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‘Lugar de Fala’: Djamila Ribeiro dá ‘outra cara’ à nova edição do livro

Chimamanda Ngozi Adichie e Grada Kilomba assinaram os textos de apoio da obra

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Foto do autor Alice Ferraz
Foto do autor Nanny Cox

Para além de seu livro, "Lugar de Fala", Djamila cita obras de outras mulheres ao listar livros de sua biblioteca; veja as indicações

Entre as escritoras escolhidas por Djamila estão Alice Walker, Conceição Evaristo e bell hooks. Crédito: Léo Souza | Edição: João Abel

Em nove anos, a escritora Djamila Ribeiro lecionou fora do País, participou de eventos internacionais, conheceu obras de diferentes partes do mundo e se aprofundou em outras áreas, como o jornalismo.

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Agora, a autora reúne essas vivências na versão atualizada do livro de sucesso ‘Lugar de Fala’. A obra buscou desmistificar o termo e explicar que a posição social ocupada por uma pessoa influencia na sua perspectiva. E que grupos historicamente excluídos - principalmente, mulheres negras - devem ter espaço para falar por si.

Djamila revisita a obra ampliando os pontos de vista. “Pensar que é um debate econômico, sobre gênero, sobre raça, que deve ser feito de várias perspectivas uma vez que a gente está tratando de opressões que estruturam toda a sociedade”, diz à Coluna.

Se na primeira edição a preocupação era desmistificar o tema - que já foi considerado polêmico - hoje, ele ganha mais um alvo: combater o esvaziamento do termo.

A primeira edição do livro "Lugar de Fala" foi publicada em 2019. Com nova roupagem, a obra será relançada agora com textos de apoio escritos por Chimamanda Ngozi Adichie e a portuguesa Grada Kilomba. Crédito: Editora Rosa dos Tempos/Divulgação Foto: Editora Rosa dos Tempos/Divulgação

A edição atualizada traz textos de apoio de importantes nomes do feminismo negro: a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e a portuguesa Grada Kilomba. Ambas já tiveram papel fundamental na difusão de ‘Lugar de Fala’ em outros países: Chimamanda escreveu o prefácio da versão em inglês, enquanto Grade foi responsável pela apresentação do livro em alemão.

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Nas reflexões feitas especialmente para a segunda edição, as intelectuais reforçam a importância de ampliar as perspectivas do debate. “Pensar ‘Lugar de Fala’, que tanto Grada como Chimamanda trazem, não é um discurso de autoridade sobre um objeto, mas sim trazer várias perspectivas de vários lugares sociais sobre esse objeto, rompendo com uma voz única, com um discurso único, que se pretende universal, mas que também fala a partir de um lugar”.

Djamila Ribeiro é filósofa brasileira que passou a ser reconhecida mundialmente pelo seu ativismo a favor da causa do feminismo negro. Crédito: Max Felipe Foto: Max Felipe

Além de lançar seis livros, é coordenadora da Coleção Feminismos Plurais - responsável por publicar 80 autores e autoras negros. O aumento de livros escritos por mulheres, negros e indígenas é uma das mudanças ocorridas nesses quase 10 anos que separam as duas edições de ‘Lugar de Fala’. O mercado editorial “foi forçado - sobretudo grandes editoras - a trazer mais essas vozes que vêm desse lugar social”, reflete Djamila.

Outro avanço foi o próprio conceito de lugar de fala chegar ao debate público. Mas com avanços, vêm o retrocesso. “Temos visto aumento altíssimo de feminicídio, discurso de ódio contra mulheres nas redes sociais, escândalos sexuais... todos os avanços que temos vêm acompanhado na mesma proporção de retrocessos que se incomodam quando determinadas vozes avançam”, completa.