Gerando resumo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem combinado gestos diplomáticos e ameaças econômicas para persuadir a Rússia a encerrar a guerra na Ucrânia. Ele aumentou a pressão nesta semana ao anunciar planos de se reunir com o presidente russo, Vladimir Putin, no mesmo dia em que afirmou que puniria a Índia por comprar petróleo russo, dobrando as tarifas sobre suas exportações aos Estados Unidos.
No último mês, Trump ameaçou repetidas vezes paralisar a economia de guerra da Rússia caso Putin não concorde com um cessar-fogo, seja por meio de novas sanções, seja fechando os mercados restantes para o petróleo russo. Até agora, o Kremlin tem ignorado os ultimatos de Trump e afirma que pretende prosseguir com sua mais recente ofensiva.

Aqui está o que se sabe sobre a capacidade da Rússia de resistir à pressão de Trump.
Quão forte é a economia russa?
A Rússia aumentou significativamente os gastos públicos após a invasão na Ucrânia em 2022, o que provocou um boom econômico.
Esse boom chegou ao fim.
A economia do país deve crescer de 1% a 2% em 2025, abaixo dos 4,7% registrados em 2024.
A receita proveniente do petróleo está em queda, a maior parte das indústrias civis deixou de crescer, as altas taxas de juros estão sufocando os investimentos privados e as grandes empresas estão começando a demitir funcionários.
“As maiores empresas russas não têm condições de investir em seu desenvolvimento, na construção de novas usinas de energia, fábricas, oleodutos e ferrovias”, disse o legislador russo pró-governo, Dmitri Gusev, em uma entrevista coletiva na última terça-feira, 5. “Os programas de investimento estão encolhendo.”

A experiente equipe de contenção de crises econômicas de Putin tem impedido até agora que a desaceleração se transforme em uma retração. Alguns formuladores de políticas até mesmo saudaram o esfriamento da economia. Os consumidores e as empresas russas estão mais cautelosos com os gastos, o que reduziu a inflação galopante, desacelerou os empréstimos especulativos e amenizou a escassez de mão de obra.
“A economia está voltando a um crescimento mais equilibrado”, afirmou a presidente do Banco Central da Rússia, Elvira Nabiullina, em julho.
A inflação na Rússia está em torno de 9% ao ano, e as taxas de juros, em 18%. Até agora, o impacto sobre muitos trabalhadores tem sido moderado, porque, em vários setores, os salários vêm subindo mais rápido que os preços e quem tem dinheiro no banco está recebendo juros elevados.
Paradoxalmente, apesar do enorme custo humano, a guerra levou o padrão de vida do russo médio ao nível mais alto em uma década, segundo artigo recente dos economistas Sinikka Parviainen e William Pyle, do Banco da Finlândia.
A desaceleração da economia está corroendo esses ganhos — e a estabilidade política que eles trouxeram —, mas a um ritmo que, no momento, não é o suficiente para deter a estratégia de guerra do Kremlin.
Quais são os riscos?
O maior risco para a economia russa vem da queda na receita do petróleo, que caiu 18% até o momento em 2025, principalmente devido aos preços mais baixos no mercado global.
A receita mais baixa já forçou o governo russo a aumentar as estimativas para o déficit orçamentário deste ano de 0,5% para 1,7% do PIB.
Analistas esperam que o governo cubra o déficit orçamentário usando o restante do fundo soberano do país, vendendo dívidas a bancos locais e cortando gastos sociais e investimentos em infraestrutura.
Essas medidas provavelmente não afetarão a capacidade de Putin de continuar a guerra, segundo analistas.
O governo protegeu os gastos militares, atualmente em cerca de 8% do PIB, e deve gastar pelo menos a mesma quantia no próximo ano, disse a especialista em economia russa, Alexandra Prokopenko, da Carnegie Russia Eurasia Center, uma organização de pesquisa com sede em Berlim.
As medidas de Trump farão diferença?
Até mesmo Trump alertou que a pressão econômica sobre Putin, por meio de tarifas sobre seus parceiros comerciais ou novas sanções, pode não funcionar.
O principal alvo de Trump é a receita da Rússia com petróleo, que representa cerca de um terço do orçamento federal.
“Putin vai parar de matar pessoas se o preço do barril de petróleo cair mais US$ 10”, disse Trump em entrevista à CNBC, na última terça-feira, 5.
A primeira medida de Trump foi ameaçar a Índia com uma tarifa adicional de 25%, caso continuassem importando petróleo russo.
A Índia aumentou substancialmente as importações de petróleo bruto da Rússia desde o início da guerra, aproveitando os descontos oferecidos por comerciantes russos para compensar a perda de clientes ocidentais. Hoje, o país é o segundo maior comprador de petróleo russo, atrás apenas da China.
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Autoridades indianas bateram de frente com Trump e afirmaram que pretendem continuar comprando petróleo russo, apesar das tarifas. Ao mesmo tempo, as refinarias do país já estariam obtendo um desconto maior no produto para compensar os riscos geopolíticos, segundo analistas.
Nas últimas duas semanas, a diferença entre o preço do principal tipo de petróleo bruto da Rússia e o preço de referência global subiu US$ 5 por barril no mercado indiano, escreveu o analista Homayoun Falakshahi, da empresa de dados sobre petróleo Kpler, na última quarta-feira, 6. Ele acrescentou que espera um aumento ainda maior dessa diferença.
Uma queda de US$ 10 por barril no preço do petróleo russo aumentaria o déficit orçamentário da Rússia em 0,8% do seu PIB, de acordo com Alexandra Prokopenko, da Carnegie Russia Eurasia Center.
“Isso não é catastrófico para o Kremlin”, disse ela. “O governo russo está convencido de que, mesmo com preços baixos do petróleo, sua indústria de defesa não está ameaçada.”
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