Como comprar uma motocicleta usada e evitar dor de cabeça


Documentação, motor, chassi e histórico de manutenção estão entre os itens que merecem atenção antes de fechar negócio

Por Laner Azevedo
Atualização:

Comprar uma motocicleta usada pode ser uma das formas mais inteligentes de entrar no mundo das duas rodas sem esvaziar a conta bancária. Mas também pode ser a maneira mais rápida de descobrir que o antigo dono era adepto de improvisos mecânicos, quedas mal explicadas e manutenção baseada na fé.

Para evitar surpresas desagradáveis, vale seguir alguns passos simples antes de fechar negócio. E é isso que você vai ver nesta reportagem do Jornal do Carro.

Faça contas

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Antes de se apaixonar pela moto da foto, defina quanto pode gastar. E atenção: o valor da compra é apenas o começo da história.

Inclua no orçamento a transferência de propriedade, taxas do Detran, possíveis débitos pendentes, licenciamento e uma revisão preventiva logo após a aquisição.

Aquela moto aparentemente barata pode deixar de ser uma pechincha quando você soma pneus novos, bateria, freios e documentação atrasada.

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Loja ou particular?

Comprar em loja ou concessionária normalmente custa mais caro, mas costuma oferecer alguma garantia, geralmente para motor e câmbio.

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Já a compra direta de um proprietário tende a ser mais barata, mas o risco também é maior.

Em resumo: você escolhe entre pagar um pouco mais por segurança ou economizar assumindo uma parcela maior de risco.

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Colocamos frente a frente três das motos mais desejadas do segmento: Honda Sahara 300, Yamaha Lander 250 e Royal Enfield Himalayan 450.

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A análise começa nos anúncios

As fotos revelam muito mais do que a cor da moto. Anúncios bem produzidos, com imagens nítidas e vários ângulos, costumam indicar cuidado por parte do proprietário.

Observe detalhes como riscos, amassados, peças desalinhadas ou defeitos que não aparecem na descrição.

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Se faltar alguma foto importante, peça ao vendedor. Se ele desaparecer ou inventar desculpas, talvez a melhor negociação seja justamente não negociar.

Outro ponto fundamental é comparar o preço com a tabela FIPE. Valores muito acima ou muito abaixo da média merecem atenção. No mercado de usados, milagres costumam vir acompanhados de explicações interessantes.

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Neste vídeo: Como anda a Royal Enfield Bear 650 Diferenças para a Interceptor 650 Motor bicilíndrico de 47 cv Suspensão e ciclística Equipamentos e tecnologia

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Quilometragem: nem sempre ela conta toda a história

Muita gente olha apenas para o hodômetro, mas a quilometragem isolada não determina o estado da motocicleta.

Uma boa dica é dividir a quilometragem total pela idade da moto. Uma média anual entre 6 mil e 7 mil quilômetros pode indicar uso moderado, mesmo que o número total pareça elevado.

Em motos de uso predominantemente urbano, médias menores também são comuns. Por isso, a quilometragem deve ser analisada sempre em conjunto com o estado geral do veículo.

Mais importante do que os quilômetros rodados é verificar se a manutenção foi realizada corretamente. Afinal, existe moto com baixa quilometragem que passou anos abandonada e moto muito rodada que recebeu cuidados impecáveis.

3ª geração: 1989 a 1993 Foto: Divulgação | Honda

Hora da inspeção presencial

Se a moto passou na triagem online, chegou a hora de vê-la pessoalmente.

O ideal é marcar a visita durante o dia, levar alguém junto e evitar qualquer tipo de pressa.

Ande ao redor da motocicleta observando riscos, ralados, amassados e diferenças de tonalidade na pintura.

Uma pintura excessivamente nova em uma moto antiga merece investigação. Pode ser apenas uma questão estética, mas também pode estar escondendo algum histórico de acidente.

O chassi costuma contar a verdadeira história da moto

O chassi é um dos principais elementos a serem examinados.

Trincas, soldas, deformações, repinturas localizadas ou marcas de reparos podem indicar acidentes sérios.

Confira também se os números do chassi, da placa e da documentação coincidem.

Aproveite para verificar possíveis multas, restrições administrativas, financiamento ativo ou histórico de leilão.

Quando o assunto é documentação, a confiança é ótima. A conferência é melhor ainda.

Sinais de tombos e colisões

Pedaleiras tortas, manetes raspados, comandos empenados e parafusos substituídos podem denunciar quedas anteriores.

Claro que um pequeno tombo parado não transforma uma moto em sucata. O problema é quando os sinais aparecem em vários pontos ao mesmo tempo, sugerindo impactos mais fortes.

Observe também o alinhamento geral da motocicleta. Guidão, rodas, tanque, carenagens e traseira devem estar visualmente alinhados.

Suspensão, rodas e direção

As suspensões não podem apresentar vazamentos de óleo, empenamentos ou marcas excessivas de ferramentas.

As rodas devem girar sem oscilações, sem folgas nos rolamentos e sem raios frouxos, no caso das versões com rodas raiadas.

Já a direção precisa funcionar suavemente, sem travamentos ou folgas.

Qualquer comportamento estranho compromete diretamente a segurança.

Pneus, freios e transmissão

Pneus rachados, ressecados ou com sulcos muito rasos exigem substituição imediata.

Verifique também a data de fabricação e o nível de desgaste.

Nos freios, tudo deve funcionar perfeitamente. Manetes e pedais precisam se mover livremente. Vazamentos, discos muito desgastados e pastilhas no fim da vida útil significam gastos futuros.

Vale lembrar uma verdade universal do motociclismo: acelerar é divertido, mas parar é indispensável.

A transmissão — corrente, coroa e pinhão — também merece atenção.

Desgaste excessivo não só pode aumentar o consumo de combustível, como representa uma despesa praticamente certa logo após a compra.

O teste da partida

Peça para ligar a moto com o motor completamente frio.

Um motor já aquecido pode esconder dificuldades de partida.

A motocicleta deve funcionar rapidamente e manter marcha lenta estável.

Se o arranque parecer sofrer demais ou as luzes enfraquecerem durante a partida, a bateria pode estar perto do fim da vida útil.

Escute o motor

Depois de ligada, deixe a moto funcionando por alguns minutos.

Ruídos metálicos, batidas internas, fumaça persistente ou vazamentos de óleo são sinais claros de alerta.

Fumaça branca nos primeiros minutos de uma manhã fria pode ser apenas condensação. Já fumaça azulada costuma indicar queima de óleo e possíveis problemas internos no motor.

Observe também o estado do lubrificante.

Óleo excessivamente escuro, muito grosso ou abaixo do nível recomendado pode indicar falta de manutenção.

Não esqueça da elétrica

Teste tudo: farol alto e baixo, piscas, lanterna, luz de freio, iluminação da placa e painel.

Pode parecer detalhe, mas problemas elétricos costumam consumir tempo, dinheiro e paciência em proporções surpreendentes.

Faça um test ride

Se possível, dê uma volta com a motocicleta.

Além de verificar embreagem, câmbio, freios e suspensão em funcionamento, você descobrirá se a moto realmente combina com seu estilo de pilotagem.

Uma motocicleta pode ser excelente no papel, mas se não for confortável para você, a relação dificilmente será duradoura.

A regra de ouro

Comprar uma motocicleta usada exige atenção, mas não precisa ser um bicho de sete cabeças.

Analise documentos, observe os detalhes, faça perguntas e desconfie de ofertas milagrosas.

No fim das contas, a melhor compra não é necessariamente a moto mais barata nem a mais brilhante do anúncio.

É aquela que foi bem cuidada, possui histórico transparente e permitirá que você aproveite muitos quilômetros de estrada sem transformar cada passeio em uma aventura mecânica.

Porque emoção sobre duas rodas é exatamente o que todo motociclista procura. Já a emoção de abrir o orçamento da oficina logo após a compra é um tipo de aventura que ninguém precisa viver.

Comprar uma motocicleta usada pode ser uma das formas mais inteligentes de entrar no mundo das duas rodas sem esvaziar a conta bancária. Mas também pode ser a maneira mais rápida de descobrir que o antigo dono era adepto de improvisos mecânicos, quedas mal explicadas e manutenção baseada na fé.

Para evitar surpresas desagradáveis, vale seguir alguns passos simples antes de fechar negócio. E é isso que você vai ver nesta reportagem do Jornal do Carro.

Faça contas

Antes de se apaixonar pela moto da foto, defina quanto pode gastar. E atenção: o valor da compra é apenas o começo da história.

Inclua no orçamento a transferência de propriedade, taxas do Detran, possíveis débitos pendentes, licenciamento e uma revisão preventiva logo após a aquisição.

Aquela moto aparentemente barata pode deixar de ser uma pechincha quando você soma pneus novos, bateria, freios e documentação atrasada.

Loja ou particular?

Comprar em loja ou concessionária normalmente custa mais caro, mas costuma oferecer alguma garantia, geralmente para motor e câmbio.

Já a compra direta de um proprietário tende a ser mais barata, mas o risco também é maior.

Em resumo: você escolhe entre pagar um pouco mais por segurança ou economizar assumindo uma parcela maior de risco.

Seu navegador não suporta esse video.

Colocamos frente a frente três das motos mais desejadas do segmento: Honda Sahara 300, Yamaha Lander 250 e Royal Enfield Himalayan 450.

A análise começa nos anúncios

As fotos revelam muito mais do que a cor da moto. Anúncios bem produzidos, com imagens nítidas e vários ângulos, costumam indicar cuidado por parte do proprietário.

Observe detalhes como riscos, amassados, peças desalinhadas ou defeitos que não aparecem na descrição.

Se faltar alguma foto importante, peça ao vendedor. Se ele desaparecer ou inventar desculpas, talvez a melhor negociação seja justamente não negociar.

Outro ponto fundamental é comparar o preço com a tabela FIPE. Valores muito acima ou muito abaixo da média merecem atenção. No mercado de usados, milagres costumam vir acompanhados de explicações interessantes.

Seu navegador não suporta esse video.

Neste vídeo: Como anda a Royal Enfield Bear 650 Diferenças para a Interceptor 650 Motor bicilíndrico de 47 cv Suspensão e ciclística Equipamentos e tecnologia

Quilometragem: nem sempre ela conta toda a história

Muita gente olha apenas para o hodômetro, mas a quilometragem isolada não determina o estado da motocicleta.

Uma boa dica é dividir a quilometragem total pela idade da moto. Uma média anual entre 6 mil e 7 mil quilômetros pode indicar uso moderado, mesmo que o número total pareça elevado.

Em motos de uso predominantemente urbano, médias menores também são comuns. Por isso, a quilometragem deve ser analisada sempre em conjunto com o estado geral do veículo.

Mais importante do que os quilômetros rodados é verificar se a manutenção foi realizada corretamente. Afinal, existe moto com baixa quilometragem que passou anos abandonada e moto muito rodada que recebeu cuidados impecáveis.

3ª geração: 1989 a 1993 Foto: Divulgação | Honda

Hora da inspeção presencial

Se a moto passou na triagem online, chegou a hora de vê-la pessoalmente.

O ideal é marcar a visita durante o dia, levar alguém junto e evitar qualquer tipo de pressa.

Ande ao redor da motocicleta observando riscos, ralados, amassados e diferenças de tonalidade na pintura.

Uma pintura excessivamente nova em uma moto antiga merece investigação. Pode ser apenas uma questão estética, mas também pode estar escondendo algum histórico de acidente.

O chassi costuma contar a verdadeira história da moto

O chassi é um dos principais elementos a serem examinados.

Trincas, soldas, deformações, repinturas localizadas ou marcas de reparos podem indicar acidentes sérios.

Confira também se os números do chassi, da placa e da documentação coincidem.

Aproveite para verificar possíveis multas, restrições administrativas, financiamento ativo ou histórico de leilão.

Quando o assunto é documentação, a confiança é ótima. A conferência é melhor ainda.

Sinais de tombos e colisões

Pedaleiras tortas, manetes raspados, comandos empenados e parafusos substituídos podem denunciar quedas anteriores.

Claro que um pequeno tombo parado não transforma uma moto em sucata. O problema é quando os sinais aparecem em vários pontos ao mesmo tempo, sugerindo impactos mais fortes.

Observe também o alinhamento geral da motocicleta. Guidão, rodas, tanque, carenagens e traseira devem estar visualmente alinhados.

Suspensão, rodas e direção

As suspensões não podem apresentar vazamentos de óleo, empenamentos ou marcas excessivas de ferramentas.

As rodas devem girar sem oscilações, sem folgas nos rolamentos e sem raios frouxos, no caso das versões com rodas raiadas.

Já a direção precisa funcionar suavemente, sem travamentos ou folgas.

Qualquer comportamento estranho compromete diretamente a segurança.

Pneus, freios e transmissão

Pneus rachados, ressecados ou com sulcos muito rasos exigem substituição imediata.

Verifique também a data de fabricação e o nível de desgaste.

Nos freios, tudo deve funcionar perfeitamente. Manetes e pedais precisam se mover livremente. Vazamentos, discos muito desgastados e pastilhas no fim da vida útil significam gastos futuros.

Vale lembrar uma verdade universal do motociclismo: acelerar é divertido, mas parar é indispensável.

A transmissão — corrente, coroa e pinhão — também merece atenção.

Desgaste excessivo não só pode aumentar o consumo de combustível, como representa uma despesa praticamente certa logo após a compra.

O teste da partida

Peça para ligar a moto com o motor completamente frio.

Um motor já aquecido pode esconder dificuldades de partida.

A motocicleta deve funcionar rapidamente e manter marcha lenta estável.

Se o arranque parecer sofrer demais ou as luzes enfraquecerem durante a partida, a bateria pode estar perto do fim da vida útil.

Escute o motor

Depois de ligada, deixe a moto funcionando por alguns minutos.

Ruídos metálicos, batidas internas, fumaça persistente ou vazamentos de óleo são sinais claros de alerta.

Fumaça branca nos primeiros minutos de uma manhã fria pode ser apenas condensação. Já fumaça azulada costuma indicar queima de óleo e possíveis problemas internos no motor.

Observe também o estado do lubrificante.

Óleo excessivamente escuro, muito grosso ou abaixo do nível recomendado pode indicar falta de manutenção.

Não esqueça da elétrica

Teste tudo: farol alto e baixo, piscas, lanterna, luz de freio, iluminação da placa e painel.

Pode parecer detalhe, mas problemas elétricos costumam consumir tempo, dinheiro e paciência em proporções surpreendentes.

Faça um test ride

Se possível, dê uma volta com a motocicleta.

Além de verificar embreagem, câmbio, freios e suspensão em funcionamento, você descobrirá se a moto realmente combina com seu estilo de pilotagem.

Uma motocicleta pode ser excelente no papel, mas se não for confortável para você, a relação dificilmente será duradoura.

A regra de ouro

Comprar uma motocicleta usada exige atenção, mas não precisa ser um bicho de sete cabeças.

Analise documentos, observe os detalhes, faça perguntas e desconfie de ofertas milagrosas.

No fim das contas, a melhor compra não é necessariamente a moto mais barata nem a mais brilhante do anúncio.

É aquela que foi bem cuidada, possui histórico transparente e permitirá que você aproveite muitos quilômetros de estrada sem transformar cada passeio em uma aventura mecânica.

Porque emoção sobre duas rodas é exatamente o que todo motociclista procura. Já a emoção de abrir o orçamento da oficina logo após a compra é um tipo de aventura que ninguém precisa viver.

Comprar uma motocicleta usada pode ser uma das formas mais inteligentes de entrar no mundo das duas rodas sem esvaziar a conta bancária. Mas também pode ser a maneira mais rápida de descobrir que o antigo dono era adepto de improvisos mecânicos, quedas mal explicadas e manutenção baseada na fé.

Para evitar surpresas desagradáveis, vale seguir alguns passos simples antes de fechar negócio. E é isso que você vai ver nesta reportagem do Jornal do Carro.

Faça contas

Antes de se apaixonar pela moto da foto, defina quanto pode gastar. E atenção: o valor da compra é apenas o começo da história.

Inclua no orçamento a transferência de propriedade, taxas do Detran, possíveis débitos pendentes, licenciamento e uma revisão preventiva logo após a aquisição.

Aquela moto aparentemente barata pode deixar de ser uma pechincha quando você soma pneus novos, bateria, freios e documentação atrasada.

Loja ou particular?

Comprar em loja ou concessionária normalmente custa mais caro, mas costuma oferecer alguma garantia, geralmente para motor e câmbio.

Já a compra direta de um proprietário tende a ser mais barata, mas o risco também é maior.

Em resumo: você escolhe entre pagar um pouco mais por segurança ou economizar assumindo uma parcela maior de risco.

Seu navegador não suporta esse video.

Colocamos frente a frente três das motos mais desejadas do segmento: Honda Sahara 300, Yamaha Lander 250 e Royal Enfield Himalayan 450.

A análise começa nos anúncios

As fotos revelam muito mais do que a cor da moto. Anúncios bem produzidos, com imagens nítidas e vários ângulos, costumam indicar cuidado por parte do proprietário.

Observe detalhes como riscos, amassados, peças desalinhadas ou defeitos que não aparecem na descrição.

Se faltar alguma foto importante, peça ao vendedor. Se ele desaparecer ou inventar desculpas, talvez a melhor negociação seja justamente não negociar.

Outro ponto fundamental é comparar o preço com a tabela FIPE. Valores muito acima ou muito abaixo da média merecem atenção. No mercado de usados, milagres costumam vir acompanhados de explicações interessantes.

Seu navegador não suporta esse video.

Neste vídeo: Como anda a Royal Enfield Bear 650 Diferenças para a Interceptor 650 Motor bicilíndrico de 47 cv Suspensão e ciclística Equipamentos e tecnologia

Quilometragem: nem sempre ela conta toda a história

Muita gente olha apenas para o hodômetro, mas a quilometragem isolada não determina o estado da motocicleta.

Uma boa dica é dividir a quilometragem total pela idade da moto. Uma média anual entre 6 mil e 7 mil quilômetros pode indicar uso moderado, mesmo que o número total pareça elevado.

Em motos de uso predominantemente urbano, médias menores também são comuns. Por isso, a quilometragem deve ser analisada sempre em conjunto com o estado geral do veículo.

Mais importante do que os quilômetros rodados é verificar se a manutenção foi realizada corretamente. Afinal, existe moto com baixa quilometragem que passou anos abandonada e moto muito rodada que recebeu cuidados impecáveis.

3ª geração: 1989 a 1993 Foto: Divulgação | Honda

Hora da inspeção presencial

Se a moto passou na triagem online, chegou a hora de vê-la pessoalmente.

O ideal é marcar a visita durante o dia, levar alguém junto e evitar qualquer tipo de pressa.

Ande ao redor da motocicleta observando riscos, ralados, amassados e diferenças de tonalidade na pintura.

Uma pintura excessivamente nova em uma moto antiga merece investigação. Pode ser apenas uma questão estética, mas também pode estar escondendo algum histórico de acidente.

O chassi costuma contar a verdadeira história da moto

O chassi é um dos principais elementos a serem examinados.

Trincas, soldas, deformações, repinturas localizadas ou marcas de reparos podem indicar acidentes sérios.

Confira também se os números do chassi, da placa e da documentação coincidem.

Aproveite para verificar possíveis multas, restrições administrativas, financiamento ativo ou histórico de leilão.

Quando o assunto é documentação, a confiança é ótima. A conferência é melhor ainda.

Sinais de tombos e colisões

Pedaleiras tortas, manetes raspados, comandos empenados e parafusos substituídos podem denunciar quedas anteriores.

Claro que um pequeno tombo parado não transforma uma moto em sucata. O problema é quando os sinais aparecem em vários pontos ao mesmo tempo, sugerindo impactos mais fortes.

Observe também o alinhamento geral da motocicleta. Guidão, rodas, tanque, carenagens e traseira devem estar visualmente alinhados.

Suspensão, rodas e direção

As suspensões não podem apresentar vazamentos de óleo, empenamentos ou marcas excessivas de ferramentas.

As rodas devem girar sem oscilações, sem folgas nos rolamentos e sem raios frouxos, no caso das versões com rodas raiadas.

Já a direção precisa funcionar suavemente, sem travamentos ou folgas.

Qualquer comportamento estranho compromete diretamente a segurança.

Pneus, freios e transmissão

Pneus rachados, ressecados ou com sulcos muito rasos exigem substituição imediata.

Verifique também a data de fabricação e o nível de desgaste.

Nos freios, tudo deve funcionar perfeitamente. Manetes e pedais precisam se mover livremente. Vazamentos, discos muito desgastados e pastilhas no fim da vida útil significam gastos futuros.

Vale lembrar uma verdade universal do motociclismo: acelerar é divertido, mas parar é indispensável.

A transmissão — corrente, coroa e pinhão — também merece atenção.

Desgaste excessivo não só pode aumentar o consumo de combustível, como representa uma despesa praticamente certa logo após a compra.

O teste da partida

Peça para ligar a moto com o motor completamente frio.

Um motor já aquecido pode esconder dificuldades de partida.

A motocicleta deve funcionar rapidamente e manter marcha lenta estável.

Se o arranque parecer sofrer demais ou as luzes enfraquecerem durante a partida, a bateria pode estar perto do fim da vida útil.

Escute o motor

Depois de ligada, deixe a moto funcionando por alguns minutos.

Ruídos metálicos, batidas internas, fumaça persistente ou vazamentos de óleo são sinais claros de alerta.

Fumaça branca nos primeiros minutos de uma manhã fria pode ser apenas condensação. Já fumaça azulada costuma indicar queima de óleo e possíveis problemas internos no motor.

Observe também o estado do lubrificante.

Óleo excessivamente escuro, muito grosso ou abaixo do nível recomendado pode indicar falta de manutenção.

Não esqueça da elétrica

Teste tudo: farol alto e baixo, piscas, lanterna, luz de freio, iluminação da placa e painel.

Pode parecer detalhe, mas problemas elétricos costumam consumir tempo, dinheiro e paciência em proporções surpreendentes.

Faça um test ride

Se possível, dê uma volta com a motocicleta.

Além de verificar embreagem, câmbio, freios e suspensão em funcionamento, você descobrirá se a moto realmente combina com seu estilo de pilotagem.

Uma motocicleta pode ser excelente no papel, mas se não for confortável para você, a relação dificilmente será duradoura.

A regra de ouro

Comprar uma motocicleta usada exige atenção, mas não precisa ser um bicho de sete cabeças.

Analise documentos, observe os detalhes, faça perguntas e desconfie de ofertas milagrosas.

No fim das contas, a melhor compra não é necessariamente a moto mais barata nem a mais brilhante do anúncio.

É aquela que foi bem cuidada, possui histórico transparente e permitirá que você aproveite muitos quilômetros de estrada sem transformar cada passeio em uma aventura mecânica.

Porque emoção sobre duas rodas é exatamente o que todo motociclista procura. Já a emoção de abrir o orçamento da oficina logo após a compra é um tipo de aventura que ninguém precisa viver.

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