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Vídeos publicados por Israel exibem tropas que, segundo o país, conduziam operações contra "militantes" em Gaza
TEL AVIV — A decisão de Israel de assumir o controle da Cidade de Gaza foi recebida com uma mistura de resignação e resistência por palestinos que sobreviveram a dois anos de guerra e sucessivas incursões. Entre israelenses, a reação foi de medo e indignação, diante do temor de que a medida possa significar uma sentença de morte para os reféns mantidos no território.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, anunciou na sexta-feira que Israel intensificaria sua guerra de 22 meses com o Hamas tomando a Cidade de Gaza, grande parte já devastada por bombardeios e incursões terrestres anteriores. A nova ofensiva deve provocar mais deslocamentos em massa e agravar uma crise humanitária já considerada catastrófica.
“O que (Israel) quer de nós? ... Não há nada aqui para ocupar”, disse uma mulher de Gaza que se identificou como Umm Youssef. “Não há vida aqui. Tenho que caminhar todos os dias por mais de 15 minutos para conseguir água potável.”
Ruby Chen, cidadão com dupla nacionalidade americana e israelense cujo filho, Itay, é refém em Gaza, disse à Associated Press que a decisão coloca os reféns restantes em perigo.
“Qual é o plano agora que é diferente dos últimos 22 meses?”, disse.
Ehud Olmert, um ex-primeiro-ministro e crítico ferrenho de Netanyahu, disse à AP “não há nenhum objetivo que possa ser alcançado que valha o custo das vidas dos reféns, dos soldados” e dos civis, ecoando preocupações expressas por muitos ex-altos funcionários de segurança em Israel.
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A decisão também repercutiu no exterior. A Alemanha anunciou que irá suspender as exportações de armas para Israel que possam ser usadas na Faixa de Gaza, segundo o chanceler Friedrich Merz. Ele disse que está “cada vez mais difícil de entender” como o plano militar de ocupar a Cidade de Gaza contribui para os objetivos de Tel-Aviv.
A ocupação da maior cidade do território palestino também foi repudiada pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Ele classificou o plano como um “erro” e pediu que Netanyahu “reconsidere de imediato”. Outros países europeus como Holanda e Dinamarca também repudiaram o plano
‘Eu vou morrer aqui’
Netanyahu diz que a pressão militar é a chave para alcançar os objetivos de guerra de Israel, de devolver todos os reféns e destruir o Hamas. Na quinta-feira, ele disse à Fox News que Israel pretende, no futuro, tomar todo o controle de Gaza e entregar a região a uma administração civil árabe considerada “amiga” de Israel.
O Hamas, no entanto, sobreviveu a quase dois anos de guerra e a várias operações terrestres de grande escala, inclusive em Gaza. Em comunicado, o grupo afirmou que o povo de Gaza continuará “resistindo à ocupação” e alertou que a incursão “não será um passeio no parque”.
Centenas de milhares de palestinos fugiram da Cidade de Gaza nas primeiras semanas da guerra, no primeiro de vários deslocamentos em massa. Muitos retornaram durante um cessar-fogo no início deste ano. Agora, moradores dizem estar mais preocupados em buscar comida e sobreviver entre prédios destruídos e acampamentos improvisados do que em pensar numa nova fuga.
“Eu não tenho intenção de deixar minha casa, vou morrer aqui”, disse Kamel Abu Nahel do campo de refugiados urbanos Shati da cidade.
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Israel já controla e devastou cerca de 75% da Faixa de Gaza. A maioria dos 2 milhões de habitantes se concentra agora na Cidade de Gaza, na cidade central de Deir al-Balah e em grandes acampamentos na área de Muwasi, ao longo da costa.
A ofensiva matou mais de 61.000 palestinos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, que não diz quantos eram combatentes ou civis. O ministério, que faz parte do governo controlado pelo Hamas e é composto por profissionais médicos, afirma que mulheres e crianças representam cerca de metade dos mortos. As Nações Unidas e outros especialistas consideram suas estimativas de vítimas as mais confiáveis, enquanto Israel as contesta.
Ismail Zaydah disse que ele e sua família permaneceram na Cidade de Gaza durante toda a guerra.
“Esta é nossa terra, não temos outro lugar para onde ir”, disse ele. “Não estamos nos rendendo... Nós nascemos aqui, e aqui morremos.”
‘Este louco chamado Netanyahu’
Militantes liderados pelo Hamas sequestraram 251 pessoas no ataque de 7 de outubro de 2023 que iniciou à guerra e matou cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis. Embora a maioria dos reféns tenha sido libertada em cessar-fogos ou outros acordos, 50 ainda estão em Gaza, menos da metade deles considerados vivos por Israel.
Familiares de muitos dos reféns e seus apoiadores protestaram repetidamente contra a continuação da guerra, exigindo que Israel alcance um cessar-fogo com o Hamas que incluiria o retorno de seus entes queridos. As negociações foram interrompidas no mês passado.
“Alguém tem que parar esse louco chamado Netanyahu”, disse Yehuda Cohen, cujo filho Nimrod está sendo mantido refém. Ele disse que a fé na ajuda dos Estados Unidos também está diminuindo. “Perdi a esperança em Donald Trump... ele está deixando Netanyahu fazer o que quiser”, ele disse.
Mas outros israelenses manifestaram apoio à decisão.
“Eles precisam ir atrás do Hamas”, disse Susan Makin, moradora Tel Aviv. “Por que não estão perguntando por que o Hamas não devolveu os reféns e largou as armas?”
A agonia em torno da situação dos reféns piorou nos últimos dias, depois que militantes palestinos divulgaram vídeos mostrando dois dos reféns visivelmente debilitados e implorando por suas vidas. As famílias temem que seus entes queridos, que podem estar sendo mantidos em outras partes de Gaza, estejam ficando sem tempo.
Amir Avivi, general israelense aposentado e presidente do Fórum de Defesa e Segurança de Israel, disse que há alguns reféns na Cidade de Gaza e que o exército terá que decidir como lidar com a situação. Uma opção, segundo ele, seria cercar as áreas e negociar diretamente com os sequestradores; outra, não mexer nessas regiões. Sob pressão, o Hamas pode decidir libertar os reféns, disse ele.
Essa estratégia tem grande risco. No ano passado, forças israelenses recuperaram os corpos de seis reféns que foram mortos por seus sequestradores quando as tropas se aproximaram do túnel onde estavam sendo mantidos./AP
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