BC pode fazer leilões de linha externa ainda este ano

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Por Agencia Estado
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O Banco Central pode voltar a fazer leilões de linha externa para ajudar o mercado a atravessar este final de ano, disse hoje à Agência Estado o diretor de política monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo. Segundo ele, a redução da oferta de linhas externas, que sempre ocorre aos finais de ano, deverá ser menor neste fim de 2002, pois "já houve uma redução considerável da oferta ao longo do ano". Independente disso, ele afirmou que o BC está disposto a fazer nesta virada de ano leilões de linha interbancária (externa) para facilitar a passagem do ano. Ele lembrou que o Banco Central, desde o final de 1999, já vem fazendo este tipo de operação normalmente a cada final de ano. Intervenções - Figueiredo disse que o BC tem feito intervenções no mercado de câmbio a vista em valores muito baixos. "Em novembro, para se ter uma idéia, as nossas intervenções foram de US$ 185 milhões, sem incluir o valor da intervenção de sexta-feira. Ainda tivemos, no mês de novembro, um retorno de US$ 90 milhões de leilões de linhas interbancárias. Com isso fechamos o mês com o valor líquido de intervenções de apenas US$ 95 milhões", disse Figueiredo. Em função disso ele estima que as reservas líquidas ajustadas (sem os recursos do FMI) deverão fechar o ano entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões. "A estimativa de mercado era de que iríamos fechar o ano com reservas líquidas entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões e até menor em alguns momentos", disse Figueiredo. O diretor de política monetária do BC também enfatizou que o cenário para o financiamento dos compromissos externos do setor público em 2003 está tranqüilo. "Os compromissos do setor público serão de US$ 9,1 bilhões, em 2003, sem levar em conta as recompras de títulos da dívida externa que nós fizemos, mas que não posso revelar o valor. Com essas recompras, o valor de US$ 9,1 bilhões reduz-se sensivelmente", disse. Figueiredo lembrou que além dos recursos do FMI o Brasil receberá no ano que vem cerca de US$ 7 bilhões do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. "Com esses US$ 7 bilhões mais um pouco de remuneração das reservas nós já podemos chegar as US$ 9 bilhões", disse. Dos US$ 7 bi, cerca de US$ 350 milhões poderão ingressar no Brasil ainda neste ano de 2002. Figueiredo também ressaltou que o piso de reservas de US$ 5 bilhões "não é imóvel". Esse piso, segundo ele, pode ser negociado com o FMI para ser menor ainda. Ele acrescentou que neste momento o Banco Central tem um volume de reservas maior e que com isso aumentou sua "musculatura" e ampliou sua capacidade de intervenção no mercado de câmbio a vista. Rolagem - Figueiredo disse que o BC tem interesse de fazer a rolagem integral dos vencimentos de títulos e contratos de swap cambial que vencerão nos próximos dias 12 e 18 de dezembro e 2 de janeiro de 2003. "Estamos interessados em fazer o que for necessário para atender a demanda do mercado, mas não a qualquer preço", disse Figueiredo. O BC, de acordo com Figueiredo, não tem interesse em aceitar taxas muito altas na rolagem que possam provocar um aumento da volatilidade no mercado de cupom cambial. "O nosso interesse é minimizar a volatilidade do mercado de cupom cambial", disse o diretor do BC. Ele ressaltou ainda que o estoque de hedge em mercado vem diminuindo ao longo do tempo.