Repórter especial de economia em Brasília

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Haddad não vê com bons olhos venda do Master ao BRB, e há divisão no BC; leia bastidores

Há na autoridade monetária duas visões sobre o desfecho do caso: autorizar solução ‘de mercado’ com o BRB ou recusar o negócio para deixar ‘aprendizado’ ao sistema financeiro

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Foto do autor Alvaro Gribel
Atualização:

BRASÍLIA - A venda de um pedaço do Banco Master para o banco público BRB ainda está longe de encontrar consenso em Brasília. Pelo lado do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad não vê com bons olhos a operação, segundo pessoas próximas ao ministro; mas ele tem se mantido distante do processo de análise, por entender que o assunto é de incumbência exclusiva do Banco Central, que tem acesso aos números.

No BC, permanecem duas visões sobre o desfecho do caso: autorizar uma solução “de mercado”, com o BRB comprando o que seria a parte boa do Master, ou recusar o negócio, para que fique um aprendizado ao sistema financeiro sobre a alavancagem de bancos pequenos e médios sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Haddad tem se mantido distante do processo de análise por entender que o assunto é de incumbência exclusiva do BC Foto: Wilton Junior/Estadão

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Em ambos os cenários, a autoridade monetária se recusa a ser alvo de pressões para um desfecho rápido, como desejam tanto o Master quanto o BRB. A direção dada pelo presidente do Banco, Gabriel Galípolo, segundo interlocutores ligados ao BC, é de que o processo será estritamente técnico e vai levar o tempo que for necessário.

Pelo primeiro caminho, o da autorização, o Banco Central ficaria com a própria reputação vinculada à qualidade dos ativos do Master - contestada por especialistas -, caso eles contaminem o balanço do BRB. Por isso, a resistência por parte do diretor Renato Dias de Brito Gomes, da área de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, a quem cabe dar o voto à diretoria do BC pela aprovação ou não do negócio.

Já pelo segundo caminho, o da negativa, o Master poderia enfrentar fortes dificuldades para se manter operando, com risco de um socorro às pressas por meio do FGC. É sobre isso que se apoiaria o diretor Ailton de Aquino dos Santos, responsável pela área de fiscalização, que tenta costurar a aprovação. Por essa lógica, seria melhor vender o que seriam os melhores ativos para o BRB, diminuindo o risco para o sistema como um todo.

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Em todo caso, a diretoria responsável é a de Renato Gomes, a quem cabe encaminhar o voto para o colegiado, mas sem que os demais diretores possam reverter a sua decisão.

O modelo de negócios do Master teve como um dos pilares a venda de Certificados de Depósitos Bancário (CDBs) com altas taxas de retorno, mas garantidas pelo FGC. Assim, ficava implícito para os clientes que compravam esses papéis que, em caso de quebra do banco, o papel seria coberto pelo Fundo.

Em paralelo, e com objetivo de crescer rapidamente, o Master usava os recursos dessa captação para a compra de ativos com pouca liquidez, como precatórios, direitos creditórios e participações em empresas que apresentavam dificuldades.

Como revelou o Estadão, o banqueiro Daniel Vorcaro colocou à venda cerca de R$ 1 bilhão de ativos do banco, entre eles a seguradora Kovr, para fazer frente aos vencimentos de CDBs que o Master precisa honrar. Desde o anúncio da operação com o BRB, o Master não vai a mercado rolar esses papéis.

Com a alta da taxa Selic, o Master enfrenta aumento do custo de captação, já que ela flutua de acordo com o CDI. Em março, quando a operação com o BRB foi anunciada, a Selic estava em 13,75% ao ano. Agora, subiu para 15% e deve permanecer nesse patamar por um período prolongado.

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Por isso, há pressa por parte de Vorcaro pela aprovação (ou não) do negócio. Em caso de negativa, o Master pretende buscar novos investidores, e já estaria até mantendo conversas com fundos estrangeiros.

No BRB, houve o entendimento de que a aprovação do negócio por parte da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) daria mais segurança para a operação. O tema deve entrar em votação nesta terça-feira, 19.

Pelo perímetro da operação, o BRB deve comprar R$ 24 bilhões em ativos do Master, deixando cerca de R$ 51 bilhões para trás.

Por esse cenário, o banco Voiter, que faz parte do conglomerado do Master, ficaria com o controle societário de Augusto Lima. Já o banco LetsBank, que também faz parte do conglomerado, ficaria com Maurício Quadrado.

O restante permaneceria sob a guarda de Daniel Vorcaro, que iria a mercado vender ativos para fazer frente aos CDBs, dentro da lógica da “liquidação privada”.

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Em paralelo, ele negocia um aporte do FGC para ter mais fôlego na execução da venda desses ativos.

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Análise por Alvaro Gribel

Repórter especial e colunista do Estadão em Brasília. Há mais de 15 anos acompanha os principais assuntos macroeconômicos no Brasil e no mundo. Foi colunista e coordenador de economia no Globo.