Chimamanda Adichie: ‘Rejeito uma sociedade que privilegia filmes. Para mim, livros são bem melhores’

Autora participa de primeiro dia da Bienal do Rio nesta sexta, 13, e será entrevistada por Taís Araújo. Em coletiva antes do evento, ela falou sobre ‘zombar do academicismo’ em seu novo romance, ‘A Contagem dos Sonhos’, e prazer em ler

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Foto do autor Sabrina Legramandi
Atualização:

RIO - Chimamanda Ngozi Adichie é uma leitora ávida desde criança. Ela sempre fez questão de frisar esse fato desde o início de sua carreira - no TED Talk O Perigo da História Única, que soma mais de 39 milhões de visualizações, foi a primeira coisa que citou.

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E também foi exatamente isso que a escritora best-seller mundial mostrou durante uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro nesta sexta, 13. Questionada em determinado momento sobre uma possível adaptação às telas de seu novo romance, A Contagem dos Sonhos (Cia das Letras), a autora diz que prefere os livros aos filmes.

“Fico chateada quando me perguntam sobre adaptações dos meus livros”, afirma. “Eu rejeito e acho triste viver em uma sociedade que privilegia filmes a livros. Para mim, os livros são bem melhores.”

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Chimamanda Adichie participou de mesa no primeiro dia da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Foto: Bienal do Livro do Rio/Divulgação

Seu maior desafio no momento? Fazer com que a filha também prefira as páginas às telas. “Eu tive essa batalha com ela. Ela não gostava de ler e eu comecei a comprar livros mais interessantes. Agora ela lê quadrinhos”, conta.

A autora participa do primeiro dia da Bienal do Livro do Rio nesta sexta-feira, 13. Ela falará sobre os temas que inspiram sua literatura e A Contagem dos Sonhos, seu primeiro romance desde Americanah, de 2013. Taís Araújo irá conduzir a conversa.

Histórias que a cercam

A Contagem dos Sonhos acompanha quatro mulheres que migraram da África Ocidental para os EUA: Chiamaka, Zikora, Kadiatou e Omelogor. Elas são de classes sociais e faixas etárias diferentes, mas enfrentam traumas e desejos que se ligam ao fato de serem mulheres.

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Chimamanda já afirmou que o romance foi inspirado no luto que enfrentou após a morte da mãe. Seu último livro, Notas sobre o Luto, inclusive, foi lançado em 2020 após a morte do pai.

Um dos personagens da obra, Darnell, também lhe é particular – é um retrato do “academicismo”. Segundo a escritora, Darnell foi a forma que encontrou para “zombar” do universo acadêmico, com o qual tem tanta afinidade. “É um mundo que pode ser ridículo”, ri.

Chimamanda também fala de outro universo em que se enxerga todos os dias: o da mulher negra. Ela, porém, não chamaria sua literatura de “empoderamento”. “Eu acho que fazer isso é fazer parecer diferente ou especial, ou não ser o fator principal. Para mim, ser negra ou ser mulher está no centro de tudo.”

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Desafios no mundo e na leitura

Durante a coletiva, a escritora demonstrou preocupação com os níveis de leitura das crianças em todas as partes do mundo. “Os adultos não fazem a parte deles, tanto os pais quanto os professores. É muito mais fácil você entregar a tela a uma criança. Os pais estão cansados, estão sobrecarregados. Mas, às vezes, eu acho muito mais interessante ler do que ouvir alguma coisa ou assistir alguma coisa. E é por isso que eu não gosto de audiolivros. Eu acho que a gente aprende muito mais lendo”, diz.

Chimamanda descreve ser “difícil viver em um mundo em que as pessoas ao nosso redor não têm direitos”. “Os homens que são supostamente líderes são muito reclusos com as suas ações e afetam tantas pessoas. Esse é o problema. Então, talvez seja hora das mulheres governarem o mundo.”

Além da Bienal do Livro do Rio, a autora também participará no Festival LED, no Museu do Amanhã. Lá, ela irá refletir sobre histórias que precisam ser contadas para criar um mundo mais justo.

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*A repórter viajou a convite da Bienal do Livro do Rio de Janeiro

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