Gerando resumo
O novo trabalho de Jonathan Anderson para a Dior, a aguardada primeira coleção masculina de Sarah Burton para a Givenchy e a proposta de influências chicanas de Willy Chavarria prometem ser alguns dos grandes momentos da Semana de Moda de Paris, que começa nesta terça-feira.
Masculinidade híbrida
Durante seis dias, cerca de 70 marcas revelarão suas novas coleções masculinas para a temporada de primavera-verão.
As mudanças profundas que chacoalharam o setor no ano passado — com novos diretores criativos assumindo grifes lendárias, como Chanel e Dior — começam a ficar para trás. Agora, a expectativa gira em torno de como o estilo desses estilistas vai se consolidar.
A complexa atualidade geopolítica também deve se refletir nas passarelas. “Quando as relações sociais, culturais e até a política se tornam mais complexas, isso sempre gera uma resposta muito mais criativa”, explica Patrick Clark, editor de moda da revista GQ França, em entrevista à AFP.

Para ele, “há um desejo real do homem contemporâneo em questionar códigos e técnicas que antes eram reservados ao universo da moda feminina, incorporando-os e assumindo-os na moda masculina”.
O resultado será uma moda voltada para uma “masculinidade emergente, mais híbrida”, movimento que já começou a dar as caras em edições passadas através de silhuetas masculinas mais românticas, ao estilo dândi.
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Anderson sob os refletores
Jonathan Anderson voltará a ser o centro das atenções com sua terceira coleção masculina à frente da Dior. Em janeiro, ele já havia surpreendido com uma proposta que misturava toques aristocráticos e punk.
O norte-irlandês de 41 anos, considerado um dos garotos-prodígio da moda global e reconhecido por sua criatividade transbordante, pode voltar a deslumbrar o público com combinações improváveis.
“Gosto de lançar ideias ao acaso e ver o que funciona. Não me importo em fracassar ou errar. O que eu menos quero é criar algo banal”, explicou recentemente ao jornal francês Le Monde.
O desfile, originalmente programado para quarta-feira às 14h30 (9h30 no horário de Brasília), foi antecipado para as 9h da manhã locais devido à forte onda de calor que atinge a França nestes dias.
Ao lado da grife comandada por Anderson, o outro momento mais esperado da semana será o da Louis Vuitton, na terça-feira, onde o diretor criativo Pharrell Williams provavelmente mobilizará todo o seu engenho para entregar um espetáculo grandioso e repleto de celebridades na primeira fileira.
Ventos de mudança na Givenchy e Celine
A britânica Sarah Burton apresentará sua primeira coleção masculina para a Givenchy, no formato de presentation (exposição estática), quase dois anos após sua nomeação para o cargo.
“Veremos muita alfaiataria técnica (tailoring), roupas em formato 3D e peças com mangas marcantes”, projeta Marc Beaugé, diretor da revista francesa L’Étiquette. A estilista é mundialmente famosa por seu domínio técnico e por ter desenhado o vestido de noiva de Kate Middleton na época em que comandava a grife Alexander McQueen.
Sob a nova direção artística de Michael Rider, a Celine fará um dos desfiles mais acompanhados de perto. O estilista americano, que retorna à marca após uma passagem pelos ateliês da grife na década de 2010, apresentará no domingo sua primeira coleção de moda masculina.
Já na Hermès, após a despedida de Véronique Nichanian depois de quase 40 anos liderando o departamento masculino, os designs apresentados no sábado ficarão a cargo do ateliê interno da maison, funcionando como uma transição até a aguardada estreia de Grace Wales Bonner na liderança criativa, prevista para janeiro.
O ativismo de Willy Chavarria
O estilista americano com raízes mexicanas Willy Chavarria, nome que vem ganhando enorme prestígio em Paris após fazer sucesso em Nova York, desfilará pela quarta vez na capital francesa.
Em janeiro, ele apresentou uma coleção impecável em corte e repleta de referências retrô, em um show que misturou cinema, show musical e desfile. No ano passado, outra de suas apresentações deu o que falar ao trazer modelos tatuados de joelhos na passarela, uma alusão direta às imagens das prisões de El Salvador.
Abertamente ativista, defensor dos direitos dos imigrantes e da causa LGBTQIA+, Chavarria frequentemente convida artistas expoentes da cultura latina para suas fileiras e trilhas, como o colombiano J Balvin, a chilena Mon Laferte e o grupo musical Santos Bravos.
Novos talentos no radar
Entre as marcas consagradas, também despontam jovens designers independentes. É o caso da belga Meryll Rogge, diretora artística da italiana Marni, que mostrará sua coleção masculina em Paris sob sua marca homônima, conhecida por experimentar com tecidos e subverter códigos tradicionais de gênero.
O estilista japonês Soshi Otsuki, vencedor do prestigiado Prêmio LVMH no ano passado, deve trazer seus ternos fluidos inspirados na vestimenta tradicional nipônica.
“As gerações mais jovens encarnam com perfeição o lema da criatividade, da autenticidade, da naturalidade e da história pessoal impressa em suas coleções”, destaca Patrick Clark, da GQ França.
A espanhola Sonia Carrasco, famosa por sua alfaiataria com costuras expostas, e a marca brasileira P_Andrade também marcam presença com destaque no calendário oficial da temporada francesa.


