Ministra classifica operação policial no Rio como ‘fracasso’ e fala em ‘perícia independente’

Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, conversou com moradores da Penha e do Alemão e anunciou comissão para atender comunidades

PUBLICIDADE

Foto do autor Caio Possati

Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, criticou a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 30, no complexo do Alemão.

PUBLICIDADE

Ao lado de parlamentares e da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, Macaé classificou as incursões da última terça, 28, nos complexos da Penha e do Alemão, como “um desastre”, “um fracasso” e uma “tragédia”.

A titular da pasta foi ao local das operações para conversar com moradores das comunidades e estruturar uma agenda de políticas públicas voltada ao atendimento dos territórios afetados.

Publicidade

Ao final do encontro, a ministra falou com jornalistas e repudiou a forma como os 2,5 mil policiais escalados para a ofensiva atuaram.

Macaé Evaristo criticou operação policial no Rio e afirma que ofensiva foi feita sem inteligência Foto: Reprodução/@instadabene via Instagram

“Essa operação foi um fracasso. É inadmissível uma ação de combate ao crime organizado, que é algo que nós defendemos, não utilizar inteligência para garantir sua efetividade”, afirmou Macaé Evaristo.

A operação terminou com pelo menos 121 mortos, entre eles, quatro policiais, segundo dados do governo fluminense. Já a Defensoria Pública do Rio afirma que o número de óbitos chega a 132.

Publicidade

Para o governador Cláudio Castro, a ação foi um sucesso. Oficialmente, o governo sustenta que as outras 117 pessoas que perderam a vida, com exceção dos agentes, tinham ligações com o crime organizado.

“Ninguém tem o objetivo de matar pessoas. Se queremos combater o crime organizado, precisamos começar de cima, asfixiando-o, pegando onde está o dinheiro”, acrescentou a ministra.

Macaé classificou ainda a situação como “completamente absurda”, por ter exposto famílias, crianças, idosos e pessoas com deficiência ao horror. “É uma tragédia, é um horror, é abominável. A gente não pode ter isso como modelo de política.”

Publicidade

De acordo com a cúpula da Polícia Militar, a operação teve 60 dias de planejamento. Uma das estratégias foi estruturar o chamado “Muro do Bope”, uma linha de contenção formada por agentes de segurança para empurrar os criminosos para o topo do morro.

O Estado afirma que a medida foi necessária para avançar sobre um território dominado pelo crime organizado. Em resposta, a facção chegou a utilizar drones com explosivos, o que evidencia o crescente poder bélico dos traficantes.

Perícia independente

Depois de o governo anunciar que a operação terminou com 64 mortos, dezenas de corpos foram encontrados em uma área de mata na região de Vacarias e levados para a Praça de São Lucas, na Penha, elevando o total para 121 óbitos.

Publicidade

PUBLICIDADE

Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal e passam ainda por processo de identificação e necrópsia (que vai apurar as causas e as circunstâncias das mortes). O Ministério Público também afirmou que abriu investigação para apurar eventuais ilegalidades na megaoperação.

Macaé Evaristo afirmou que a comunidade pediu à ela um processo de perícia independente e que o governo estuda uma forma contemplar o desejo do moradores.

“Temos uma demanda da comunidade para se estabelecer perícias que sejam independentes, autônomas. O nosso conselho nacional dos direitos humanos já nos comunicou sobre isso e nós estamos trabalhando para que isso se efetive”, afirmou a ministra.

Publicidade

Instalação de comissão

Macaé também informou que será instalada uma comissão emergencial visando uma articulação de vários ministérios do governo federal para atuar em eixos com objetivo de atender a demandas dos moradores das comunidades.

A proposta pretende integrar as pastas “do campo social”, que inclui, além de Direitos Humanos e Cidadania, as áreas da Saúde, Educação, Assistência Social, Igualdade Racial e Ministério das Mulheres da gestão do presidente Lula.