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ANP: despesa com compra de petróleo cai pela metade no ano

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Por Agencia Estado
Atualização:

As despesas do País com a compra de petróleo, derivados e gás natural caíram pela metade nos primeiros nove meses do ano, apesar da alta dos preços do produto no mercado internacional, segundo dados consolidados pela Agência Nacional do Petróleo, gás natural e biocombustíveis (ANP). Conforme a ANP, o País gastou US$ 1,22 bilhão a mais entre exportação e importação desses produtos, ante os US$ 2,618 bilhões acumulados nos nove primeiros meses de 2005. Ao todo, o comércio exterior com esse grupo totalizou US$ 22 bilhões até setembro, sendo US$ 10,353 bilhões em exportações e US$ 11,57 bilhões em importações. A ANP, seguindo orientação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), alterou os critérios de divulgação dos dados referentes ao petróleo, passando a incluir os derivados de petróleo vendidos para aviões e navios que embarcam para o exterior como "exportação", o que favoreceu a queda do déficit. Sem o "consumo de bordo", como esses itens são calculados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o déficit teria sido superior a US$ 3 bilhões no período. Embora compute o consumo de bordo na exportação, a Secex desconsidera o mesmo movimento (consumo de bordo) quando se trata de importação. A melhoria nas contas do grupo petróleo reflete o aumento da produção interna nos últimos meses, com boa parte da produção sendo direcionada ao mercado internacional. Segundo a ANP, nos primeiros nove meses do ano, o País exportou o equivalente a 100 milhões de barris de óleo bruto, no valor de US$ 5,1 bilhões. As importações no mesmo período somaram 99,1 milhões de barris, no montante de US$ 7,0 bilhões, e o déficit financeiro, de US$ 1,9 bilhão, resultou basicamente da diferença de preços entre o produto nacional e o importado. Enquanto o barril do óleo importado custou US$ 70,64, em média, o exportado foi vendido por US$ 50,79 por barril, com uma variação de quase US$ 20 por barril. A diferença de preços entre os dois produtos se acentuou este ano e em setembro atingiu US$ 20,31 por barril. No caso dos derivados de petróleo, a ANP contabilizou superávit de US$ 1,81 bilhão nos nove primeiros meses de 2006, 5,6% abaixo do observado em igual período do ano passado. Esse valor é praticamente todo do tipo "consumo de bordo", o que ilustra a importância da venda de combustíveis para os navios e aviões que partem do Brasil. Ao todo, segundo a ANP, o País importou 55 milhões de barris de derivados de petróleo de janeiro a setembro e exportou 89 milhões de barris, nos valores financeiros de US$ 3,22 bilhões e US$ 5,242 bilhões, respectivamente. Ou seja, os derivados, com o "consumo de bordo", geraram superávit de US$ 2 bilhões, praticamente igual ao déficit contabilizado para o óleo bruto. No caso do gás natural, produto que o País apenas importa, o peso tem sido crescente, conforme os dados da ANP. Em nove meses, esses gastos somaram US$ 1,13 bilhão, já superando o valor total contabilizado em 2005, que ficou em US$ 1,044 bilhão. Em setembro, isoladamente, as compras do gás natural da Bolívia somaram US$ 147,293 milhões, com aumento de 51,3% ante igual período de 2005. Essa diferença resultou basicamente do aumento de preços, já que o volume importado registrou aumento de 10,2% no intervalo de 12 meses. Desde meados do ano, a Petrobras tem "puxado" quase todo o volume de gás contratado para o gasoduto que interliga os dois países.

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