Correios, em crise, vão adiar para 2027 convocação de aprovados em concurso realizado no fim de 2024

Novo presidente da estatal, Emmanuel Rondon, sinalizou a sindicatos que momento é de redução de custos e implementação do Plano de Demissão Voluntária (PDV)

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Foto do autor Alvaro Gribel
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5 pontos para entender a crise dos Correios

Como a estatal, que era lucrativa, agora precisa de um socorro de R$ 20 bilhões para fechar as contas. Crédito: Gustavo Côrtes

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BRASÍLIA — Depois de registrar prejuízo de R$ 4,34 bilhões no primeiro semestre deste ano e elaborar um plano de recuperação que prevê a tomada de R$ 20 bilhões de empréstimos com aval do Tesouro, os Correios devem adiar ao máximo a convocação dos aprovados em concurso realizado pela empresa em dezembro de 2024.

O novo presidente da companhia, Emmanuel Rondon, que assumiu a empresa em setembro deste ano, no lugar do advogado Fabiano Silva dos Santos, já sinalizou a sindicatos de trabalhadores da empresa que não há espaço para contratações neste momento, e que, no melhor cenário, as convocações ocorrerão em 2027. Rondon, no entanto, ainda tentará alongar esse prazo. Procurados, os Correios não se manifestaram.

Centro de Distribuição dos Correios na Zona Sul de São Paulo, na Rua Juquis, bairro de Moema Foto: Foto Tiago Queiroz/ Estadão

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A realização desse concurso, no final de 2024, é visto por especialistas como um sintoma da alienação da gestão anterior, Fabiano Silva dos Santos, que tentava ampliar o quadro de funcionários dos Correios, mesmo com os crescentes prejuízos da estatal. Agora, Rondon tentar implementar um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para reduzir o quadro em 10 mil trabalhadores.

Os Correios abriram concurso para 3.551 vagas, com salários de até R$ 6,8 mil, sendo 3.099 cargos de nível médio, para carteiros, e 412 de nível superior, incluindo advogados, analista de sistemas, arquiteto, arquivista.

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Além dos salários, os Correios oferecem vale-refeição de R$ 1,4 mil, além de plano de saúde e plano de previdência complementar. Quase 1,7 milhão de pessoas se inscreveram para o exame.

Sem ‘bala de prata’

Desde que assumiu o cargo, Rondon tem dito a interlocutores que não existe “bala de prata” para reverter a crise da empresa. Antes mesmo de aceitar o posto, ele identificou um descasamento de R$ 7,6 bilhões entre ativos e passivos de curto prazo da empresa, de menos de 12 meses, o que motivou o pedido de empréstimo com aval do governo federal.

O fluxo de caixa da empresa foi projetado até dezembro de 2025, e o pedido de R$ 20 bilhões visa quitar o empréstimo atual da companhia, no valor de R$ 1,8 bilhão com um grupo de bancos, além de regularizar dívidas com fornecedores, cobrir a folha de pagamentos e realizar investimentos.

Na última semana, a empresa aprovou o plano de recuperação, e agora aguarda a proposta dos bancos com as condições para o empréstimo. Tudo isso terá de ser avaliado e aprovado pelo Tesouro Nacional, que será o avalista da operação.

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O entendimento da nova administração é de que o setor de encomendas, em todo o mundo, passou a ter uma concorrência difícil de ser superada de empresas privadas e que não tem o serviço de entregas como negócio principal.

Com isso, eles podem operar com margens apertadas ou até negativas, porque a principal fonte de lucros é a venda de outro serviço, como acontece, por exemplo, com as grandes redes de e-commerce.

Uma das propostas que pode ser negociado com o Tesouro é uma espécie de indenização aos Correios pelos custos que a empresa tem com a universalização do serviço. Antes, a empresa compensava esse gasto — que a obriga a realizar entregar em todo o território nacional — com o monopólio do setor de cartas.

Hoje, contudo, esse serviço já não dá lucro. A gestão atual dos Correios entende que a universalização implica gastos de cerca de R$ 5 bilhões por ano.

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Na última semana, os Correios aprovaram o plano de recuperação, que contempla três fases: recuperação financeira, consolidação e crescimento.

“Nos próximos 12 meses, os recursos serão aplicados em medidas determinantes, tais como: PDV e remodelagem dos custos com plano de saúde; 100% de adimplência com fornecedores; modernização e readequação do modelo operacional e infraestrutura tecnológica; liquidez assegurada durante a evolução do modelo econômico da empresa ao longo de 2026″, afirmaram os Correios.

No início do semana, o governo ampliou a projeção de déficit nas empresas estatais este ano, de R$ 5,5 bilhões para R$ 9,2 bilhões. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dário Durigan, admitiu que o impacto fiscal pode ser ainda maior.

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