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Latam tem retomada robusta enquanto concorrentes ainda se recuperam da pandemia

Empresa foi a primeira do setor a pedir recuperação judicial devido à crise da covid-19; agora, analistas elogiam desempenho da companhia aérea

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Foto do autor Luciana Dyniewicz
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Primeira empresa aérea do País a entrar em recuperação judicial devido às consequências econômicas da pandemia, em maio de 2020, a Latam dá sinais não apenas de ter deixado a crise para trás, mas de ter engatado uma recuperação robusta. Essa retomada tem sido elogiada por analistas do mercado financeiro e alavancado os papéis da companhia negociados em Nova York — em um ano, eles subiram 118%.

Desde que saiu do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (o chamado Chapter 11), em novembro de 2022, a Latam aumentou seu lucro operacional em mais de 10% em todos os trimestres na comparação com o mesmo período do ano anterior. O lucro atribuído aos acionistas também avançou em mais de 10% em quase todos os trimestres — apenas em um, o segundo de 2024, esse desempenho não foi verificado.

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Entre os fatores que estão favorecendo os bons resultados da empresa está a boa gestão, apontam analistas. A direção da Latam vem conseguindo controlar os custos da empresa e definir os preços das passagens para garantir uma rentabilidade e um crescimento sustentável.

O cenário macroeconômico, com o dólar e o petróleo acomodados, e a demanda aquecida também têm ajudado a Latam — e todo o setor aéreo. Por outro lado, a situação financeira mais frágil de suas concorrentes (a Gol saiu da recuperação judicial em junho, e a Azul entrou nesse processo em maio) é um componente extra desse cenário que impulsiona a companhia.

Para analistas, chegada dos aviões na Latam abre possibilidade de crescimento acima do esperado Foto: Latam/Divulgação

Para analistas do banco BTG Pactual, todos esses fatores juntos formam “uma combinação e tanto” para uma empresa aérea, de acordo com relatório publicado em novembro. À época, os analistas escreveram que os resultados trimestrais que a Latam apresentou durante a maior parte de 2024 e de 2025 tiveram um “padrão repetidamente bem-sucedido” e que a tendência vinha sendo “superar, elevar, repetir”.

Pouco mais de um mês antes da publicação do relatório do BTG, os analistas do Itaú BBA também destacaram o desempenho da Latam. Em documento intitulado “Rali em pleno voo”, eles reiteraram que a empresa vem apresentando um desempenho acima da média. No mercado financeiro, “rali” é o jargão usado para períodos de alta contínua e forte do preço de um ativo.

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O Itaú BBA afirmou que houve uma melhora das condições de endividamento da empresa. A previsão do banco é que, com a reestruturação, a companhia consiga economizar anualmente US$ 33 milhões. Os analistas também escreveram que, ao menos enquanto Gol e Azul estiveram se reestruturando, os preços das passagens aéreas devem se manter em um patamar saudável para as companhias, favorecendo a Latam.

Outro ponto realçado pelo BBA foi a compra de aviões da Embraer pela Latam. Em setembro, a empresa anunciou a aquisição de 24 jatos E195-E2, com a possibilidade de ampliar a compra para até 74 unidades.

Com capacidade para 120 a 146 passageiros, essas aeronaves são menores do que as usadas pela Latam hoje para voos domésticos e permitem que a empresa atenda cidades do interior que não são viáveis financeiramente com aviões maiores. Hoje, a companhia usa jatos com capacidade para cerca de 200 pessoas para viagens no País.

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Para o Itaú BBA, a chegada dos aviões da Embraer na Latam abre a possibilidade de um crescimento acima do esperado nos próximos anos. “O tráfego doméstico no Brasil tem liderado o crescimento de ASK (métrica que mede a oferta de assentos disponíveis para venda) da companhia (11% a/a no acumulado do ano), e a adição desses novos (e mais eficientes) jatos à frota da Latam deve proporcionar uma potencial aceleração do crescimento quando as operações tiverem início”, diz o relatório.

A Latam espera começar a receber os aviões da Embraer a partir do segundo semestre deste ano. A empresa anunciou, no mês passado, o início da contratação de pilotos para operarem essas aeronaves.

BTG e Itaú veem espaço para que os papéis da Latam continuem em alta.

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Estratégia da Latam

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O CEO da Latam no Brasil, Jerome Cadier, reconhece que as dificuldades enfrentadas pelas concorrentes ajudaram a empresa nos últimos meses. Ele destaca, porém, que esse não foi o fator determinante para os bons resultados. “Tem mais a ver com o meu desempenho do que com o desempenho do outro”, disse ao Estadão. (Leia aqui a entrevista completa.)

Para o executivo, a renegociação de contratos com praticamente todos os fornecedores da empresa logo no início da pandemia permitiu que a Latam estivesse bem posicionada — com custos baixos — quando a demanda foi retomada.

Ao mesmo tempo, a companhia vem apostando em melhorar seus serviços para atrair o cliente “alto valor”, que compra passagens com maior frequência e paga tarifas mais elevadas. Essa estratégia tem, segundo Cadier, garantido uma receita mais elevada por assento do avião.

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