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Galeria Magalu transforma loja em um ‘grande parque de diversão’ das marcas

Retorno do investimento na megaloja do Conjunto Nacional é esperado para daqui a um ano e meio e só com a receita de publicidade das marcas, diz o CEO, Frederico Trajano

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Foto do autor Márcia De Chiara
Atualização:

Depois de três anos sem abrir loja física, o Magazine Luiza inaugura nesta terça-feira, 9, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, a Galeria Magalu, uma loja-conceito, que reúne as cinco marcas do grupo — Magazine Luiza, Netshoes, KaBum!, Época Cosméticos e Estante Virtual.

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O projeto era uma meta antiga da companhia, que nasceu em 1957 em Franca, no interior de São Paulo, e faturou no ano passado R$ 66 bilhões com todo o ecossistema, que une as mais de 1,3 mil lojas físicas com o comércio online próprio e o marketplace.

O projeto sai do forno em meio a uma taxa básica de juros de 15% ao ano, o maior dos últimos 20 anos, o que é um grande desafio para tornar rentáveis as vendas no varejo.

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“Conseguir uma equação econômica para fazer um investimento num ponto de 4 mil metros quadrados na Avenida Paulista com juros de 15% ao ano não foi uma equação fácil”, afirmou ao Estadão Frederico Trajano, CEO da companhia.

A Galeria Magalu vai ocupar o espaço que antes era da Livraria Cultura Foto: Olavo Martins/Divulgação

Vender não é problema, disse ele. “Converter a venda em resultado é um desafio para um País no qual a taxa de juro real é a mais alta do mundo, mesmo com inflação controlada.”

Essa também é a avaliação de Luiza Trajano, presidente do conselho de administração da companhia, para quem “não tem cabimento o juro estar nesse valor”. “Não tem falta de produto. É porque colocaram a inflação de 3%, e se fica buscando isso, independente de tudo.”

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O segredo para conseguir obter o retorno sobre o capital investido na Galeria Magalu foi a receita com os anúncios de mais de 150 marcas dentro da loja. “Pensamos em todos os espaços dentro da Galeria Magalu para que a loja pudesse ser um grande parque de diversão das marcas, um ‘brand place.’”

A empresa não revela cifra investida nesse ponto de venda, informa apenas que é equivalente ao gasto para abrir dez lojas físicas tradicionais.

Retorno do investimento

Trajano disse que vai conseguir repor em um ano e meio o capital investido nessa nova loja só com a receita de publicidade das marcas. Nessa conta, não está considerada a venda no varejo.

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Há inúmeros painéis de LED espalhados pela loja, onde as marcas criam canais de comunicação. Também existem espaços onde as marcas vão poder interagir com o consumidor por meio da experimentação dos produtos, além da gravação de streaming com influenciadores.

“Não tem nada igual no mundo”, afirmou Luiza, ao se referir ao modelo de loja Galeria Magalu. Ela contou que fez muitas pesquisas fora do País.

Luiza disse que cada vez mais as pessoas querem se encontrar, apesar do digital. E esse modelo de loja vai exatamente nessa direção: tornar-se um ponto de encontro.

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Nos últimos tempos, a Avenida Paulista virou uma grande vitrine do varejo de lojas físicas, com várias marcas abrindo unidades ao longo da via.

A expectativa conservadora da empresa é de que a loja do Conjunto Nacional receba entre 90 mil e 100 mil pessoas por mês e seja a unidade responsável pelo maior faturamento da companhia dentro de seis meses.

Junto e misturado

A Galeria Magalu vai ocupar o espaço que antes era da Livraria Cultura. A varejista preservou a identidade do local e agregou diferenciais.

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A sala Eva Herz, por exemplo, vai continuar com programação de peças e será um teatro YouTube para gravação de conteúdos digitais, vídeos e lives com influenciadores, por exemplo. Na entrada da loja, haverá uma galeria de arte que receberá exposição de peças do acervo da Pinacoteca de São Paulo.

A Estante Virtual, a livraria do grupo, terá a primeira loja física, acoplada a um café, o We Coffee, e vai comercializar livros novos e de segunda mão.

Cada marca da varejista terá um diferencial para atrair o público para a loja. Na Kabum!, que vende jogos eletrônicos, por exemplo, haverá uma grande arena gamer. Na Netshoes, que comercializa artigos esportivos, o consumidor vai poder personalizar tênis e camisetas de time com o seu nome.

Na Época Cosméticos, que vende itens de maquiagem, perfumes e cremes, haverá um skin scanner, um equipamento que ajuda analisar o tipo e as condições de cada pele para orientar no produto adequado.

Na casa da Lu, a influenciadora digital da empresa, serão reproduzidos espaços como sala, cozinha, quarto, por exemplo, onde as marcas poderão expor inovações e transmitir lives.

Fim de ciclo

Frederico Trajano disse que a inauguração da Galeria Magalu fecha o segundo ciclo estratégico da companhia desde que ele assumiu a empresa, que é o do ecossistema.

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O primeiro ciclo foi da digitalização entre 2016 e 2020. Nesse primeiro ciclo, a empresa que tinha 80% das vendas em lojas físicas passou para a ter 70% do negócio no digital.

O ciclo do ecossistema, iniciado em 2021 e que termina agora, transformou uma companhia que basicamente vendia eletroeletrônicos para uma operação que comercializa uma infinidade de produtos, com o seu marketplace, além de empresas voltadas para áreas de logística e de pagamentos.

O próximo ciclo, segundo Trajano, terá como grande protagonista a Lu, a influenciadora digital da marca, e toda a arquitetura de inteligência artificial (IA) que estará sustentando essa operação.

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Novas galerias

Quanto à abertura de mais lojas físicas no formato de galeria, isto é, com todas as marcas da companhia, Fabrício Garcia, vice-presidente comercial e de operação, disse que há 50 unidades da empresa com potencial para serem transformadas nesse formato, que precisa de um espaço físico considerável. Mas ainda não existe um planejamento de quantas lojas passarão por essa mudança nos próximos anos.

A transformação das lojas para esse novo formato de galeria é uma prova da que a loja física resiste. Trajano disse que, embora ele tenha sido o responsável pela implantação do e-commerce na empresa, sempre apostou na junção da loja física com o online. “Nunca apostei no fim da loja física.”

Segundo ele, 85% do varejo brasileiro acontece na loja física. Até mesmo na China, que tem o varejo mais digital do mundo, as lojas físicas respondem por 70% do negócio e essa participação vem sendo mantida estável ao longo dos anos. “A loja física é fundamental para o varejo, para as marcas e para as pessoas saírem do isolamento do mundo digital e se encontrarem num ponto físico.”

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