Setor de bebidas se mobiliza para combater as falsificações no País

Ações coordenadas de fiscalização, controle de qualidade e prevenção a fraudes buscam coibir mercado ilegal e fortalecer a transparência em toda a cadeia produtiva

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Foto do autor Gilberto Amendola
Por Gilberto Amendola (especial para o Estadão)
Atualização:

O mundo dos destilados no Brasil – desde as principais empresas e importadores, passando por entidades representativas do setor, varejistas e donos de bar e restaurantes até governos e prefeituras – investe em ações integradas para coibir as falsificações no País.

O governo de São Paulo coordena um grupo de trabalho com o setor produtivo para ampliar a segurança dos destilados vendidos. A frente foi criada após casos de intoxicação e mortes pelo consumo de bebidas com metanol, produtos falsificados cuja origem eram fábricas clandestinas descobertas pela polícia. Foi firmado um protocolo de intenções entre secretarias e representantes do setor de bebidas com o objetivo de estruturar medidas conjuntas de prevenção, fiscalização e controle de qualidade.

Iniciativas do setor incluem criação de selo, plataforma gratuita de treinamento, cartilha direcionada ao consumidor final e uma ‘rede de confiança’ integrada por bares Foto: Daniel Teixeira/Estadão

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Participam da iniciativa entidades como Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), além das principais marcas de bebidas destiladas que atuam no País – como Diageo, Brown-Forman, Pernod Ricard, Bacardi-Martini e Beam Suntory. Esta já é a maior mobilização da indústria para combater o mercado ilegal e fortalecer a transparência em toda a cadeia produtiva.

Deste grupo de trabalho nasceu o projeto Bebida Legal. Na primeira fase, ele inclui o lançamento de uma plataforma online gratuita e permanente voltada ao combate de bebidas falsificadas. Criada pela ABBD, Abrabe e Abrasel, com apoio do governo do Estado, a plataforma permite a realização de treinamento para o reconhecimento de bebidas adulteradas e a adoção de boas práticas de aquisição. Ao final, os participantes recebem um certificado – o consumidor poderá pesquisar os estabelecimentos que concluíram o treinamento.

Cristiane Foja, presidente da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe); retorno seguro de garrafas é essencial Foto: Abrabe/Divulgação

O grupo de trabalho ainda debate a possibilidade de criação de uma certificação voluntária, um selo que ateste boas práticas de produção e comercialização. Em nota, o governo do Estado afirmou que “o tema está em fase de análise e qualquer modelo será amplamente dialogado com o setor produtivo e os órgãos de controle, como forma de garantir segurança ao consumidor e respaldo técnico às empresas”.

Outros projetos estão em andamento. A Abrabe possui uma cartilha voltada ao consumidor final. Nela são apontados os “sete erros” das bebidas falsificadas – da tampa ao líquido. Há, ainda, o reforço nos programas de reciclagem, como o Glass is Good. Implementado pela Abrabe, trata-se de um programa de logística reversa que vai da separação do vidro à produção de uma nova embalagem.

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O projeto está se expandindo em bares, restaurantes, baladas, condomínios, empresas e eventos. “Programas especializados em fluxo de retorno seguro são necessários para que garrafas ‘não criem pernas’ no meio do caminho”, disse Cristiane Foja, presidente da Abrabe.

Eduardo Cidade, presidente da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD); combate à venda online de produtos ilegais Foto: ABBD/Divulgação

Já a ABBD tem atuado contra a venda online de produtos ilegais, defendendo a responsabilização de plataformas por hospedarem anúncios de bebidas falsificadas ou insumos para fraudes. “Já acionamos o Ministério da Justiça”, disse o presidente da ABBD, Eduardo Cidade.

O Ministério da Justiça determinou que plataformas suspendam a venda de itens que possam ser usados na falsificação de bebidas – como lacres, tampas, selos e garrafas.

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