A chamada “taxa das blusinhas” se transformou em um problema político para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao atingir diretamente um tipo de consumo popular que cresceu nos últimos anos: as compras internacionais de baixo valor feitas pela internet. Produtos baratos, como roupas, capinhas de celular e itens para casa, passaram a ficar mais caros após mudanças na cobrança de impostos.
Para muitos consumidores, a medida criou a sensação de que o governo prometeu taxar os mais ricos, mas acabou encarecendo justamente as compras da população de renda mais baixa. No programa Não vou passar raiva sozinha desta semana, a colunista do Estadão Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, explica exatamente sobre o mal-estar da taxação e que, agora, às vésperas da eleição, o governo decidiu zerar.
Segundo a colunista, embora a discussão envolva regras de comércio exterior, fiscalização e concorrência com o varejo nacional, o consumidor percebe apenas que uma compra antes acessível ficou mais cara. Diante da repercussão negativa, o governo editou a Medida Provisória 1357, autorizando o Ministério da Fazenda a reduzir a zero o imposto de importação para remessas de até US$ 50. Ainda assim, o ICMS estadual continua sendo cobrado nas compras.

O debate, porém, não acontece apenas no Brasil. Países como Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Austrália também vêm revisando regras para compras internacionais de pequeno valor, principalmente diante do avanço de plataformas asiáticas de comércio eletrônico. Em muitos casos, governos passaram a cobrar impostos diretamente das plataformas digitais para simplificar a fiscalização e evitar concorrência desigual com empresas locais.
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Especialistas apontam que o desafio global é encontrar equilíbrio entre garantir arrecadação, proteger o varejo doméstico e manter preços acessíveis para o consumidor. No Brasil, no entanto, a discussão acabou marcada pela crise de comunicação em torno da “taxa das blusinhas”, expressão que se popularizou nas redes sociais e ampliou o desgaste político do governo junto aos eleitores.
Programa
Todas as quintas-feiras, às 9h30, a Duquesa de Tax faz reacts (comentários sobre outros vídeos ou entrevistas) do noticiário econômico no Estadão. Além disso, tem o programa semanal Não vou passar raiva sozinha. Os vídeos inéditos vão ao ar sempre às segundas-feiras, às 9h30, para assinantes do Estadão. Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais e na Rádio Eldorado. A atração também tem uma versão em podcast.
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