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Executivo C-Level está ‘virando júnior’ ao usar IA no lugar de delegar tarefas, mostra pesquisa

Levantamento com mais de 4 mil profissionais mostra que 25% dos diretores e C-Levels brasileiros admitem que deixaram de delegar tarefas porque ‘fariam mais rápido’ com a IA

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Foto do autor Jayanne Rodrigues
Atualização:

Empresas precisam redesenhar o trabalho para integrar IA, diz futurista Neil Redding

Conhecido como 'futurista do agora', o especialista prevê uso de agentes de IA nas companhias para ganhos de eficiência. Crédito: edição: Larissa Kinoshita

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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A inteligência artificial está fazendo executivos C-Levels (como são conhecidos os cargos de liderança no mais alto escalão das empresas) voltar à operação, de acordo com pesquisa da Afferolab, plataforma de educação corporativa, em parceria com a Tera, plataforma de educação em tecnologia. Segundo o estudo, 25% dos diretores e dos C-Levels revelaram que deixaram de delegar tarefas nos últimos 30 dias porque “com IA, fariam mais rápido sozinhos.”

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O levantamento ouviu 4,3 mil profissionais com perguntas sobre comportamento organizacional, automação, ROI (retorno sobre o investimento) e maturidade em IA.

Uma das descobertas na pesquisa é de que os líderes não estão usando a ferramenta para redesenhar fluxos de trabalho e disseminar o uso da IA entre a equipe. Em vez disso, estão centralizando ainda mais a execução com o uso da IA, afirma Alessandra Lotufo, sócia e managing director da Afferolab.

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“Isso condiz com o grau de maturidade em IA no Brasil, que é baixa. O C-Level, em sua maioria, usa a IA como secretária para fazer análises e apresentações”, diz. Não significa que seja um uso inadequado, mas, para o cargo de CEO, por exemplo, a ferramenta não deve ser usada somente para aumento da própria produtividade. “O papel do CEO é virar o jogo e mudar o modelo mental. Se não, ele literalmente vai usar a IA como um júnior pedindo algo que a equipe já executa”, diz.

Pesquisa revela que enquanto C-levels brasileiros usam IA apenas para produtividade pessoal, média gerência teme uso contínuo por medo de substituição Foto: Valery/Adobe Stock

Segundo a pesquisa, 87,5% dos profissionais usam IA para geração de textos, 67,1% para análise de dados, outros 63,4% para apoio em decisões estratégicas e 57,5% para geração de imagens. Mas, quando o assunto é automação, apenas 37,8% usam IA para automatizar tarefas repetitivas. Alessandra avalia que as empresas ainda utilizam IA como apoio de produtividade sem integrar a tecnologia aos fluxos operacionais.

Gargalo da média gerência

A IA também ainda não é pensada de forma sistemática para implementar uma nova forma de trabalhar em outros cargos, pondera a diretora. Isso porque, além da barreira enfrentada para quem está em cargos C-Levels, a média gerência é impactada.

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No recorte hierárquico da pesquisa, 69% da média gerência admite usar IA em tarefas que poderiam ser delegadas. Desses, 49,6% dizem fazer isso “às vezes”, enquanto 19,4% revelam “frequentemente” utilizar automação no lugar de distribuir demandas. Apenas 6,7% afirmam operar em um nível mais avançado ao delegar tarefas e educar a equipe.

Enquanto os C-Levels brasileiros usam a IA como se ainda estivessem no primeiro estágio, no caso da média gerência, uma das razões para o não uso é o temor de ser substituído pela automação. “É parecido com o CEO. A média gerência usa a IA de um jeito pessoal, mas não é para ser assim”, afirma Alessandra.

Nesse contexto, as lideranças deixam de lado o maior ganho com a IA, que seria arquitetar fluxos, auxiliar nas decisões e coordenar sistemas. Para reverter a situação, o estudo sugere que a mudança começa por treinamentos em diferentes níveis e etapas. No entanto, a transformação é lenta. “Não é da noite para o dia, uma mudança de modelo organizacional exige tempo”, ressalta Alessandra.

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Descompasso entre conhecimento e execução

A barreira é ainda maior por conta do estágio em que a ferramenta é consumida pelos brasileiros. Conforme a pesquisa, dos 73,9% de profissionais que usam a ferramenta, apenas 0,1% alcançaram o nível que chama de “superoperador”.

Hoje, o mercado brasileiro se concentra em poucas plataformas: 97,4% usam ChatGPT, 81,5%, Google Gemini e 52,7%, Microsoft Copilot, indica o estudo. Alessandra Lotufo reforça que a “IA não é só isso” e pode ser usada de diversas formas no ambiente de trabalho, desde que não seja encarada somente como uma “execução braçal”.

A estimativa do estudo é de que o próximo ciclo da IA mude o foco de aprender prompts ou usar novos chats para reorganizar o trabalho. Para chegar a esse nível, o estudo aponta uma mudança no perfil dos profissionais considerados mais avançados em IA. Quem usa apenas uma ou duas ferramentas tende a ganhar uma produtividade pontual e que não é eficiente para quem está em cargos C-Levels ou na média gerência.

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Já os chamados “power users” conseguem reunir sete ferramentas ou mais capazes de criar fluxos integrados e automatizados. Por exemplo, uma vez que a média gerência vira a chave de como usar IA, deixará de utilizar automação apenas para a produtividade e economizar tempo em algumas tarefas para melhorar o fluxo de trabalho.

A solução de problemas pode ser direcionado em diferentes setores para resolver reuniões sem eficiência, por exemplo. A IA consegue organizar as pautas prévias, acompanhar conversas e enviar e-mails. “O CEO não vai botar a mão na massa, ele vai liderar a transformação”, resume Alessandra Lotufo.

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