
O mercado italiano Eataly vai deixar oficialmente de existir no Brasil. O ponto que abrigava a operação local da marca, na Avenida Juscelino Kubitschek, região nobre de São Paulo, vai mudar de conceito: terá um novo nome e passará a aceitar restaurantes e produtos que não estejam ligados à culinária da Itália. A nova proposta ainda está sendo finalizada e representa uma tentativa da empresa responsável pelo negócio de se erguer das dificuldades financeiras. O grupo entrou em recuperação judicial no fim do ano passado, com dívidas de R$ 50 milhões, e vem fazendo ajustes para enxugar a operação. O local segue em funcionamento.
Uma das principais batalhas da gestão do negócio até então vinha sendo recuperar a marca Eataly no País. O direito de uso foi perdido numa disputa com o grupo italiano no início do ano e obrigou o mercado a tirar as referências ao nome original. Em paralelo, a empresa se movimentou também para barrar uma ação de despejo aberta pelo grupo Caoa, proprietário do imóvel.
A mudança de conceito surge como tentativa de frear a perda de parceiros e clientes no local, independentemente da disputa em torno da marca, que segue no curso de uma arbitragem. Em fevereiro, a Cristallo decidiu não renovar o contrato e saiu do ponto, deixando mais um espaço vazio no interior. A perda da marca também afetou o fluxo de clientes. A operação hoje vive um “limbo” e depende de aportes de recursos da administração.
Negócio quer se tornar mais diversificado e acessível
O novo formato deve preservar o conceito original do Eataly, com um mercado no meio e os restaurantes no entorno, segundo apurou a Coluna. Deve permanecer também a escola de gastronomia. A diferença principal é que, sem as restrições do grupo italiano, a empresa pretende tirar proveito da possibilidade de trazer cozinhas e produtos de outras nacionalidades, para tornar o ponto mais diversificado e mais acessível. A tendência é que os restaurantes sejam operações próprias da administradora do local.
As restrições do contrato original proibiam, por exemplo, que se servisse produtos da Coca-Cola. Obrigava ainda a compra de porcentual mínimo de importados, que acabaram encarecendo os produtos com o aumento do dólar. Ainda assim, parte dos itens italianos deve ser mantida, assim como os restaurantes da nacionalidade.
Não há data oficial de lançamento do novo modelo. A ideia, segundo pessoas que tiveram acesso ao plano, é que seja uma implementação em fases. A expectativa é ter o novo desenho pronto por completo até o meio do ano. Algumas ideias de nomes já estão na mesa, mas o martelo não foi batido. Há até a possibilidade de exploração por uma terceira marca, num conceito semelhante ao das arenas de futebol, num formato de “naming rights”.
Chance de retomada do nome é remota
Também é remota a chance da marca Eataly ser retomada no local, em caso de vitória na decisão final na disputa com os italianos. A tendência, segundo fontes, seria do representante local buscar uma indenização. Outro tema que deve seguir no radar é a ofensiva do grupo Caoa para retomar o imóvel.
Conhecido por ser um dos mais tradicionais mercados de produtos italianos, o Eataly chegou ao Brasil em 2015. O formato original foi concebido em Turim, na Itália, em 2007, com o conceito de inovar na distribuição de itens agrícolas típicos do país. Hoje, está presente em ao menos 10 países, em cidade como Nova York, Paris, Chicago, Londres e Tóquio. O mercado virou um símbolo global por reunir itens como vinhos, massas e chocolates, além de restaurantes, soverterias e cafés.
No Brasil, começou como uma sociedade entre os italianos e o grupo St. Marche, que também está em recuperação judicial. Em 2022, foi comprada pelo grupo South Rock, então dono do Subway no País. Em 2023, passou por uma nova troca de controle, com a venda para o fundo Wings, formado por investidores locais, que injetou mais de R$ 20 milhões no negócio. Hoje, a operação é tocada por Marcos Calazans, CEO da empresa que administra o ponto. Procurado, o Eataly Brasil não comentou.
Esta notícia foi publicada no Broadcast+ no dia 25/04/2025, às 14:56.
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