreas para determinar como implementar com segurança a redução dos voos. “Os primeiros indicadores nos mostram que podemos tomar medidas hoje para evitar que a situação se deteriore”, disse Bedford.
“Se as pressões continuarem a aumentar mesmo depois de tomarmos essas medidas”, disse ele, “voltaremos e tomaremos medidas adicionais”.
Já houve vários atrasos em aeroportos de todo o país — às vezes de várias horas — porque a FAA diminui ou interrompe temporariamente o tráfego sempre que há falta de controladores. No último fim de semana, houve uma das piores faltas de pessoal e, no domingo, os voos no Aeroporto Internacional Newark Liberty, em Nova Jersey, sofreram atrasos de várias horas.
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As principais companhias aéreas, sindicatos da aviação e o setor de viagens em geral têm pressionado o Congresso para que ponha fim à paralisação.
A empresa de análise de aviação Cirium afirma que os dados de voos mostraram uma “desaceleração mais ampla” na quinta-feira passada em todo o sistema de aviação do país pela primeira vez desde o início da paralisação, sugerindo que as interrupções relacionadas à falta de pessoal estavam começando a se tornar mais generalizadas. Isso ocorreu dias depois que os controladores perderam seus primeiros salários integrais.
A maioria dos controladores continuou a trabalhar horas extras obrigatórias seis dias por semana durante a paralisação, informou a Associação Nacional de Controladores de Tráfego Aéreo dos EUA. Isso deixa pouco tempo para um trabalho paralelo para ajudar a cobrir contas, pagamentos de hipotecas e outras despesas, a menos que os controladores se ausentem. / AFP