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Mari Sciotti, cozinheira e empresária, fala sobre os impactos das canetas e o fim do ritual em torno da comida
Mari Sciotti é dona de um restaurante que escolheu colocar os vegetais em primeiro plano, mas nunca quis que seu espaço carregasse a fama de “saudável”. “Eu queria fazer uma comida tesuda, provocadora de desejo”, disse ela sobre o Quincho, consolidado há oito anos como um dos restaurantes mais premiados de São Paulo.
Apesar do manifesto em defesa de uma culinária desejante em torno do rótulo vegetariano, a mesma Mari viu algo se apagar em torno da comida no último ano. Como se o fogo, a vontade, o salivar na espera pelo menu tivessem sido desligados. “Parece que as pessoas perderam o interesse em comer. Certamente, as canetas emagrecedoras trouxeram o maior impacto já assistido na gastronomia.”
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A paulistana, que iniciou a trajetória no mundo da moda antes de fazer da comida seu ganha-pão, é uma das vozes mais ativas na defesa da cozinha como um espaço de potência. Além de empreender na área, também pesquisa comportamento alimentar e fala sem amarras sobre o risco de uma sociedade que estuda o peito de frango em busca da combinação perfeita de nutrientes, mas já não sabe fritar um ovo.
Mari Sciotti
Ela aceitou ser a convidada do Paladar Entrevista (veja vídeo acima) para contar o que tem observado nesse novo capítulo da alimentação, agora escrito também pelas chamadas canetas emagrecedoras — nome popular dado aos medicamentos utilizados com foco na perda de peso.
Segundo Mari, se o cenário não parece muito favorável para quem vive da gastronomia, existe uma rota possível de saída — e até de revolução alimentar. E ela, com certeza, passa pela cozinha de casa. “Estou muito interessada no que está acontecendo em nossas cozinhas. E chamando em alto e bom som: venham todos. Venham os homens. Precisamos ocupar esse lugar.”