A estratégia da Vivo para atingir a meta de ser carbono neutro em 2035

Após atingir 90% de redução em emissões próprias, empresa de telefonia tem intensificado exigências para a cadeia de emissões indiretas e quer evitar compensar carbono

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Foto do autor Shagaly Ferreira
Atualização:

Economia Verde: oportunidades e desafios do Brasil em mundo que busca reduzir emissões

A descarbonização da economia global abre um leque de oportunidades para o Brasil, mas o País tem desafios a superar. Crédito: Estadão

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

A Vivo, visando neutralidade de carbono até 2035, foca em 125 fornecedores intensivos em emissões. Desde 2023, reduziu 90% das emissões diretas, mas as indiretas ainda são 93% do total. A estratégia inclui consultoria para fornecedores, aumentando o engajamento climático de 30% para 87%. Após um projeto-piloto em 2021, contratos agora exigem controle de emissões. A Vivo, no Índice Dow Jones de Sustentabilidade, prioriza redução sobre compensação, com metas de 90% de redução até 2035.

Dos pouco mais 1,2 mil fornecedores da Vivo, 125 são considerados pela companhia intensivos em emissões de carbono. São esses os que estão no foco estratégico da empresa de telefonia para que não haja obstáculos na descarbonização da empresa.

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A motivação para isso é a meta desafiadora da organização: atingir neutralidade de carbono já em 2035, enquanto a maior parte das empresas do Brasil tem esse objetivo com prazo até 2050.

Desde 2023, a Vivo conseguiu atingir 90% de redução nas suas emissões diretas (as dos escopos 1 e 2) em comparação com 2015, ano da assinatura do Acordo de Paris.

No entanto, as emissões indiretas (as do escopo 3), originadas também de sua cadeia de fornecedores, não conseguiram acompanhar o mesmo ritmo. Hoje, o escopo 3 representa 93% das emissões totais da companhia.

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Vivo quer fornecedores engajados em meta de descarbonização Foto: Rodolfo Buhrer/Vivo

Para derrubar a intensidade das emissões, a organização vem estabelecendo uma estratégia focada nas empresas fornecedoras com operação mais poluente (que juntas somam cerca de 80% das emissões da Vivo), após a avaliação de mapeamento e recorte internos.

A maior parte delas é do ramo de instalação, explica a diretora de Sustentabilidade da Vivo, Joanes Ribas. Os nomes das empresas não foram divulgados.

A metodologia de descarbonização proposta para elas inclui a oferta de consultoria contratada pela Vivo para a confecção de inventário de emissão de carbono, a elaboração de metas e o estabelecimento de compromissos alinhados com orientações científicas e da SBTi (sigla em inglês para Metas Baseadas na Natureza).

Segundo a companhia telefônica, o movimento fez com que o engajamento em ações climáticas por parte dessas empresas passasse de 30% para 87%.

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Projeto-piloto

O convencimento inicial, no entanto, não foi fácil. ”Selecionamos algumas empresas para entrar em um piloto em 2021: uma consultoria que iria trabalhar a questão de inventário, definição de metas e um plano de ação. No início, as empresas que convidamos não tiveram tanto interesse, um pouco (por causa de) desconhecimento. Tivemos que explicar para esses fornecedores que, sim, eles eram intensos em carbono e que impactavam o planeta”, diz Ribas.

Joanes Ribas é diretora de Sustentabilidade da Vivo Foto: Vivo/Divulgação

De acordo com a executiva, seis meses após o piloto, as empresas participantes perceberam que, além da redução do impacto ambiental, o trabalho apresentava também uma eficiência financeira e reputacional.

“Chegamos a uma fórmula que poderia funcionar em uma escala maior e expandimos (para os demais fornecedores).” As porcentagens de redução relacionadas diretamente ao projeto, após a fase de piloto, não foram informadas.

Passada a fase de convencimento, a diminuição do impacto ambiental veio por força contratual. Conforme Ribas, os contratos estabelecidos com fornecedores atualmente já preveem a obrigatoriedade no controle de emissões e cumprimento de metas de redução.

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“É um compromisso do fornecedor com o clima, porque hoje ele está trabalhando com a Vivo, mas amanhã ele pode não estar mais. Esse compromisso tem que ser público, porque a sociedade vai cobrar que esse fornecedor continue atuando pelo clima.”

Mercado de carbono

Recém integrante do Índice Dow Jones de Sustentabilidade, a Vivo tem tornado públicas iniciativas de alinhamento entre finanças e sustentabilidade, como a adoção de bonificação para executivos e colaboradores com base em indicadores ESG e a emissão de R$ 3,5 bilhões em títulos verdes, em 2022, com metas ambientais para 2027.

No entanto, a inserção no mercado de carbono pode não ser um campo de grande investimento da empresa com a finalidade de compensar as emissões para a meta de 2035, segundo a posição de Ribas.

Conforme dados da empresa, as emissões diretas que ainda não estão conseguindo ser evitadas estão sendo compensadas atualmente em projetos de proteção e regeneração da Floresta Amazônica.

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Porém, o objetivo, defende a executiva, é evitar ao máximo a necessidade de compensação de emissões. A previsão é de que as reduções totais, nos três escopos, atinjam ao menos 90% em 2035 e somente os 10% restantes sejam compensados.

“Compensar é uma frente na qual não está sendo dada a solução”, salienta Ribas. “Para mim, o fornecedor tem que reduzir em 90% e os 10% tem que compensar, e está em contrato. Tem que fechar onde está o gargalo, e o gargalo é reduzir. O fornecedor novo tem que entrar sabendo quais são as regras claras do jogo na parte ambiental. Ou ele entra comprometido em reduzir ou ele não entra”, reforça.