Professor da PUC-Rio e economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo escreve quinzenalmente

Professor da PUC-Rio e economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo escreve quinzenalmente

Custos de credibilidade do BC não compensam possíveis ganhos decorrentes da redução da Selic

O Copom justificou o recente corte com o fato de que os dois mais recentes números de taxa de inflação surpreenderam para baixo e a taxa de juros está em nível bastante elevado

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Foto do autor José Márcio de Camargo

Nas últimas duas semanas, os bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil se reuniram para definir as taxas de juros dos respectivos países.

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Nos Estados Unidos, na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve, os diretores decidiram manter a taxa básica de juros da economia americana estável entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão não foi unânime. Três dos 12 diretores divergiram da maioria e propuseram um aumento de 0,25 pontos de porcentagem da taxa de juros.

A última vez que o Fomc mostrou três diretores discordando da maioria foi em 2016, o que indica a dificuldade de avaliar o cenário mundial e decidir como conduzir a política monetária neste momento.

Copom sofreu perda de credibilidade com comunicado confuso Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após a decisão, os três diretores justificaram suas decisões com base no cenário econômico, em especial o cenário internacional devido à guerra no Oriente Médio, que atingiu um impasse de difícil solução e que tem gerado interrupções no trânsito pelo Estreito de Ormuz, reduzindo significativamente a oferta de petróleo e aumentando os preços dessa commodity.

Além da questão da guerra no Oriente, os diretores se mostraram preocupados com o fato de que a taxa de inflação permanece acima da meta há mais de cinco anos – tendo deixado de convergir para a meta – e que o mercado de trabalho permanece apertado, o que pode gerar desancoragem das expectativas inflacionárias.

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No Brasil, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto de porcentagem na reunião desta semana, levando a taxa de juros para 14,00% ao ano. Segundo o comunicado que se seguiu à reunião, ainda que o cenário tenha muitas das características similares às da economia americana, tais como os efeitos da guerra no Oriente Médio e o fato de que a taxa de inflação continua acima da meta no horizonte relevante, as expectativas permanecem desancoradas, em especial as de longo prazo. O mercado de trabalho permanece apertado, e a inflação de serviços se mantém próxima a 6,0% ao ano.

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O fato de que os dois últimos números de taxa de inflação surpreenderam para baixo e a taxa de juros está em nível bastante elevado e contracionista, justificaria, segundo os membros do Copom, a redução da Selic nesta reunião.

Entretanto, diante desse cenário, nossa avaliação é de que os custos em termos de confiabilidade do Banco Central, depois da perda de credibilidade do comunicado confuso divulgado após a última reunião, não compensam os possíveis ganhos decorrentes da redução de 0,25 pontos de porcentagem da Selic.

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Opinião por José Márcio de Camargo

Professor aposentado do Departamento de Economia da PUC-Rio, é economista-chefe da Genial Investimentos

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