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Qual a temperatura máxima que o corpo humano suporta?

Quando o organismo não consegue contrabalançar o calor com o suor, primeiros sintomas são náuseas, enjoos, dores de cabeça e desmaios

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Por Redação
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Em uma semana marcada por ondas de calor extremas no hemisfério norte e temperaturas globais recordes, um novo estudo indica que o corpo humano deixa de funcionar de forma ideal quando os termômetros ultrapassam os 40ºC.

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Um trabalho apresentado neste mês no encontro anual da Sociedade de Biologia Experimental, na Escócia, no Reino Unido, sugere que temperaturas entre 40ºC e 50ºC alteram a taxa metabólica em repouso – que indica a quantidade de energia necessária para o funcionamento do organismo.

Quando isso acontece, a respiração se torna mais pesada e os batimentos cardíacos se elevam. E se o organismo não consegue contrabalançar o calor do ambiente (com o suor), a temperatura interna acaba subindo, provocando náuseas, enjoos, dores de cabeça e desmaios.

“O organismo humano é bom em se adaptar ao calor até um certo ponto”, expliciou Lewis Halsey, professor da Universidade de Roehampton e principal autor do trabalho.

Mulher se refresca na Fontana della Barcaccia em Roma, na Itália; hidratação é fundamental diante das altas temperaturas Foto: Guglielmo Mangiapane/REUTERS

Nesta segunda-feira, 17, por exemplo, a Espanha voltou a experimentar temperaturas excepcionalmente altas, acima de 44ºC. Os termômetros marcaram 44,7ºC em Jaén e 44,5ºC em Córdoba, ambas províncias da região da Andaluzia (no sul do país), segundo a Agência Meteorológica do Estado (Aemet).

Em Roma, os termômetros devem chegar aos 42ºC nesta terça-feira, 18, um recorde absoluto para a capital da Itália, segundo a agência meteorológica da Aeronáutica do país.

Nos Estados Unidos, os serviços meteorológicos destacam uma onda de calor “opressiva” no sul e oeste do país e preveem marcas recordes. No famoso Vale da Morte, na Califórnia, um dos lugares mais quentes do planeta, a temperatura oficial alcançou os 56°C no domingo, 16.

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Taxa metabólica

Nas primeiras experiências feitas em 2021 por Halsey, 13 adultos com menos de 60 anos foram expostos a diferentes temperaturas e níveis de umidade durante uma hora. Os pesquisadores mediram suas taxas metabólicas, temperatura, pressão sanguínea, batimento cardíaco e respiração. Os resultados revelaram que a taxa metabólica é alterada em temperaturas a partir dos 40ºC.

Termômetro marcando incríveis 56ºC no Vale da Morte virou atração turística nos EUA Foto: Ronda Churchill/AFP

Para terem uma base de comparação, os pesquisadores inicialmente expuseram os participantes a temperaturas de 28ºC com umidade do ar a 50% - condições consideradas ideias para os seres humanos manterem a temperatura corporal estável, bem como a taxa metabólica.

A partir dos 40ºC com umidade a 25%, as taxas metabólicas dos participantes aumentam em média em 35%, mas a suas temperaturas corporais não sobem. Entretanto, com 50ºC e umidade a 50%, a temperatura corporal aumenta em média um grau, enquanto a taxa metabólica sobe 56% e o batimento cardíaco em 64%. Nessas condições, nem mesmo o suor consegue refrescar o organismo e baixar a temperatura.

“Ser capaz de suar é uma espécie de superpoder”, afirmou Halsey, durante a conferência. “Exceto quando a umidade do ar é muito alta e o mecanismo da transpiração deixa de funcionar porque o suor não tem para onde ir. Ele apenas se acumula na pele.”

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Segundo Halsey, se os voluntários tivessem permanecido no ambiente a 50ºC e 50% de umidade por um período mais longo, eles não teriam sobrevivido. “No fim, eles acabariam morrendo porque sua temperatura corporal subiria cada vez mais”, disse. “E o corpo estaria em um esforço intenso para baixar o calor.”

Na manhã da última quinta-feira, Halsey apresentou os resultados mais recentes de seu trabalho, agora envolvendo 24 pessoas, algumas das quais tinham participado do estudo original. Desta vez, os pesquisadores usaram ecocardiogramas ou exames de ultrassom cardíaco para avaliar a capacidade cardíaca a 50ºC e 25% de umidade.

Eles descobriram que os batimentos cardíacos das mulheres aumentam mais do que os dos homens, o que sugere que o organismo feminino não seria tão eficiente quanto o masculino para se defender do excesso de calor.

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Pessoas que sofrem de problemas cardíacos ou respiratórios são mais vulneráveis ao calor extremo, bem como idosos, mulheres grávidas e recém-nascidos.

“Estamos paulatinamente tentando entender como o organismo responde ao calor, o quanto pode se adaptar, os limites dessa adaptação e, o mais importante, como essas respostas podem variar entre indivíduos”, afirmou Halsey na divulgação do trabalho. “Num mundo cada vez mais quente, esse conhecimento é extremamente importante.”

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