Collor sofreu impeachment em 1992 após irmão denunciar corrupção operada por PC Farias

Veja a cobertura do Jornal da Tarde sobre o afastamento do presidente do Brasil em 1992

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Atualização:
Notícia do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello no Jornal da Tarde de 30 de setembro de 1992. Foto: Acervo Estadão

Trinta e três anos após ser afastado da Presidência da República, o ex-presidente Fernando Collor de Mello teve a prisão decretada por uma condenação num caso de corrupção diferente daquele pelo qual perdeu o cargo conquistado nas eleições diretas de 1989. Em 1992, o impeachment de Collor foi autorizado pela Câmara, ele foi afastado, mas foi absolvido dois anos depois.

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Em dezembro de 1994, o Supremo Tribunal Federal julgou a ação penal aberta contra o ex-presidente e, apesar da pressão política e popular, absolveu Collor da acusação de corrupção passiva por suposto envolvimento com o chamado esquema PC Farias, o Paulo Cesar Farias. Os ministros que integravam o STF na época consideraram que não existiam provas suficientes para comprovar a participação do ex-presidente na suposta corrupção passiva.

Relembre como foi a cobertura do impeachment de Collor no Jornal da Tarde em 1992:

441 A 38: IMPEACHMENT VIRA FESTA NA RUA

A aprovação da Câmara para o impeachment do presidente foi decidida numa longa sessão, em que as emoções começaram a vir à tona quando foi alcançado o voto de número 336 a favor do sim. O voto decisivo foi aplaudido de pé pelo plenário e galerias, que em seguida cantaram o Hino Nacional, de mãos dadas. A votação, iniciada às 17h15 e encerrada pouco mais de duas horas depois, apresentou algumas surpresas, entre elas a abstenção do vice-líder do governo, Gastone Righi, e o voto pelo sim do deputado Oinaireves Moura, anfitrião em um jantar, dias atrás, em que o presidente distribuiu palavrões aos que defendiam seu afastamento. O presidente da CPI, Benito Gama, votou pelo sim, contrariando a orientação de seu chefe político ACM. Cobertura completa nas páginas 3 a 17 e editorial na 4. Também nesta edição, um caderno especial de 12 páginas sobre os erros e acertos do governo Collor.

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Notícia do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello no Jornal da Tarde de 30 de setembro de 1992. Foto: Acervo Estadão

Briga em família, a origem da crise

A crise desencadeada pela CPI sobre PC Farias resultou de revelações do irmão caçula do presidente, Pedro Collor. Tudo começou em setembro de 1991, quando PC anunciou o lançamento do jornal Tribuna de Alagoas para concorrer com a Gazeta de Alagoas, da família Collor. Pedro reagiu: “Vou defender o patrimônio da família com as armas de que disponho”. Na mesma semana, encaminhou requerimento ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) pedindo o registro da marca Tribuna de Alagoas.

O que mais irritou Pedro foi a suspeita de conivência do irmão presidente com Farias. Até então, embora mantivesse um relacionamento pouco amistoso com Fernando — não se entendiam desde crianças, garantem familiares e amigos — Pedro Collor jamais atacara o presidente.

Em dezembro de 91, quando Collor visitava a Europa, Pedro fez a primeira declaração pública contra PC. Ele desafiou o empresário, que tinha sido o caixa da campanha presidencial do irmão. Pedro ameaçava apresentar provas de que Farias enriquecera extorquindo empresários na campanha e, no governo, intermediando verbas para construtoras.

Retornando da viagem, o presidente foi questionado por um repórter sobre as acusações feitas pelo irmão. Collor disse que aquilo era “uma briga de província”, e que devia acabar. Em janeiro de 92, PC anunciou o lançamento do jornal para o dia 11 de fevereiro. Pedro renovou as ameaças e Farias decidiu adiar o lançamento da Tribuna de Alagoas.

No mês seguinte, PC foi informado de que Pedro andara buscando informações sobre suas atividades no Brasil e no Exterior. Pediu uma conversa com ele, intermediada pelo irmão Leopoldo Collor. Os dois se encontraram em São Paulo e quase saíram aos tapas.

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Em março de 92, Pedro ganhou o registro da marca Tribuna de Alagoas e PC teve que desistir, temporariamente, de editar o jornal no Estado. Em abril de 92, Pedro Collor entrega o primeiro dossiê a depositários, contendo três fitas cassete nas quais relata operações financeiras irregulares promovidas por PC. As denúncias causam a alta do dólar e queda na Bolsa de Valores.

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Depois de várias tentativas de silenciar o filho, dona Leda Collor decidiu afastar Pedro dá direção geral das empresas da família em Alagoas. Em carta divulgada dia 20 de maio, ela alegou que o filho estava sob intensa crise emocional.

Pedro Collor divulga fita na qual vincula o irmão presidente a PC. A Receita Federal intensifica a devassa nas declarações de renda de Farias. No dia 23 de maio, Pedro diz à revista Veja que PC e Collor são sócios. O presidente pede, no dia seguinte, a abertura de processo contra o irmão por ofensa à sua honra. Ao mesmo tempo, a Polícia Federal inicia a investigação contra PC. Na noite de 26 de Maio, o Congresso decidiu instalar uma CPI para apurar as denúncias de Pedro.

Notícia do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello no Jornal da Tarde de 30 de setembro de 1992. Foto: Acervo Estadão

Notícia do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello no Jornal da Tarde de 30 de setembro de 1992. Foto: Acervo Estadão

Notícia do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello no Jornal da Tarde de 30 de setembro de 1992. Foto: Acervo Estadão

Jornal da Tarde

Por 46 anos [de 4 de janeiro de 1966 a 31 de outubro de 2012] o Jornal da Tarde deixou sua marca na imprensa brasileira.

Neste blog são mostradas algumas das capas e páginas marcantes dessa publicação do Grupo Estado que protagonizou uma história de inovações gráficas e de linguagem no jornalismo.

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Um exemplo é a histórica capa do menino chorando após a derrota da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982, na Espanha.

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