A Natura anunciou novas estratégias para fortalecer sua operação no Brasil, focando em impacto social e suas consultoras de venda direta. A partir de outubro, 1,6 milhão de consultoras terão acesso ao Saúde Protegida, um seguro de saúde acessível. Além disso, poderão vender produtos Natura e Avon em um site específico. A empresa também lançou o programa Criadores da Beleza, com 600 consultoras atuando como influenciadoras. As iniciativas visam aumentar o IDH das consultoras e garantir renda digna até 2050.
Poucos dias após comunicar ao mercado o desinvestimento em divisões internacionais da Avon, a Natura anunciou a implementação de estratégias que devem contribuir para o fortalecimento da operação da marca no Brasil via impacto social, ao focar nas suas consultoras de venda direta. A companhia lançou duas novas iniciativas para essa comunidade voltadas para estímulo de renda, acesso à saúde e inclusão digital.
As profissionais, que somam 1,6 milhão de consultoras entre vendedoras da Avon e da Natura (ou de ambas), terão acesso, a partir de outubro, ao Saúde Protegida, um seguro contra acidentes pessoais e com assistências em saúde, desconto em remédios e bem-estar (com consultas preventivas e exames de saúde da mulher, por exemplo), com mensalidades a partir de R$ 7,90.
Além disso, poderão vender de forma integrada produtos da Natura e Avon em um site específico para cada consultora chamado “Minha Loja”, que foi disponibilizado a partir do dia 18 deste mês, após fase de testes. Anteriormente, elas não tinham espaço online para comercializar seus produtos da marca Avon.

A companhia anunciou ainda o programa Criadores da Beleza, com 600 consultoras selecionadas por critérios de diversidade racial, etária e regional, atuando como criadoras de conteúdo e influenciadoras. O foco do projeto é disponibilizar formação e ferramentas para acelerar a profissionalização das vendas via influência digital e dar visibilidade para as consultoras nas redes sociais.
Os temas foram abordados por executivos da companhia nesta quinta-feira, 25, em uma apresentação para jornalistas. Estiveram presentes no evento o presidente do Instituto Natura, David Saad, a diretora de Novos Negócios da Natura, Cecília Ribeiro, e a diretora de Venda Direta de Natura e Avon, Maria Eduarda Cavalcanti.
Ao Estadão Cavalcanti disse que os projetos anunciados mostram o avanço das ações de integração entre Natura e Avon no Brasil, já comunicadas ao mercado, mostrando que está mantido o fortalecimento da marca no País, sem interferência do movimento de vendas das fatias internacionais nas estratégias do mercado doméstico e na América Latina.
“A marca Natura e a marca Avon seguem trabalhando fortemente na América Latina”, afirma a diretora. “Estamos passando por um período de integração das duas marcas, incluindo a integração na nossa força de vendas, e há também uma integração de todos os nossos objetivos de impacto. As nossas consultoras estão trabalhando com as duas marcas.”

A Avon integra o Grupo Natura desde 2020. Em meados deste mês, o grupo comunicou ao mercado a venda da operação da Avon na América Central (Avon Card) para o grupo PDC e a venda da holding da Avon Internacional, a Natura&CO UK Holdings, para o fundo Regent. Na ocasião do anúncio, a Natura chegou a aumentar em R$ 2 bilhões em valor de mercado, e as ações subiram 16%.
Para Cavalcanti, há muitos trabalhos que estão sendo feitos em cima de lançamentos, de inovação, de comunicação e de fortalecimento da marca Avon no País, fazendo com que “sigam muito confiantes” nas operações locais. “A venda (da Avon Internacional) não interfere na nossa atuação aqui. Ela faz parte de uma estratégia de simplificação da nossa operação e de direcionamento do foco na América Latina.”
Impacto social
Segundo a companhia, todas as iniciativas relacionadas às consultoras estão conectadas ao compromisso atualizado publicamente neste ano de ser uma empresa 100% “regenerativa”, com metas ambientais e sociais. Para 2030, a companhia pretende aumentar em 10% o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das consultoras (a empresa tem uma metodologia interna para medir IDH), e garantir 100% delas com renda digna até 2050.
“O que chamamos de renda digna é um cálculo que varia de cidade para cidade, de quanto custa viver naquele local tendo acesso a todos os serviços básicos de atendimento. E o mundo está se transformando, então precisamos que as nossas consultoras se transformem para continuar ganhando esse dinheiro, sendo relevantes e atendendo muito bem seus consumidores”, pontua Cavalcanti.

Os programas de reforço de acesso à saúde e à profissionalização digital das revendedoras recém-anunciados foram desenvolvidos para sanar dores percebidas a partir de diagnósticos internos. O quadro mostra, positivamente, que 81% delas já usavam algum tipo de ferramenta digital para trabalhar. No entanto, 33% da deixou de comprar remédios para si ou para um familiar nos últimos seis meses, e a média de renda comprometida com medicamentos subiu para 22% em 2024.
“Entendemos que preocupação com a saúde é algo que devemos endereçar. Temos que investir não só na digitalização, na criação de conteúdo, que é importante para impulsionar os negócios, mas entendemos que a visão de ‘regeneração’ tem que ser um pouco mais ampla, também focada em capital humano”, avalia Ribeiro.
Vendas diretas
O trabalho das consultoras de beleza é parte significativa para os negócios da companhia. Segundo dados de balanço do segundo trimestre de 2025 da organização, 87% da receita líquida da Natura correspondeu ao formato de vendas diretas, enquanto vendas no site e no varejo corresponderam, juntas, a apenas 13%.
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No caso da Avon, que não possui lojas no varejo, a força das vendas diretas é ainda maior: 98% da receita líquida da marca foi obtida por meio dessa modalidade. Somente 2% corresponderam às vendas digitais na loja virtual. O formato de vendas porta a porta é responsável pela popularidade da marca ao longo dos anos, tendo sido usado predominantemente pela empresa desde sua criação, em 1886.





