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Leia carta de padre excomungado que critica quem troca a batina pela ‘calcinha apertada’

Religioso que aderiu a grupo que desafia o papa Leão XIV faz vaquinha para construir igreja no interior de SP; Diocese de Jundiaí ainda não se manifestou sobre comentários

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Foto do autor José Maria Tomazela
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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O padre Rodrigo de Oliveira Silva, excomungado pela Igreja Católica por ter aderido a uma congregação que se opõe ao papa Leão XIV, publicou uma carta na qual afirma sonhar com o tempo em que os padres eram conhecidos pela santidade e criticou os que trocam a batina pela “calcinha apertada” e o confessionário “pela agenda de shows”. No texto, ele diz que sua excomunhão não foi justa.

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A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva após o religioso ter aderido à Fraternidade São Pio X. Em nota oficial, o bispo diocesano Dom Arnaldo Carvalheiro Neto justificou a decisão destacando que o Vaticano determinou que padres e fiéis que aderirem formalmente à fraternidade passam a ser considerados em situação de cisma e, consequentemente, excomungados. A diocese foi procurada pela reportagem para se manifestar sobre a carta do padre e ainda não deu retorno.

O sacerdote, no entanto, continua celebrando missas e aguarda o julgamento de um recurso contra as excomunhões apresentado pela Fraternidade São Pio X. “Nunca foi sobre uma excomunhão justa, foi sobre um verdadeiro ódio a tudo o que é, ou representa o ser católico. E sobre o lugar que Deus não pode mais ocupar nas sociedades, famílias e almas”, diz a nota assinada pelo sacerdote.

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Também critica o que chama de “nova teologia” e o afago aos protestantes. “Fôssemos nós os mesmos que trocam a batina pela ‘calcinha apertada’, o confessionário pela agenda de shows, que trocam a verdade do celibato pela mentira da vida dupla, tudo estaria certo. Mas somos estranhos, por sonhar com o tempo em que os padres eram conhecidos pela santidade”, diz.

O padre Rodrigo de Oliveira da Silva celebra missa em um imóvel alugado. Ele criou vaquinha para comprar chácara, em Campo Limpo Paulista, no interior de SP. Foto: Padre Rodrigo/Vakinha/Reprodução

O padre deixou a Paróquia Santo Antônio, em Jundiaí, onde atuava antes de aderir à Fraternidade. “Desde então pedi licença para viver como eremita em Jundiaí e Pouso Alto (MG). No fim de 2025 é que, estudando melhor a crise da Igreja, resolvi buscar apoio junto à Fraternidade São Pio X.”

Ele passou a residir em Campo Limpo Paulista, onde celebra missas diariamente em um imóvel alugado. O padre conta com um grupo fixo de 30 membros que comparecem às celebrações, principalmente aos domingos.

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A igreja improvisada fica na Estrada dos Cristais, no bairro Chácara São João, em Campo Limpo. Muitos dos antigos paroquianos de Jundiaí ainda mantêm contato com ele. “Acredito que sejam laços de amizade que não implicam necessariamente um território paroquial”, diz.

Em março, o padre criou uma vaquinha virtual para arrecadar recursos que serão usados na compra do imóvel onde ele pretende construir sua nova igreja, em Campo Limpo Paulista. A chácara está avaliada em R$ 190 mil e, até esta quinta-feira, 13, a arrecadação ultrapassava R$ 100 mil, segundo o padre, já que alguns fizeram doações diretas.

Padre Rodrigo tem 44 anos e 15 anos de sacerdócio. Estudou no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro e concluiu a sua formação acadêmica (Filosofia e Teologia) em 2009. Em 2010, foi ordenado diácono e, um ano depois, padre. Ele era pároco da Paróquia Santo Antônio.

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O que é a Fraternidade

A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X é uma comunidade tradicionalista fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), com sede em Ecône, na Suíça.

O grupo é conhecido por adotar uma interpretação tradicionalista da Igreja Católica, incluindo a defesa de um ideal de Estado teocrático e de uma liturgia que inclui missas celebradas em latim e com o padre voltado para o altar — de costas para os fiéis.

A fraternidade ordenou seus próprios bispos em 1º de julho. O gesto foi interpretado pela Igreja Católica como ato de insubordinação direta, que acarretaria a excomunhão automática dos bispos.

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Leia o texto na íntegra:

Quem foi, de fato, excomungado?

“Exsurge Domine, et judica causam tuam” (Sl 73,22)

Nunca foi sobre uma excomunhão justa, foi sobre um verdadeiro ódio a tudo o que é, ou representa o ser católico. E sobre o lugar que Deus não pode mais ocupar nas sociedades, famílias e almas.

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Fôssemos nós os defensores do “aggiornamento”, da “nova teologia”, da liberdade para escolher uma falsa religião, do afago cheio de respeito humano aos pérfidos judeus, aos hereges protestantes e aos satânicos maçons. Fôssemos nós os mesmos que trocam a batina pela “calcinha apertada”, o confessionário pela agenda de shows, que trocam a verdade do celibato pela mentira da vida dupla, tudo estaria certo...

Mas somos estranhos, por sonhar com o tempo em que os padres eram conhecidos pela santidade. Homens de Deus que, como Padre Donizete, de Tambaú, erguiam as mãos para abençoar, e o céu respondia com graças e curas.

Que os justos tenham que sofrer, basta olharmos para a Cruz de Cristo. Soframos. Mas, a verdade que este tempo vai nos cobrar, é duríssima: os sacerdotes que foram condenados, na visão de alguns místicos, tiveram suas mãos cortadas, pois são as mesmas mãos de Cristo, que não podem ir para o inferno com estes réprobos.

Tempos estranhos estes, em que os bons precisam pedir licença para crer na doutrina de sempre, enquanto os maus são respeitados, sob alegação de “diálogo”, relativizando a mesma doutrina. Tempos confusos.

Não se explicam tais inconsistências senão pela pregação de um “novo evangelho”, cujo fim é a religião do homem. Os Macabeus que desejarem viver a Lei de Cristo, deverão fugir para as montanhas. Quem quiser ser católico terá que se explicar e se esconder, porque na nova religião do Vaticano II, a nota dominante é antropológica, não cristológica; o homem, e não o Cristo-Deus, porque este foi excomungado.

Padre Rodrigo de Oliveira Silva

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