O que é metanol? Bebidas alcoólicas adulteradas com a substância causaram mortes em SP
Utilizado na fabricação de tintas e vernizes, produto pode gerar sequelas graves e óbitos quando ingerido. Crédito: Amanda Botelho/Estadão e Motion Array
Indústrias de três Estados foram alvo de fiscalização da Polícia Federal por suspeita de venda de bebida adulterada - o setor tem sido alvo de investigações após relatos de intoxicações por metanol, uma substância tóxica que pode levar à cegueira e até à morte. A ação ocorre nesta sexta-feira, 3, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária, nos seguintes locais:
- Campinas, no interior de SP;
- Chapecó e Joinville, em Santa Catarina;
- Poços de Caldas, em Minas Gerais.
Amostras dos produtos produzidos e armazenados serão encaminhadas a laboratórios para análise químico-sanitária. As verificações buscam identificar a conformidade dos insumos utilizados, a eventual presença de substâncias proibidas, como o metanol, ou em concentrações acima dos limites legais, além de avaliar a rastreabilidade dos lotes e a responsabilidade pela fabricação ou manipulação.
Nos últimos dias, uma força-tarefa das autoridades em São Paulo também tem mirado fábricas clandestinas, além de interditar bares e adegas com suspeita de venda de produtos adulterados.
O setor da coquetelaria e restaurantes, por outro lado, tem reforçado aos seus clientes quais as medidas de prevenção e já veem redução da procura.
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Até o momento, o Brasil tem 59 casos notificados de suspeita de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica, sendo 11 confirmados. Já há casos em investigação em São Paulo, Pernambuco, Distrito Federal e Bahia. Um deles é o rapper Hungria, que está internado em Brasília.

Pode beber destilados? E cervejas?
Na quinta-feira, 2, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recomendou que a população evite o consumo de bebidas alcoólicas destiladas.
“Na condição de ministro e como médico, a recomendação é que se evite ingerir produto destilado, sobretudo os incolores, que você não tenha absoluta certeza da origem. Não estamos falando de um produto essencial para a vida das pessoas” recomendou Padilha." Não faz faz problema nenhum na vida de ninguém evitar o consumo."
O ministro reforçou que a recomendação é sobre bebidas destiladas. Ele explicou que no caso da cerveja, por exemplo, é mais difícil adulterar pelas características da bebida, como gás, tampa descartável, entre outros. “A gente já teve casos de intoxicação em cerveja quando teve uma falha na produção”, disse.
Outros casos sob investigação no Brasil
A Bahia registra o primeiro caso de morte suspeita de intoxicação por metanol no município de Feira de Santana. A informação foi confirmada nesta sexta-feira, 3, pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia e Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana.
A vítima é um motorista de 56 anos. Ele deu entrada na UPA da Queimadinha no dia 28 de setembro e morreu na madrugada desta sexta-feira. Ainda não há informações sobre os sintomas apresentados.
“Amostras biológicas serão coletadas e encaminhadas para análise laboratorial, com resultado previsto em até sete dias, a fim de confirmar ou descartar a hipótese de intoxicação”, disse a secretaria estadual.
A Sesab orientou unidades de saúde públicas e privadas a ficarem atentas para casos de intoxicação por metanol, notificando imediatamente para permitir investigações rápidas e adoção de medidas necessárias.
A secretaria estadual disse ainda que o caso será acompanhado pelas equipes de vigilância do Estado e do município, em articulação com a Secretaria da Segurança Pública do Estado, reforçando a integração das ações de monitoramento e investigação.
Também é mantido diálogo permanente com o Ministério da Saúde e com as autoridades sanitárias nacionais para monitorar a situação em outros Estados.
Outros casos sob investigação no Brasil
São 53 casos em São Paulo, 6 em Pernambuco e 1 no Distrito Federal. Até o momento, 1 óbito foi confirmado em São Paulo e sete estão em investigação: dois em Pernambuco (João Alfredo e Lajedo) e cinco em São Paulo (dois em São Bernardo e três na capital).




