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Um retrato social diário, baseado na relevância do fato, da notícia e da imagem

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Visitamos uma exposição em SP para descobrir que a IA é mais humana (e imperfeita) do que parece

A mostra do Sesc 24 de Maio convida o público a olhar além das telas para debater natureza, dominação, arte, preconceitos e humanidade na era digital

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Foto do autor Alice Ferraz
Foto do autor Marcele Dias

Vamos rir um pouco da vida

Antropólogo diz nesta terça-feira, na Coluna de Alice Ferraz, se vai continuar pesquisa sobre ricos ou se chegou o momento de mudar o foco. Crédito: Imagens captadas por Nanny Cox

Quando pensamos em inteligência artificial, frequentemente imaginamos tecnologia, trabalho, produtividade e até substituição da atividade humana. Mas, e se a IA fosse além?

Se debatêssemos desde os recursos naturais utilizados para o desenvolvimento dessa ferramenta até a forma como ela pode, sozinha, reprogramar até mesmo as nossas memórias? Isso é o que propõe o Sesc 24 de Maio com a exposição O Mundo Através da IA.

Com oito seções e cerca de 70 obras, a visita conta com peças de 29 artistas de 15 países diferentes.

Exposição "O Mundo Através da IA", propõe ao público imaginar, através da inteligência artificial, até mesmo como poderiam ser os rostos de figuras históricas que nunca chegaram a ter o rosto revelado. Foto: Marcele Dias/Estadão

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Mais do que um simples passeio pelas formas como a IA se impregnou na experiência humana, a exposição trata sobre arte, memórias, desigualdades sociais, lixo eletrônico e preconceitos que, assim como os saberes humanos, também acabam sendo absorvidos pelas plataformas.

A exposição foi idealizada pelo centro de arte parisiense Jeu de Paume, com curadoria de Antonio Somaini. Antes de chegar ao Brasil, passou também por Frankfurt e, assim como a cidade alemã, que apresentou peças exclusivas que conversavam com a realidade do local, os paulistas poderão contar com obras próprias para São Paulo, como as cápsulas que tratam sobre eugenia. Em cartaz no Sesc 24 de Maio, a exposição gratuita ficará aberta até o dia 29 de novembro.

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Passeio pelas obras

Um dos pontos mais interessantes da exposição é a obra “Calculando Impérios: uma Genealogia da Tecnologia e do Poder desde 1500”, de Kate Crawford e Vladan Joler.

O quadro propõe uma linha do tempo mostrando o caminho de evolução das tecnologias e de como elas se relacionam com as diferentes formas de dominação humana e extração de recursos minerais.

Ele evidencia como as formas de dominação se atualizam com o desenvolvimento científico e material.

“Calculando Impérios: uma Genealogia da Tecnologia e do Poder desde 1500”, de Kate Crawford e Vladan Joler. Foto: Rubens Tamashiro/Divulgação

No quadro, tudo pode ser enxergado como tecnologia. Desde o celular, por onde você deve estar lendo essa matéria, até mesmo as armações dos óculos.

Outro destaque é a seção em que fala da relação do meio ambiente com a tecnologia e de como a inteligência artificial tem conseguido corromper essa natureza.

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Já na primeira sala, Culturas Degenerativas: Impacto Ambiental da Inteligência Artificial, de Cesar & Lois, microorganismos se alimentam de um livro de Kant que fala sobre o limite dos conhecimentos humanos.

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A obra é uma metáfora à forma como a inteligência artificial age: enquanto os humanos desejam controlar a natureza por meio da tecnologia, os algoritmos incorporam seus comportamentos, gerando um processo contínuo de corrosão e transformação.

Já na sala seguinte, Giselle Beiguelman apresenta Botannica Tirannica, obra em que a artista leva à exposição diversas espécies de plantas que, em seus nomes, carregam preconceitos, por vezes, milenares. A peça ilustra como a própria ciência também ajudou a legitimar e replicar a lógica da dominação humana, que atualmente tem sido absorvida pela inteligência artificial.

“Botannica Tirannica”, de Giselle Beiguelman. Foto: Sergio Fernandes/Divulgação

A visita expõe ainda a precarização do trabalho dos profissionais que atuam alimentando esses bancos de dados; o lixo eletrônico produzido ao redor do mundo e quem são os principais afetados por ele; e discute como, apesar de treinada, a máquina ainda não é capaz de substituir a percepção humana.

Porém, a exposição também mostra o lado belo da inteligência.

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Expõe como é possível fazer arte através de um prompt; como nomes que nunca tiveram rostos durante toda a história podem ganhar forma, mas não cara; como o olhar humano ainda é indispensável; como a tecnologia é capaz de gerar conexões; e como, através de alguns comandos, é possível dar visibilidade a um afeto que por anos foi apagado das fotos, do imaginário, da possibilidade de existir, como propõe a brasileira Mayara Ferrão em seu Álbum de Desesquecimentos ao levar à mostra imagens de relações sáficas no cangaço.

"Álbuns de Desesquecimentos", de Mayara Ferrão. Foto: Marcele Dias/Estadão

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