Essas crises que penosamente vivemos no plano global e nacional decorrem do nosso infindável inacabamento institucional. Somos uma democracia tocada a conflitos de interesse e com leis e instituições relativizadas por quem as controla. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
A democracia, como mostra o desastre Donald Trump, é, sem dúvida, o regime político mais complexo, porque exige responsabilidade e convicção de todos os membros da sociedade.
Coisa difícil de acontecer ao lado dessa invisível revolução mundial de burrice denunciada por Nelson Rodrigues. Distúrbio que, ao lado do quinta-colunismo dos Bolsonaros, associados a um presidente americano cuja arrogância o impele a usar instrumentos fiscais para criar uma guerra financeira mundial, interfere na nossa soberania.

O ideal do golpe dentro das quatro linhas de Bolsonaro tem a mesma irracionalidade da pressão de Trump julgando o STF, ignorando que as manobras golpistas de Bolsonaro eram racionalizadas pelo entendimento de que Lula teria sido injustamente inocentado e ilegalmente eleito.
Peço vênia para lembrar que somos o resultado de um império escravocrata e de repúblicas proclamadas no papel, mas sem nenhuma ética de cidadania. O resultado é esse republicanismo personalista, sem fidelidade ao País, incapaz de escapar dos radicalismos porque é permanentemente relativizado por conflitos entre interesses patrióticos e familismos.
A moeda desse sistema é o dar-receber-e-retribuir, que promove constantes absurdos jurídicos e obriga a um permanente remendo de regras institucionais. É justamente o descrédito da universalidade da lei que explica a corrupção funcional e transforma o campo político num instrumento de enriquecimento. Hoje, isso se soma ao patológico intervencionismo trumpista, disposto a transformar o Brasil num inimigo.
Os bolsonaristas que não aceitam Lula conseguiram, com o seu quinta-colunismo, colocar Lula e o PT como defensores da honra nacional.
Em resumo, estamos enfiados numa crise que ultrapassa os nossos velhos obstáculos. Pois diante do trumpismo ao lado do bolsonarismo, temos um somatório de onipotência e incapacidade política que ultrapassa os piores momentos de nossa história política.
Bolsonaro mostra tornozeleira eletrônica e diz que é ‘máxima humilhação’
Ex-presidente está impedido de usar redes sociais e participou de reunião na Câmara.
Temos conflito porque não é rotina julgar um presidente que planejava dar um golpe dentro das quatro linhas, tendo como contraponto um presidente que foi condenado e não abandonou seus ideais utópicos de nivelar a riqueza pelo método Robin Hood e não por educação, saneamento e boa governabilidade.
Sem entender que o conflito de interesse é uma dimensão fundamental das democracias, vamos vivendo com esses vergonhosos dilemas e conflitos.
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Deputado federal e também o influenciador Paulo Figueiredo afirmaram que inicialmente defendiam sanções individuais a Moraes, mas que passaram a defender tarifa. Crédito: Reprodução/Redes Sociais



