Por que esta foi uma semana profundamente sinistra para as agências de espionagem?


Injetar política na coleta de inteligência profissional não vai manter os americanos em segurança

Por David Ignatius (The Washington Post)

Quando Richard Helms, o lendário diretor da CIA, encontrava dificuldades em casa ou no exterior, escreve o biógrafo Thomas Powers, a resposta característica dele era: “Vamos em frente”.

Mas essa confiança fria se torna impossível se os oficiais de inteligência estiverem constantemente olhando por cima dos ombros, imaginando o que a Casa Branca pensa. Helms enfrentou a pressão máxima quando o presidente Richard M. Nixon exigiu que a CIA encobrisse o escândalo do Watergate. Ele se recusou a fazê-lo e foi convidado a renunciar.

A politização é um veneno especial para oficiais de inteligência e segurança nacional. Ela distorce o julgamento e encoraja relatórios falsos ou enganosos. Ela recompensa aqueles que bajulam e pune aqueles que dizem a verdade. No fim, ela leva à paralisia, pois os oficiais ficam com medo de tomar qualquer medida que possa colocá-los em apuros.

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Imagem mostra brasão da CIA, a agência de espionagem dos EUA, no escritório do Estado da Virgínia. Decisões da Casa Branca afetam inteligência americana Foto: Bill O'leary/The Washington Post

Esse veneno agora está se infiltrando na comunidade de inteligência, após intervenções da Casa Branca na semana passada que descarrilaram profissionais experientes na NSA, na NSC e na CIA. As vítimas não fazem parte de algum tipo de “estado profundo” imaginário. Eles são funcionários veteranos das agências que protegem os americanos de catástrofes.

A vítima mais importante é o general Timothy Haugh, chefe da Agência de Segurança Nacional e do Comando Cibernético dos EUA. Ele foi informado na quinta feira, enquanto viajava para o exterior, que havia sido demitido. Haugh era alvo da ativista de direita Laura Loomer, que se reuniu com o presidente Donald Trump na quarta feira para reclamar de membros de sua equipe de segurança nacional. Haugh, que liderava a agência de inteligência mais poderosa do país, foi vaporizado no que parece ter sido uma cruzada política.

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O crime de Haugh, aparentemente, foi ter sido escolhido pelo governo Biden e recomendado pelo general aposentado Mark A. Milley, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto. Loomer postou na sexta feira no X: “Sendo nomeado por Biden, o general Haugh não tinha lugar servindo no governo Trump, dado o fato de que ele foi ESCOLHIDO A DEDO pelo general Milley, que foi acusado de cometer traição pelo presidente Trump.”

Loomer também derrubou vários alvos na equipe do Conselho de Segurança Nacional, de acordo com o New York Times. Enquanto o conselheiro de segurança nacional, Michael Waltz, ouvia impotente, ela atacou membros de sua equipe que estariam fora pouco mais de 24 horas depois. Waltz sobreviveu, junto com seu vice em apuros, Alex Wong. Mas será difícil para Waltz executar um processo interinstitucional eficaz se ele não puder gerenciar sua própria equipe sem sofrer interferência.

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O diretor da CIA, John Ratcliffe, também parece algemado pela pressão política. Ele havia selecionado Ralph Goff, um oficial aposentado amplamente respeitado e seis vezes chefe de estação, para comandar a diretoria de operações, que administra atividades de espionagem no exterior. A escolha foi popular entre os atuais oficiais da CIA e o grupo vocal de ex-funcionários da agência. Vários falaram de Goff como um pragmático e um profissional que poderia ajudar Ratcliffe a reconstruir as operações. Um veterano o caracterizou como “um verdadeiro patriota” e “não alguém meramente leal a Trump”. Mas talvez esse tenha sido o problema.

Na segunda feira, começaram a circular rumores de que Goff estava fora do cargo e, na quarta feira, o Politico publicou uma história de que sua nomeação havia sido retirada. O moral da CIA, já abalado, foi afundado pelas notícias. Um ex-oficial que falou com vários colegas em Langley explicou que o incidente foi visto como “um reflexo de que Ratcliffe não tem absolutamente nenhuma influência na Casa Branca. Esta foi uma escolha de Ratcliffe que foi publicamente descarrilada. Estão todos mortificados”.

Goff não respondeu aos meus pedidos de comentário e, por isso, não posso fornecer detalhes a respeito do que aconteceu. Mas ex-oficiais notaram suas expressões de apoio à Ucrânia. A mais recente ocorreu na segunda feira, quando Goff postou no LinkedIn um artigo do New York Times sobre um comentário do deputado republicano Don Bacon, do Nebraska, com o título “Colegas republicanos e presidente Trump, devemos enfrentar Putin”.

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Imagem do dia 25 de março mostra o diretor da CIA, John Ratcliffe (à dir.), ao lado da diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, e do diretor do FBI, Kash Patel. Cúpula de segurança dos EUA sofre pressão política Foto: J. Scott Applewhite/AP

Apoiar a Ucrânia contra a agressão russa se tornou politicamente inaceitável no governo Trump? Goff disse ao deputado republicano Dan Crenshaw, do Texas, em um podcast de 29 de março, “Para deixar bem claro: sou muito pró-Ucrânia”. Ele disse que visitava o país a cada três ou quatro meses em trabalho de consultoria desde sua aposentadoria. Mas ele expressou apoio aos esforços de Trump para negociar um acordo, dizendo a Crenshaw que a Ucrânia estava “sangrando”.

Ratcliffe disse durante suas audiências de confirmação que quer reconstruir as operações clandestinas da CIA. Vários veteranos do alto escalão da agência descreveram Goff como precisamente o tipo de ex-oficial experiente que poderia ajudar nisso. Em um podcast de janeiro com o Cipher Brief, Goff desafiou o esforço de “modernização” do ex-diretor John Brennan que buscava misturar analistas e operadores nos chamados centros de missão, apesar das grandes diferenças entre as duas disciplinas.

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Descrevendo os objetivos do governo, Goff disse: “Se tirarmos do caminho todas as críticas à ‘lacração’ e as críticas às conspiração do estado profundo e coisas do tipo... vemos que eles querem retornar o equilíbrio e permitir que as pessoas façam os trabalhos que foram contratadas, examinadas e treinadas para fazer e o trabalho que se espera delas”. Não é de se admirar que Ratcliffe o quisesse para o cargo. Que pena que ele não vai ficar com o emprego.

As agências de inteligência precisam de lideranças competentes porque um presidente precisa que elas ajam rápida e decisivamente em uma crise. George J. Tenet, outro ex-diretor da CIA, disse em uma entrevista de 2002, após o 11 de setembro: “O presidente dos Estados Unidos nunca toleraria nada além do nosso julgamento mais sincero. Nossa credibilidade e integridade são nossas mercadorias mais preciosas.”

É assim que deveria funcionar. Mas o que dava para sentir entre os veteranos da comunidade de inteligência na semana passada foi medo — do próximo expurgo, do próximo decreto político, do próximo passo na estrada em direção ao desastre. /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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Quando Richard Helms, o lendário diretor da CIA, encontrava dificuldades em casa ou no exterior, escreve o biógrafo Thomas Powers, a resposta característica dele era: “Vamos em frente”.

Mas essa confiança fria se torna impossível se os oficiais de inteligência estiverem constantemente olhando por cima dos ombros, imaginando o que a Casa Branca pensa. Helms enfrentou a pressão máxima quando o presidente Richard M. Nixon exigiu que a CIA encobrisse o escândalo do Watergate. Ele se recusou a fazê-lo e foi convidado a renunciar.

A politização é um veneno especial para oficiais de inteligência e segurança nacional. Ela distorce o julgamento e encoraja relatórios falsos ou enganosos. Ela recompensa aqueles que bajulam e pune aqueles que dizem a verdade. No fim, ela leva à paralisia, pois os oficiais ficam com medo de tomar qualquer medida que possa colocá-los em apuros.

Imagem mostra brasão da CIA, a agência de espionagem dos EUA, no escritório do Estado da Virgínia. Decisões da Casa Branca afetam inteligência americana Foto: Bill O'leary/The Washington Post

Esse veneno agora está se infiltrando na comunidade de inteligência, após intervenções da Casa Branca na semana passada que descarrilaram profissionais experientes na NSA, na NSC e na CIA. As vítimas não fazem parte de algum tipo de “estado profundo” imaginário. Eles são funcionários veteranos das agências que protegem os americanos de catástrofes.

A vítima mais importante é o general Timothy Haugh, chefe da Agência de Segurança Nacional e do Comando Cibernético dos EUA. Ele foi informado na quinta feira, enquanto viajava para o exterior, que havia sido demitido. Haugh era alvo da ativista de direita Laura Loomer, que se reuniu com o presidente Donald Trump na quarta feira para reclamar de membros de sua equipe de segurança nacional. Haugh, que liderava a agência de inteligência mais poderosa do país, foi vaporizado no que parece ter sido uma cruzada política.

O crime de Haugh, aparentemente, foi ter sido escolhido pelo governo Biden e recomendado pelo general aposentado Mark A. Milley, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto. Loomer postou na sexta feira no X: “Sendo nomeado por Biden, o general Haugh não tinha lugar servindo no governo Trump, dado o fato de que ele foi ESCOLHIDO A DEDO pelo general Milley, que foi acusado de cometer traição pelo presidente Trump.”

Loomer também derrubou vários alvos na equipe do Conselho de Segurança Nacional, de acordo com o New York Times. Enquanto o conselheiro de segurança nacional, Michael Waltz, ouvia impotente, ela atacou membros de sua equipe que estariam fora pouco mais de 24 horas depois. Waltz sobreviveu, junto com seu vice em apuros, Alex Wong. Mas será difícil para Waltz executar um processo interinstitucional eficaz se ele não puder gerenciar sua própria equipe sem sofrer interferência.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, também parece algemado pela pressão política. Ele havia selecionado Ralph Goff, um oficial aposentado amplamente respeitado e seis vezes chefe de estação, para comandar a diretoria de operações, que administra atividades de espionagem no exterior. A escolha foi popular entre os atuais oficiais da CIA e o grupo vocal de ex-funcionários da agência. Vários falaram de Goff como um pragmático e um profissional que poderia ajudar Ratcliffe a reconstruir as operações. Um veterano o caracterizou como “um verdadeiro patriota” e “não alguém meramente leal a Trump”. Mas talvez esse tenha sido o problema.

Na segunda feira, começaram a circular rumores de que Goff estava fora do cargo e, na quarta feira, o Politico publicou uma história de que sua nomeação havia sido retirada. O moral da CIA, já abalado, foi afundado pelas notícias. Um ex-oficial que falou com vários colegas em Langley explicou que o incidente foi visto como “um reflexo de que Ratcliffe não tem absolutamente nenhuma influência na Casa Branca. Esta foi uma escolha de Ratcliffe que foi publicamente descarrilada. Estão todos mortificados”.

Goff não respondeu aos meus pedidos de comentário e, por isso, não posso fornecer detalhes a respeito do que aconteceu. Mas ex-oficiais notaram suas expressões de apoio à Ucrânia. A mais recente ocorreu na segunda feira, quando Goff postou no LinkedIn um artigo do New York Times sobre um comentário do deputado republicano Don Bacon, do Nebraska, com o título “Colegas republicanos e presidente Trump, devemos enfrentar Putin”.

Imagem do dia 25 de março mostra o diretor da CIA, John Ratcliffe (à dir.), ao lado da diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, e do diretor do FBI, Kash Patel. Cúpula de segurança dos EUA sofre pressão política Foto: J. Scott Applewhite/AP

Apoiar a Ucrânia contra a agressão russa se tornou politicamente inaceitável no governo Trump? Goff disse ao deputado republicano Dan Crenshaw, do Texas, em um podcast de 29 de março, “Para deixar bem claro: sou muito pró-Ucrânia”. Ele disse que visitava o país a cada três ou quatro meses em trabalho de consultoria desde sua aposentadoria. Mas ele expressou apoio aos esforços de Trump para negociar um acordo, dizendo a Crenshaw que a Ucrânia estava “sangrando”.

Ratcliffe disse durante suas audiências de confirmação que quer reconstruir as operações clandestinas da CIA. Vários veteranos do alto escalão da agência descreveram Goff como precisamente o tipo de ex-oficial experiente que poderia ajudar nisso. Em um podcast de janeiro com o Cipher Brief, Goff desafiou o esforço de “modernização” do ex-diretor John Brennan que buscava misturar analistas e operadores nos chamados centros de missão, apesar das grandes diferenças entre as duas disciplinas.

Descrevendo os objetivos do governo, Goff disse: “Se tirarmos do caminho todas as críticas à ‘lacração’ e as críticas às conspiração do estado profundo e coisas do tipo... vemos que eles querem retornar o equilíbrio e permitir que as pessoas façam os trabalhos que foram contratadas, examinadas e treinadas para fazer e o trabalho que se espera delas”. Não é de se admirar que Ratcliffe o quisesse para o cargo. Que pena que ele não vai ficar com o emprego.

As agências de inteligência precisam de lideranças competentes porque um presidente precisa que elas ajam rápida e decisivamente em uma crise. George J. Tenet, outro ex-diretor da CIA, disse em uma entrevista de 2002, após o 11 de setembro: “O presidente dos Estados Unidos nunca toleraria nada além do nosso julgamento mais sincero. Nossa credibilidade e integridade são nossas mercadorias mais preciosas.”

É assim que deveria funcionar. Mas o que dava para sentir entre os veteranos da comunidade de inteligência na semana passada foi medo — do próximo expurgo, do próximo decreto político, do próximo passo na estrada em direção ao desastre. /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Quando Richard Helms, o lendário diretor da CIA, encontrava dificuldades em casa ou no exterior, escreve o biógrafo Thomas Powers, a resposta característica dele era: “Vamos em frente”.

Mas essa confiança fria se torna impossível se os oficiais de inteligência estiverem constantemente olhando por cima dos ombros, imaginando o que a Casa Branca pensa. Helms enfrentou a pressão máxima quando o presidente Richard M. Nixon exigiu que a CIA encobrisse o escândalo do Watergate. Ele se recusou a fazê-lo e foi convidado a renunciar.

A politização é um veneno especial para oficiais de inteligência e segurança nacional. Ela distorce o julgamento e encoraja relatórios falsos ou enganosos. Ela recompensa aqueles que bajulam e pune aqueles que dizem a verdade. No fim, ela leva à paralisia, pois os oficiais ficam com medo de tomar qualquer medida que possa colocá-los em apuros.

Imagem mostra brasão da CIA, a agência de espionagem dos EUA, no escritório do Estado da Virgínia. Decisões da Casa Branca afetam inteligência americana Foto: Bill O'leary/The Washington Post

Esse veneno agora está se infiltrando na comunidade de inteligência, após intervenções da Casa Branca na semana passada que descarrilaram profissionais experientes na NSA, na NSC e na CIA. As vítimas não fazem parte de algum tipo de “estado profundo” imaginário. Eles são funcionários veteranos das agências que protegem os americanos de catástrofes.

A vítima mais importante é o general Timothy Haugh, chefe da Agência de Segurança Nacional e do Comando Cibernético dos EUA. Ele foi informado na quinta feira, enquanto viajava para o exterior, que havia sido demitido. Haugh era alvo da ativista de direita Laura Loomer, que se reuniu com o presidente Donald Trump na quarta feira para reclamar de membros de sua equipe de segurança nacional. Haugh, que liderava a agência de inteligência mais poderosa do país, foi vaporizado no que parece ter sido uma cruzada política.

O crime de Haugh, aparentemente, foi ter sido escolhido pelo governo Biden e recomendado pelo general aposentado Mark A. Milley, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto. Loomer postou na sexta feira no X: “Sendo nomeado por Biden, o general Haugh não tinha lugar servindo no governo Trump, dado o fato de que ele foi ESCOLHIDO A DEDO pelo general Milley, que foi acusado de cometer traição pelo presidente Trump.”

Loomer também derrubou vários alvos na equipe do Conselho de Segurança Nacional, de acordo com o New York Times. Enquanto o conselheiro de segurança nacional, Michael Waltz, ouvia impotente, ela atacou membros de sua equipe que estariam fora pouco mais de 24 horas depois. Waltz sobreviveu, junto com seu vice em apuros, Alex Wong. Mas será difícil para Waltz executar um processo interinstitucional eficaz se ele não puder gerenciar sua própria equipe sem sofrer interferência.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, também parece algemado pela pressão política. Ele havia selecionado Ralph Goff, um oficial aposentado amplamente respeitado e seis vezes chefe de estação, para comandar a diretoria de operações, que administra atividades de espionagem no exterior. A escolha foi popular entre os atuais oficiais da CIA e o grupo vocal de ex-funcionários da agência. Vários falaram de Goff como um pragmático e um profissional que poderia ajudar Ratcliffe a reconstruir as operações. Um veterano o caracterizou como “um verdadeiro patriota” e “não alguém meramente leal a Trump”. Mas talvez esse tenha sido o problema.

Na segunda feira, começaram a circular rumores de que Goff estava fora do cargo e, na quarta feira, o Politico publicou uma história de que sua nomeação havia sido retirada. O moral da CIA, já abalado, foi afundado pelas notícias. Um ex-oficial que falou com vários colegas em Langley explicou que o incidente foi visto como “um reflexo de que Ratcliffe não tem absolutamente nenhuma influência na Casa Branca. Esta foi uma escolha de Ratcliffe que foi publicamente descarrilada. Estão todos mortificados”.

Goff não respondeu aos meus pedidos de comentário e, por isso, não posso fornecer detalhes a respeito do que aconteceu. Mas ex-oficiais notaram suas expressões de apoio à Ucrânia. A mais recente ocorreu na segunda feira, quando Goff postou no LinkedIn um artigo do New York Times sobre um comentário do deputado republicano Don Bacon, do Nebraska, com o título “Colegas republicanos e presidente Trump, devemos enfrentar Putin”.

Imagem do dia 25 de março mostra o diretor da CIA, John Ratcliffe (à dir.), ao lado da diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, e do diretor do FBI, Kash Patel. Cúpula de segurança dos EUA sofre pressão política Foto: J. Scott Applewhite/AP

Apoiar a Ucrânia contra a agressão russa se tornou politicamente inaceitável no governo Trump? Goff disse ao deputado republicano Dan Crenshaw, do Texas, em um podcast de 29 de março, “Para deixar bem claro: sou muito pró-Ucrânia”. Ele disse que visitava o país a cada três ou quatro meses em trabalho de consultoria desde sua aposentadoria. Mas ele expressou apoio aos esforços de Trump para negociar um acordo, dizendo a Crenshaw que a Ucrânia estava “sangrando”.

Ratcliffe disse durante suas audiências de confirmação que quer reconstruir as operações clandestinas da CIA. Vários veteranos do alto escalão da agência descreveram Goff como precisamente o tipo de ex-oficial experiente que poderia ajudar nisso. Em um podcast de janeiro com o Cipher Brief, Goff desafiou o esforço de “modernização” do ex-diretor John Brennan que buscava misturar analistas e operadores nos chamados centros de missão, apesar das grandes diferenças entre as duas disciplinas.

Descrevendo os objetivos do governo, Goff disse: “Se tirarmos do caminho todas as críticas à ‘lacração’ e as críticas às conspiração do estado profundo e coisas do tipo... vemos que eles querem retornar o equilíbrio e permitir que as pessoas façam os trabalhos que foram contratadas, examinadas e treinadas para fazer e o trabalho que se espera delas”. Não é de se admirar que Ratcliffe o quisesse para o cargo. Que pena que ele não vai ficar com o emprego.

As agências de inteligência precisam de lideranças competentes porque um presidente precisa que elas ajam rápida e decisivamente em uma crise. George J. Tenet, outro ex-diretor da CIA, disse em uma entrevista de 2002, após o 11 de setembro: “O presidente dos Estados Unidos nunca toleraria nada além do nosso julgamento mais sincero. Nossa credibilidade e integridade são nossas mercadorias mais preciosas.”

É assim que deveria funcionar. Mas o que dava para sentir entre os veteranos da comunidade de inteligência na semana passada foi medo — do próximo expurgo, do próximo decreto político, do próximo passo na estrada em direção ao desastre. /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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