Governo escolhe funcionário de carreira do Banco do Brasil para ser o novo presidente dos Correios

Emmanoel Schmidt Rondon vai substituir Fabiano Silva dos Santos, que pediu demissão há dois meses e meio; estatal não quis se manifestar

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BRASÍLIA - Dois meses e meio após Fabiano Silva pedir demissão da presidência dos Correios, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu um novo nome para comandar a estatal: Emmanoel Schmidt Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil.

Procurados, os Correios disseram que não iriam se manifestar.

Emmanoel Schmidt Rondon é funcionário de carreira do Banco do Brasil Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Rondon é economista, com pós-graduação em Administração de Empresas. Foi gerente executivo da diretoria de Governo do Banco do Brasil e liderou equipes e projetos em diferentes áreas, como eficiência operacional, transformação digital e fortalecimento de relações com clientes e parceiros institucionais.

Em março de 2021, foi designado membro do Comitê Regional das Instituições Financeiras Federais - CRIFF, como representante suplente do BB.

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Pressionado há tempos para deixar o cargo, Fabiano Silva dos Santos entregou o pedido de demissão no início de julho, mas permanece no posto até então. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez o pedido para que ele continuasse até encontrar um substituto, em uma situação inédita para a companhia.

O comando da estatal era alvo de cobiça do Centrão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tentou emplacar aliados no posto, como Érico Jovino Sales, ex-superintendente dos Correios, que também concorreu a deputado federal pelo MDB. No entanto, apesar das investidas, Schmidt Rondon foi indicado por aliados diretos de Lula, segundo apurou a reportagem.

Ele tem um perfil técnico e, por ser ligado ao setor financeiro, repete, segundo interlocutores, a mesma lógica adotada na recuperação da Petrobras, quando Ivan Monteiro, que também tinha feito carreira no Banco do Brasil, foi indicado para a petrolífera com o objetivo de recuperar a empresa, em 2018.

Prejuízos em série

A troca ocorre em meio a graves dificuldades financeiras da estatal. Desde 2022, os Correios vêm apresentando prejuízos, mas o resultado negativo vem piorando.

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No início deste mês, a empresa anunciou um prejuízo de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025 - um aumento de 222% (triplo) em relação ao prejuízo de R$ 1,35 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior.

No segundo trimestre, o prejuízo chegou a R$ 2,64 bilhões - um aumento de quase cinco vezes em relação ao rombo de R$ 553 milhões do mesmo período de 2024.

Na divulgação do balanço, a empresa afirmou que “enfrenta restrições financeiras decorrentes de fatores conjunturais externos que impactaram diretamente a geração de receitas.”

“Entre os principais motivos, destaca-se a retração significativa do segmento internacional, em razão de alterações regulatórias relevantes nas compras de produtos importados, que provocaram a queda do volume de postagens e o aumento da concorrência, resultando na redução das receitas vinculadas a esse segmento”, diz a empresa, referindo-se de forma indireta à “taxa das blusinhas”, implementada pelo governo Lula.

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A empresa ainda diz que implementou um plano de contingência, com objetivo de buscar o reequilíbrio econômico.

“As ações priorizam o incremento de receitas, por meio dadiversificação de serviços e da expansão da atuação comercial, bem como a otimização e racionalização das despesas e a reduçãode custos operacionais, preservando a universalização dos serviços e assegurando ganhos de produtividade e sustentabilidadefinanceira”, disse a companhia.