5 pontos para entender a crise dos Correios
Como a estatal, que era lucrativa, agora precisa de um socorro de R$ 20 bilhões para fechar as contas. Crédito: Gustavo Côrtes
BRASÍLIA — O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu, em um documento enviado ao Congresso Nacional há cerca de um mês, o risco de aporte emergencial nos Correios, que passa por uma crise financeira com prejuízos crescentes. Segundo análise da Secretaria do Tesouro Nacional, o risco se materializa em 2025 e se estende até 2029.

A mensagem foi enviada no dia 18 de setembro como complemento ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026. No documento, o governo classifica o risco de aporte emergencial nos Correios como “possível”, quando a chance não é tão alta, mas é considerável — em uma escala que varia entre risco remoto (o mais baixo), possível e provável (o mais alto).
O aporte acontece com dinheiro do Tesouro Nacional para cobrir a necessidade de investimentos ou outras despesas em razão de problemas no caixa. O governo Lula retirou a estatal do plano de privatizações elaborado pelo governo Jair Bolsonaro (PL). Os Correios passaram a ter prejuízos crescentes, com um rombo que chegou a R$ 4,37 bilhões apenas nos dois primeiros trimestres de 2025.
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Além do aporte emergencial, o governo Lula busca um empréstimo de R$ 20 bilhões do Banco do Brasil, da Caixa e de instituições privadas para os Correios. O empréstimo pode diminuir a necessidade de aporte emergencial do Tesouro Nacional, mas essa última hipótese não está descartada.
No dia 22 de setembro, logo depois do envio da mensagem ao Congresso, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Executivo tinha “muita reticência” à ideia de fazer aportes nos Correios e essa seria uma alternativa de “último caso”.
Segundo o documento do governo, elaborado pela Secretaria do Tesouro Nacional, o risco de aporte emergencial nos Correios ocorre pela “queda de receita e demanda, inserção mercadológica e estratégica e o custeio de benefícios a empregados”. As ações para mitigar o risco, por sua vez, incluem “estratégias para aumento da receita, melhoria de gestão, desligamento voluntário, melhoria de processos e racionalização da estrutura”.
“A ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) poderá continuar a ter um agravamento da situação econômico-financeira, seguindo tendência observada nos últimos dois exercícios. A empresa busca soluções para recompor o fluxo de caixa e melhorar os resultados, no entanto, há risco de aporte emergencial em decorrência da deterioração do resultado operacional”, diz o relatório do Tesouro. O risco “possível” de aporte emergencial se estende até 2029, segundo a análise.
A mensagem do governo destaca que os Correios acumularam déficits primários nas contas nos dois anos anteriores (R$ 440 milhões em 2023 e R$ 3,2 bilhões em 2024), mas prevê um superávit nos dois anos seguintes: R$ 841 milhões em 2025 e R$ 1,9 bilhão em 2026. É com base nessa estimativa que o Executivo elabora o orçamento da empresa. Um resultado negativo pode aumentar ainda mais o rombo da estatal.
Além dos Correios, a ANBPar foi apontada com risco “possível” de aporte. Outras estatais foram enquadradas com risco “remoto”: Banco do Nordeste, Casa da Moeda, Companhias Docas (do Ceará, do Pará, da Bahia, do Rio, de Santos e do Rio Grande do Norte) e Infraero.





