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Banco Master pode ser desmembrado em ao menos seis partes se operação for aprovada pelo BC; entenda

Além de pedaço vendido ao BRB, banco teria ativos comprados por BTG, J&F, cisão de subsidiárias para antigos sócios e suporte do FGC para os CDBs até R$ 250 mil

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Foto do autor Alvaro Gribel
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Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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BRASÍLIA - O Banco Master pode ser dividido em pelo menos seis partes, caso o Banco Central aprove a venda de parte da instituição para o Banco de Brasília (BRB). Segundo pessoas a par das negociações, além da parte ao banco estatal, o Master teria pedaços vendidos ao BTG Pactual, ao grupo J&F, e outros que ficariam a cargo dos antigos sócios do banco, Augusto Lima e Maurício Quadrado.

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Já os ativos sem interesse do mercado permaneceriam com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mas com suporte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Procurados, Master, BRB, BTG, J&F, FGC, Augusto Lima, Maurício Quadrado e Banco Central não fizeram comentários.

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O desenho da operação está sob análise do Banco Central, que ainda busca consenso interno para dar a palavra final sobre o desfecho do Master.

Este mês, o BC aprovou a transferência do controle societário do banco Voiter, que fazia parte do conglomerado do Master, para Augusto Lima. A institituição passará a operar sob o nome de Banco Pleno.

Sede do banco Master, em São Paulo Foto: Banco Master

O Voiter, antigo Indusval, tinha como foco a concessão de crédito para pequenas e médias empresas, startups e setor agrícola.

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Em novembro de 2024, Maurício Quadrado anunciou que ficaria com o Letsbank, uma subsidiária do Master, que mudou de nome para Bluebank. A aquisição foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas ainda aguarda autorização do BC para começar a operar.

O J&F já teria comprado a segurador Kovr, após a venda de R$ 1 bilhão de ativos do Master, conforme adiantou o Estadão, e também teria interesse em participações em empresas, como a Oncoclínicas.

Por sua vez, o banco BTG anunciou a compra de R$ 1,5 bilhão em ativos pessoais de Vorcaro, como antecipou o Estadão, e pode adquirir ativos do próprio banco, como precatórios (dívidas que os governos são obrigados a pagar por decisões da Justiça) e direitos creditórios (uma espécie de pré-precatório, porque ainda não há sentença de pagamento).

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É essa análise sobre o “todo” da operação que tem feito o Banco Central prosseguir em sua análise, porque a autoridade monetária tenta reduzir riscos para o sistema financeiro.

O FGC também precisa ter garantias de que a linha de liquidez em negociação com o Master será honrada — por isso, a análise criteriosa sobre todos os ativos do banco está em andamento. Uma das cláusulas em negociação é que o Master não poderá fazer captações com taxas de juros mais altas do que as negociadas com o fundo garantidor.

Como ficam os CDBs até R$ 250 mil

Pela proposta em análise pelo Banco Central, os CDBs que irão para o BRB não são cobertos pelo FGC, ou seja, têm valor maior do que R$ 250 mil. Também vão para o BRB as letras financeiras que foram vendidas a alguns fundos de pensão. Já os CDBs até R$ 250 mil por CPF contam com garantia do FGC e serão divididos entre Vorcaro (a maior parte) e os outros compradores.

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Divisão em estudo para o Banco Master

  • BRB: R$ 23,9 bilhões (créditos, câmbio, Willbank)
  • BTG: Precatórios, direitos creditórios, participações em empresas
  • J&F: segurador Kovr e Oncoclínicas
  • Maurício Quadrado: Letsbank
  • Augusto Lima: Banco Voiter
  • Daniel Vorcaro: ativos remanescentes, com suporte do FGC

O Banco Central analisa a operação com o BRB desde o dia 28 de março; mas, segundo o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em entrevista ao Estadão, a documentação final do negócio foi enviada no dia 7 de agosto, após novos pedidos de informações por parte da autoridade monetária. Dessa forma, o BC teria 365 dias para análise, a contar desta data.

O Master já teria recebido suporte entre R$ 1 bilhão e R$ 4 bilhões do Fundo, e uma nova linha acima de R$ 10 bilhões poderia ser negociada, segundo apurou a reportagem, para garantir CDBs captados em até R$ 250 mil — essencialmente de pessoas físicas. O valor final dependerá da análise e da autorização do Banco Central.

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A saída de Vorcaro do banco que fará parte do conglomerado do BRB, que se chamará BRB Corporate Bank, foi vista no mercado como uma condição determinante para que o negócio avance na análise do Banco Central. Na última sexta-feira, o BRB soltou fato relevante ao mercado confirmando a saída do banqueiro da governança do novo banco.

O entendimento é de que o Master teve uma postura de negócios agressiva, que colocou FGC em risco, e que um sinal precisaria ser dado ao mercado para que isso não virasse um incentivo a práticas semelhantes.

Ainda que não participe da gestão do BRB Corporate Bank, Vorcaro permanecerá dono de 42% das ações desse novo banco.

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Valor dos ativos é dúvida

Um das dificuldades da operação é determinar o valor real dos ativos do Master. Um exemplo acontece com a Oncoclínicas, empresa especializada em tratamento de câncer.

A companhia teve 20% do seu capital comprado pelo Master, em maio de 2024, por R$ 1,5 bilhão, ou R$ 13 a ação. Hoje, o mesmo papel é cotado na bolsa por R$ 3 (77% a menos), o que daria R$ 350 milhões.

Como esse ativo pode não estar marcado “a mercado” no balanço do Master — ou seja, com o preço atual na Bolsa —, se a venda tiver como referência esse valor mais baixo, haverá um forte prejuízo com a transação.

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Isso abriria um rombo no balanço do Master, deixando CDBs “descobertos” - ou seja, sem recursos para que sejam pagos. É aí que entraria a ajuda do FGC.

Assim como esse ativo da Oncoclínicas, existem outros na mesma situação, segundo especialistas.

Investigação

Deputados do PT pediram que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para apurar indícios de crime na gestão do Banco Master apontados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), conforme relevado pelo Estadão, que teve acesso aos detalhes da apuração sigilosa.

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De acordo com a CVM, o Master investiu um total de R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade econômica suficiente para dar retorno a esses investimentos.

Essa situação, aponta relatório da entidade, “pode comprometer severamente a solidez patrimonial da instituição financeira”.

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