A Azul Linhas Aéreas informou nesta quarta-feira, 28, que protocolou um pedido de Chapter 11 (equivalente à recuperação judicial) nos Estados Unidos. A medida já era aguardada pelo mercado diante das dificuldades recentes da companhia para levantar capital e renegociar dívidas.
A recuperação contempla aproximadamente US$ 1,6 bilhão em financiamento durante o processo, eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas e previsão de até US$ 950 milhões em novos aportes de capital no momento da saída, segundo documento divulgado pela Azul nesta quarta-feira.
A aérea destaca que garantiu um financiamento DIP (do inglês “debtor in possession”, que consiste num tipo de financiamento usado por empresas em recuperação judicial para suprir a falta de fluxo de caixa) de aproximadamente US$ 1,6 bilhão de parceiros financeiros após celebrar “acordos de Apoio à reestruturação” com as principais partes interessadas (stakeholders).
Isso inclui detentores de títulos da companhia, sua maior arrendadora, a AerCap — que representa a maior parte das obrigações da companhia com leasing —, e os parceiros estratégicos United Airlines e American Airlines.

“Esses acordos marcam um passo significativo na transformação do nosso negócio, pois nos permitirá emergir como líderes do setor nos principais aspectos da nossa atividade”, afirma o CEO da Azul, John Rodgerson.
Ao final do processo, está prevista a amortização do DIP com os recursos de uma oferta de subscrição de ações de até US$ 650 milhões, com garantia firme dos referidos investidores, além de um possível investimento adicional de até US$ 300 milhões por parte da United Airlines e American Airlines, sujeito a determinadas condições.
A Azul informou ainda a descontinuação de todas as projeções (guidances) para 2025 diante do início do Chapter 11.
Companhia relutava
Diferentemente da Gol, a empresa vinha relutando em recorrer ao Chapter 11. Em 28 de outubro passado, a Azul havia anunciado um plano de recuperação fora dos tribunais. Na ocasião, em entrevista ao Estadão/Broadcast, o CEO da companhia, John Rodgerson, declarou: “Não temos outros problemas que normalmente levam as empresas para recuperação judicial”.
Desde então, o cenário mudou. Ha uma semana, em fato relevante, a companhia informou que a classificadora de crédito S&P Global Ratings havia rebaixado a nota da Azul de CCC+ para CCC-.
Na segunda-feira, 26, conforme o E-Investidor, a Ágora Investimentos e o Bradesco BBI haviam mudado a recomendação para as ações da Azul (AZUL4) de compra para neutra temendo que a empresa precisasse de uma nova reestruturação de sua dívida, o que poderia levá-la a uma recuperação judicial.
Entre as três principais companhias que operam no Brasil, a Azul era a única que ainda não tinha recorrido ao Chapter 11. A Latam entrou no processo durante a pandemia e encerrou a recuperação judicial em 2022. Já a Gol entrou com o pedido no início de 2024 e deve sair do processo em junho.
O mecanismo voltou a ser uma possibilidade para a Azul após a piora da situação financeira da companhia. No balanço do primeiro trimestre, o indicador de alavancagem da empresa subiu para 5,2 vezes, de 4,9 vezes no final de 2024 e bem acima do que estava há um ano, em 3,7 vezes. A dívida bruta da companhia aérea encerrou março em R$ 34,6 bilhões, crescimento de 42% em 12 meses.
A Azul buscou várias formas nos últimos meses para tentar evitar essa medida e tem a intenção de fazer uma nova oferta de ações (follow-on). Mas a avaliação é que só vai conseguir fazer quando o operacional da empresa melhorar. Em um follow-on feito em abril para a troca obrigatória de dívida em dólar por ações da companhia, do lote extra reservado ao mercado, de R$ 1,6 bilhão, só R$ 48 milhões foram colocados.
Enquanto isso, o cenário põe em xeque a potencial fusão entre Azul e Gol. A previsão era que as negociações, em andamento desde janeiro deste ano, andassem após o fim do Chapter 11 da Gol. Contudo, a expectativa é que os esforços da Azul se concentrem agora no processo de recuperação financeira.
Como foi a recuperação judicial da Gol
O caminho que a Azul tende agora a adotar é o mesmo que a Gol está terminando de percorrer. No dia 20, a Justiça dos EUA aprovou o plano da Gol para deixar o Chapter 11.
A audiência que avaliou o pedido da companhia aérea brasileira foi realizada naquela terça-feira, em Nova York, e durou cerca de três horas. Mais de cem pessoas participaram da reunião, sendo mais de 60 participantes de forma presencial, incluindo assessores da empresa e representantes de credores.
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A aprovação do plano foi celebrada pelos presentes e repercutiu na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. As ações preferenciais da Gol chegaram a disparar 19% no pregão daquele dia e fecharam com ganhos de 12,09%, cotadas a R$ 1,02, entre as maiores altas do mercado.









