Entenda em 5 gráficos o que significam os sinais de desaceleração da economia brasileira

Varejo, serviços e indústria voltaram a recuar em dezembro; para 2025, analistas esperam números positivos no início do ano, impulsionados pela safra, mas projetam desaceleração no segundo semestre

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Foto do autor Luiz Guilherme  Gerbelli
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A economia brasileira desacelerou no final de 2024, com quedas em serviços, comércio e indústria, segundo o IBGE. O IBC-Br caiu 0,73% em dezembro, refletindo a expectativa de um PIB menor no quarto trimestre. Analistas preveem crescimento de 3,5% em 2024, mas desaceleração em 2025, com um PIB de 1,8% a 2,01%. A alta da Selic para 13,25% e a inflação persistente afetam a confiança do consumidor, que caiu para 86,2 pontos, segundo a FGV. Julia Gottlieb, do Itaú, destaca o impacto da política monetária no segundo semestre de 2025.

Os números mais recentes de 2024 divulgados sobre a economia brasileira confirmaram uma desaceleração da atividade econômica. Em dezembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou queda em serviços, comércio e indústria. Para o quarto trimestre, os analistas trabalham com a expectativa de que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) seja pior do que o observado nos três meses anteriores, quando o País cresceu 0,9%.

Em dezembro, as vendas do varejo recuaram 0,1%, o setor de serviços caiu 0,5% e a indústria registrou queda de 0,3% em relação a novembro. No acumulado do ano, no entanto, houve crescimento de 4,7%, 3,1% e 3,1% respectivamente.

Com dados tão negativos, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), uma espécie de prévia do PIB, recuou 0,73% em dezembro, embora o crescimento tenha sido de 3,8% no ano. A expectativa era de uma queda de 0,4% no último mês do ano, segundo o Projeções Broadcast.

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Para analistas, mercado de trabalho ainda resiliente deverá continuar a influenciar positivamente o consumo das famílias Foto: Filipe Araújo/Estadão

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“O resultado de dezembro veio em linha com os indicadores de atividade da indústria, do comércio e dos serviços, que têm desacelerado na margem (de um mês para o outro)”, afirmou o banco Pine, em relatório divulgado na segunda-feira, 17.

Depois da divulgação do IBC-Br, a mediana das previsões para o crescimento econômico do quarto trimestre passou de 0,5% para 0,4% — abaixo do avanço de 0,9% no período de julho a setembro, segundo o Projeções Broadcast. O número final do PIB do ano passado será divulgado pelo IBGE em 7 de março.

A avaliação dos analistas é a de que a economia brasileira deve ter crescido 3,5% no ano passado. Eles também esperam que 2025 seja marcado por uma desaceleração, sobretudo no segundo semestre.

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“Embora alguns sinais mais claros de desaceleração tenham surgido no quarto trimestre de 2024, ainda vemos fatores de resiliência no curto prazo que devem levar a uma aceleração no resultado do primeiro trimestre”, escreveu o banco Santander em relatório.

“Primeiro, a contribuição positiva das safras de grãos de verão deverá impulsionar a produção agrícola no período, seguindo a projeção de mais um ano de produção recorde de soja e milho. (...) Além disso, o mercado de trabalho ainda resiliente deverá continuar a influenciar positivamente o consumo das famílias, juntamente com um calendário favorável para transferências governamentais no primeiro semestre de 2025″, acrescentou o banco.

Para 2025, o Santander estima um avanço do PIB de 1,8%. No relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, os analistas consultados esperam um crescimento econômico semelhante, de 2,01%.

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A economia brasileira deve perder força por conta, entre outros motivos, do aumento da taxa básica de juros — a Selic mais alta encarece o investimento para as empresas e o crédito para as famílias. Além disso, haverá um menor impulso fiscal — os gastos do governo para estimular a economia.

Com a inflação em alta, o Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu um aumento de um ponto porcentual na taxa básica de juros, para 13,25% no mês passado. Na reunião de março, a expectativa é que o Banco Central promova uma nova alta de mesma magnitude. No relatório Focus, elaborado semanalmente pelo BC, os analistas consultados projetam que a Selic termine o ano em 15%.

“Houve um crescimento forte ao longo dos últimos anos, puxado pelo impulso fiscal e pelo mercado de trabalho forte”, afirma Julia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco. “A economia deve ir desacelerando ao longo de 2025, e essa desaceleração vai ficar mais clara ao longo do segundo semestre do ano, porque é no segundo semestre que começaremos a ver o impacto da política monetária.”

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Os juros mais altos e a inflação persistente têm minado a confiança do consumidor — num sinal de que o brasileiro está mais pessimista com a economia do País.

“O que tem pegado para o consumidor é a inflação e a taxa de juros muito alta. Os juros não vão ser resolvidos de uma hora para outra. É um problema de mais longo prazo”, afirma Anna Carolina Gouveia, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre).

Apurado pelo Ibre, o Índice de Confiança do Consumidor recuou pelo segundo mês seguido, para 86,2 pontos, e chegou ao menor nível desde fevereiro de 2023 (85,7 pontos). Em dezembro e janeiro, a queda acumulada foi de oito pontos.

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“Para ter uma retomada da confiança, é necessária uma melhora nos preços e a manutenção de uma situação favorável no mercado de trabalho”, diz Anna Carolina.

A economia desaquecida também deve trazer algum impacto para o mercado de trabalho, embora o cenário ainda seja positivo. No trimestre encerrado em janeiro, a taxa de desemprego ficou em 6,5%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). No trimestre móvel imediatamente anterior, encerrado em dezembro de 2024, a taxa foi de 6,2%.

O número de dezembro do ano passado já deu indícios dessa perda de fôlego, dado que a taxa de desemprego de 6,2% representou o primeiro avanço em oito trimestres.

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“É um mercado de trabalho em desaquecimento, mas ainda forte. Não vejo um mercado fraco”, afirma Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador sênior da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre).

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