NOVA YORK — A abertura de uma investigação de práticas comerciais “injustas” do Brasil aproveita até uma queixa da União Europeia contra o País para cumprir a ofensiva do presidente Donald Trump deflagrada com o anúncio de tarifa de 50% para produtos brasileiros, a partir de agosto.
A observação é de um interlocutor em Wall Street que acompanha o Brasil e, ouvido pelo Estadão/Broadcast, concordou em analisar a medida do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com a condição de ter preservada a sua identidade.
Ele observa que, embora a carta de Trump que anunciou a sobretaxa aos produtos brasileiros tenha sido por razões políticas, poderá ter mais desdobramentos a partir da investigação comercial aberta nesta terça-feira, 15.

Em 22 de maio, a Comissão Europeia publicou a primeira lista de classificação de risco dos países para o desmatamento. O Brasil ficou classificado em risco “padrão”, ao lado de nações como Indonésia, Malásia, México e Argentina, entre outras.
A investigação da área comercial dos EUA, aberta nesta terça-feira, 15, vai apurar se atos, políticas e práticas do governo brasileiro são irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA, conforme o documento do USTR.
Entre os focos do órgão estão o comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, as tarifas preferenciais injustas, a interferência anticorrupção e a proteção da propriedade intelectual.
Leia mais
EUA abrem investigação sobre práticas comerciais ‘injustas’ do Brasil, por ordem de Trump
Governo Lula tentará sensibilizar opinião pública americana sobre efeito do tarifaço; leia bastidor
Incertezas sobre tarifas congelam planos de longo prazo de empresas europeias
A gestão de Trump também busca mais detalhes sobre o acesso ao mercado de etanol, sob a justificativa de que o Brasil cobra uma tarifa “substancialmente mais alta” às exportações americanas do produto, e ainda a questão do desmatamento ilegal.
Segundo o USTR, o Brasil não tem sido bem-sucedido no combate ao desmatamento ilegal, o que prejudica a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas.
A ironia é que as acusações venham de uma gestão que tirou os EUA do Acordo de Paris e que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro, criticado durante o seu mandato por falta de fiscalização do desmatamento.





