
Trinta e três anos após ser afastado da Presidência da República, o ex-presidente Fernando Collor de Mello teve a prisão decretada por uma condenação num caso de corrupção diferente daquele pelo qual perdeu o cargo conquistado nas eleições diretas de 1989. Em 1992, o impeachment de Collor foi autorizado pela Câmara, ele foi afastado, mas foi absolvido dois anos depois.
Em dezembro de 1994, o Supremo Tribunal Federal julgou a ação penal aberta contra o ex-presidente e, apesar da pressão política e popular, absolveu Collor da acusação de corrupção passiva por suposto envolvimento com o chamado esquema PC Farias, o Paulo Cesar Farias. Os ministros que integravam o STF na época consideraram que não existiam provas suficientes para comprovar a participação do ex-presidente na suposta corrupção passiva.
Relembre como foi a cobertura do impeachment de Collor no Jornal da Tarde em 1992:
441 A 38: IMPEACHMENT VIRA FESTA NA RUA
A aprovação da Câmara para o impeachment do presidente foi decidida numa longa sessão, em que as emoções começaram a vir à tona quando foi alcançado o voto de número 336 a favor do sim. O voto decisivo foi aplaudido de pé pelo plenário e galerias, que em seguida cantaram o Hino Nacional, de mãos dadas. A votação, iniciada às 17h15 e encerrada pouco mais de duas horas depois, apresentou algumas surpresas, entre elas a abstenção do vice-líder do governo, Gastone Righi, e o voto pelo sim do deputado Oinaireves Moura, anfitrião em um jantar, dias atrás, em que o presidente distribuiu palavrões aos que defendiam seu afastamento. O presidente da CPI, Benito Gama, votou pelo sim, contrariando a orientação de seu chefe político ACM. Cobertura completa nas páginas 3 a 17 e editorial na 4. Também nesta edição, um caderno especial de 12 páginas sobre os erros e acertos do governo Collor.

Briga em família, a origem da crise
A crise desencadeada pela CPI sobre PC Farias resultou de revelações do irmão caçula do presidente, Pedro Collor. Tudo começou em setembro de 1991, quando PC anunciou o lançamento do jornal Tribuna de Alagoas para concorrer com a Gazeta de Alagoas, da família Collor. Pedro reagiu: “Vou defender o patrimônio da família com as armas de que disponho”. Na mesma semana, encaminhou requerimento ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) pedindo o registro da marca Tribuna de Alagoas.
O que mais irritou Pedro foi a suspeita de conivência do irmão presidente com Farias. Até então, embora mantivesse um relacionamento pouco amistoso com Fernando — não se entendiam desde crianças, garantem familiares e amigos — Pedro Collor jamais atacara o presidente.
Em dezembro de 91, quando Collor visitava a Europa, Pedro fez a primeira declaração pública contra PC. Ele desafiou o empresário, que tinha sido o caixa da campanha presidencial do irmão. Pedro ameaçava apresentar provas de que Farias enriquecera extorquindo empresários na campanha e, no governo, intermediando verbas para construtoras.
Retornando da viagem, o presidente foi questionado por um repórter sobre as acusações feitas pelo irmão. Collor disse que aquilo era “uma briga de província”, e que devia acabar. Em janeiro de 92, PC anunciou o lançamento do jornal para o dia 11 de fevereiro. Pedro renovou as ameaças e Farias decidiu adiar o lançamento da Tribuna de Alagoas.
No mês seguinte, PC foi informado de que Pedro andara buscando informações sobre suas atividades no Brasil e no Exterior. Pediu uma conversa com ele, intermediada pelo irmão Leopoldo Collor. Os dois se encontraram em São Paulo e quase saíram aos tapas.
Em março de 92, Pedro ganhou o registro da marca Tribuna de Alagoas e PC teve que desistir, temporariamente, de editar o jornal no Estado. Em abril de 92, Pedro Collor entrega o primeiro dossiê a depositários, contendo três fitas cassete nas quais relata operações financeiras irregulares promovidas por PC. As denúncias causam a alta do dólar e queda na Bolsa de Valores.
Depois de várias tentativas de silenciar o filho, dona Leda Collor decidiu afastar Pedro dá direção geral das empresas da família em Alagoas. Em carta divulgada dia 20 de maio, ela alegou que o filho estava sob intensa crise emocional.
Pedro Collor divulga fita na qual vincula o irmão presidente a PC. A Receita Federal intensifica a devassa nas declarações de renda de Farias. No dia 23 de maio, Pedro diz à revista Veja que PC e Collor são sócios. O presidente pede, no dia seguinte, a abertura de processo contra o irmão por ofensa à sua honra. Ao mesmo tempo, a Polícia Federal inicia a investigação contra PC. Na noite de 26 de Maio, o Congresso decidiu instalar uma CPI para apurar as denúncias de Pedro.



Jornal da Tarde
Por 46 anos [de 4 de janeiro de 1966 a 31 de outubro de 2012] o Jornal da Tarde deixou sua marca na imprensa brasileira.
Neste blog são mostradas algumas das capas e páginas marcantes dessa publicação do Grupo Estado que protagonizou uma história de inovações gráficas e de linguagem no jornalismo.
Um exemplo é a histórica capa do menino chorando após a derrota da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982, na Espanha.






